Meu inferno pessoal

85 4 0
                                        

Faz muito tempo desde que minha vida estava normal, porém lembro-me com clareza que era horrível.
Meu nome é Fossion, sou um garoto timido (até demais) de 16 anos, graças a minha timidez nunca consegui fazer amigos, sou filho único, não tenho pai, por isso minha mãe se mata de trabalhar para conseguir me sustentar, sou muito grato a ela, porém nunca tive um relacionamento bom com ela, não por besteiras de adolescente mas por não conseguir encontra-lá, no colégio sou mediano, não sou inteligente porém não sou retardado, já que eu não tenho amigos nem família presente, sem coragem e por ser pequeno e fraco sou um alvo de bullying, apanho com tanta frequência que quase não sinto mais dor, já tenho tudo preparado na minha mochila, os materiais que tenho são: livros didáticos, caderno, estojo, kit médico e roupas extras. Minha rotina é a seguinte acordo todo dia cedo, faço o café, acordo minha mãe para ela se arrumar, tomo banho, visto minha roupa e vou embora para escola, ao chegar perto da escola, chegam sempre os mesmos garotos para me dar a surra matinal, como sempre sujo as roupas com barro e sangue trago outras para trocar, ao chegar na escola (se conseguir chegar) vou direto a minha sala, e tiro o livro de fantasia que estou lendo agora que fala sobre uns amigos que ganham poderes mentais, e fico imaginado como seria ter poderes assim, quando a professora chega guardo meu livro, e como sempre, levo uma bronca por chegar todo sujo e machucado na sala, fico pensando que se ela começasse a disciplinar seu filho e o impedir de me bater eu não chegaria daquele jeito, quando a aula acaba tento ir direto para casa porém sou parado para a surra da tarde, logo que acaba, vou para casa e lavo minhas roupas para não dar mais trabalhos a minha mãe, tomo banho, como alguma coisa, bebo remédios anti-inflamatório e para dor, limpo a casa e deito para ler, quando anoitece eu durmo, e no outro dia acontece tudo de novo. Muitas vezes tento pensar maneiras de acabar com o meu inferno pessoal, a maneira mais fácil é o suicídio, mas toda vez que eu pego os remédios ou a corda ou a faca, eu paro e penso como minha mãe iria aguentar isso, afinal sou a única coisa que sobrou a ela, então desisto, mas um certo dia quando chego da escola vejo uma carta na mesa da sala que estava escrito: "Querido Fossion sinto muito por ter te dado essa vida, eu fiz o máximo que pude, porém o meu máximo não era nada, perdi meu emprego e não tenho mais nada para dar a você, não aguento mais essa vida, me desculpe." Quando terminei de ler a carta, fui ao quarto da minha mãe e vi uma poça da sangue e seu corpo, lá estava a única coisa que me mantia vivo, e essa coisa estava morta agora.

RegiõesWhere stories live. Discover now