MAX
Parecia fazer uma década desde a última vez em que Chloe e eu brincamos de piratas pelas ruas de Arcádia, sempre em busca de novos locais para explorar naquela cidade pequena que já conhecíamos quase por completo, apesar da pouca idade.
Na verdade fazia apenas um dia desde nosso último encontro. Foi mais uma sessão de cinema na casa dela, com pipoca, doces, muito refrigerante e com nossas eternas conversas que não nos deixavam prestar muita atenção ao filme que passava.
- Max, confessa que você tem uma leve quedinha pelo Josh, eu já notei seus olhares pra ele - dizia Chloe me desafiando - você não pode mentir pra sua melhor amiga! Eu
- Você tá louca - eu rebati rindo.
- Confessa, Max. Preciso saber da verdade para perguntar das intenções dele com você. - Falou com uma expressão que tentava demonstrar seriedade, enquanto eu ria da situação - eu o vi comentando com um amigo sobre o quanto você era bonita, que ia chegar em você e tudo mais.
- Credo, Chloe! Eu nem sequer falo com o Josh direito e ele passa aula toda fungando. - falei fazendo uma careta de nojo e tentando reproduzir a cena. - não quero que meu 1º beijo seja regado a catarro e meleca. Eca! - Ela começou a gargalhar com a resposta e eu acompanhei a risada.
Quando finalmente paramos de rir, minha barriga já doía, mas ela continuava no assunto:
- Então, já que não é o Josh o escolhido, quem seria? - perguntou erguendo a sobrancelha esquerda.
- Sei lá, Chloe. Não tenho ninguém em mente.
- Sei... Você só não quer me contar. Não confia em mim. - disse ela cruzando os braços e olhando na direção oposta à que eu estava, demonstrando irritação.
- Nossa, como você é ciumenta. - depois de dizer isso, puxei o rosto dela com uma das mãos pra olhar diretamente nos meus olhos e falei: - quando eu quiser beijar alguém ou estiver preparada pra isso, você vai ser a primeira saber, eu juro! - a resposta pareceu convencê-la e logo mudamos de assunto.
Até o momento em que o William, pai da Chloe, entrou no quarto e nos chamou pra comer panquecas. Corremos escada abaixo famintas.
- Meninas, se comportem por aí enquanto vou buscar a rainha da casa no supermercado. não incendeiem nada, viu?
- Nem uma fogueirinha no quintal, pai?
- Muito engraçado, Chloe! - ele falou enquanto saía pela porta. - juízo!
Nós rimos aos nos despedirmos.
Essa foi a última vez que vimos o William e o princípio de quando tudo começou a desmoronar.
Hoje, um dia depois, mas parecia quase uma eternidade, estou aqui ao lado de minha melhor amiga de novo, no que com certeza é o momento mais difícil de sua vida. Não há palavras que eu possa dizer pra fazê-la sentir-se melhor e isso me devasta. Eu tento só ficar ao seu lado, a abraçando em silêncio, enquanto ela encharca meu ombro com suas lágrimas.
Não preciso dizer que sinto muito. Ela sabe que o William era como um segundo pai pra mim e, mesmo que não fosse, o simples fato de vê-la tão destruída pela perda seria motivo suficiente pra me levar junto pro mesmo buraco.
Era como se conseguíssemos nos comunicar até quando estávamos em silêncio. Eu sabia que ela precisava de mim ali e ela sabia que eu estaria lá por ela. Pela Joyce também. Agora mais do que nunca. Nós iríamos superar juntas.
Foi então que veio segundo baque, apenas alguns dias depois.
- VOCÊ NÃO PODE IR EMBORA MAX, NÃO PODE! - Chloe gesticulava desesperada, enquanto andava de um lado pro outro em seu quarto. - ELES NÃO PODEM FAZER ISSO COMIGO, NÃO AGORA!
- Che, eu estou tão irritada quanto você, mas são meus pais e eu tenho 13 anos, o que eu vou fazer? Já esperneei, disse que não iria, mas eles não me deram nenhuma opção. - eu estava sem ação novamente, era um novo ponto comum em minha vida.
- Fica aqui comigo e com a mamãe, Max, eles vão deixar. Eu sei que vão. A mamãe vai cuidar bem de você, da gente. - os olhos dela já cheios de lágrimas olhavam pra mim implorando.
- Chloe, você acha que eu já não pensei nisso? Eles negaram, nem me deixaram argumentar. - eu também já chorava.
- A gente não pode desistir assim, Max. Não tão fácil. - ela dizia enquanto me segurava pelos dois braços, me fazendo sacudir levemente.
- Eu nunca vou desistir de você, Chloe. - me desvencilhei de suas mãos para lhe dar um abraço. Sentia que se a soltasse, ela poderia desaparecer ali bem diante dos meus olhos, como num pesadelo. Acho que ela sentia a mesma sensação ruim, porque também não esboçava nenhuma vontade de terminar aquele abraço.
Ficamos assim mais uns 3 minutos, até que finalmente nos separamos.
- Eu preciso ir agora, amanhã eu volto pra nos despedirmos. - eu estava com um nó na garganta, o que dificultava muito para formular qualquer frase simples.
Ela não respondeu, olhava pro chão em silêncio, enquanto escondia as lágrimas que insistiam em cair.
Dei de braços e saí do quarto me sentindo um lixo. Me despedi de Joyce, que também chorou um pouco e me desejou tudo de bom em minha nova vida. Pra mim era um tanto difícil acreditar naquilo, mas agradeci mesmo assim.
Depois disso, finalmente voltei pra casa, pra terminar de arrumar minhas malas, já que iríamos embora ainda cedo no dia seguinte.
Naquela noite não consegui dormir nenhum minuto, não parava de pensar na Chloe chorando e no que seria minha vida a partir de agora.
Assim que amanheceu, tomei um banho rápido, comi uma torrada e saí em disparada para a casa dela.
CHLOE
Eram 6h07, não lembro de acordar tão cedo em qualquer dia da minha vida em que não tivesse escola. Aliás, nem sei como consegui pregar o olho depois de mais uma porrada que a vida me dava em sequência. Primeiro meu pai e agora Max? Com certeza alguém lá em cima não gostava nada de mim?
Tinha chorado a noite toda até dormir, torcendo para que aquilo tudo fosse apenas um pesadelo e acordasse dele de manhã. Estava destruída, mas não queria estar em casa quando Max viesse se despedir, eu não aguentaria. Me arrumei rápido, falei com minha mãe, que se surpreendeu com minha presença tão cedo de pé. Ela tentou falar sobre Max, mas eu cortei logo o assunto e ela não insistiu. Ainda bem, pois eu não queria voltar a chorar tudo de novo.
Avisei que sairia de casa pra dar uma volta e ela assentiu, apenas me pedindo para voltar cedo.
Cheguei rápido ao farol, segui pelo caminho tortuoso que levava até o topo e sentei no banco que existia lá. Fiquei um tempo só observando a paisagem ao redor, perdida nos meus pensamentos, até que uma voz conhecida me trouxe de volta à realidade.
- Se queria fugir de mim, foi uma péssima ideia vir pro nosso esconderijo. - ela se aproximou até sentar do meu lado no banco.
- Talvez, no fundo, eu quisesse que você me encontrasse. - falei a encarando, mas logo em seguida voltando meu olhar para o mar. - espero que você esteja aqui pra me dizer que aquela história de se mudar foi só uma brincadeira de mau gosto.
- Bem que eu queria. - falou sorrindo torto, enquanto olhava na mesma direção que eu. - mas você sabe que as brincadeiras de mau gosto são sempre obra sua. - ela conseguiu me arrancar um sorriso naquele momento. Só ela era capaz disso.
- Chloe, você sabe que eu nunca iria embora sem me despedir, nem que eu tivesse que vasculhar a cidade inteira atrás de você. Somos piratas e é isso que piratas fazem.
- Piratas não abandonam a própria tripulação e vão navegar sozinhos - no momento em que disse aquilo, senti uma pontada de dor no coração e sabia que as palavras tinham atingido Max como um soco no estômago.
- Chloe, você sabe que eu não iria, se tivesse escolha. Eu tenho tanto medo que você não faz ideia. - ela disse com os olhos embaçados pelas lágrimas que se formavam.
- Só promete que não vai me esquecer. - eu a encarava agora.
- Como se isso fosse possível.
- Me esquecer ou prometer? - esbocei um sorriso - desculpa, você tinha razão sobre as brincadeiras de mau gosto.
- Você lembra que me perguntou há alguns dias sobre com quem seria meu primeiro beijo e eu disse que não tinha ninguém em mente, mas te diria quando tivesse? - falou, mudando de assunto.
- Nossa, Max! Não acredito que você vai transformar nossa despedida em uma conversa sobre garot... - antes que eu pudesse concluir a frase, senti ela se aproximando, até que nossos lábios se tocaram. Arregalei os olhos pela surpresa, mas logo fechei pra tentar guardar aquele momento pra sempre em minha memória. Maxine Caulfied havia me beijado, eu mal podia acreditar.
Depois de alguns segundos, nos separamos e um silêncio mortal se seguiu, mas não durou muito tempo, pois logo começamos a rir.
- Chloe...
- Eu sei, você precisa ir.
- Eu vou, mas um dia volto pra te buscar. Promessa de pirata!
- Ta bom, Primeira Marinha Max! Eu vou cobrar.
Nos abraçamos e depois ela foi embora. Eu fiquei lá vendo ela se distanciar, imaginando se algum dia voltaria a vê-la.
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Bom, essa é minha primeira fanfic e claro que seria sobre Life is Strange. Esse jogo me marcou muito e por isso senti uma grande necessidade de escrever sobre ele.
Eu já tinha começado a pública-lá em outro site e decidi colocá-la aqui também. Vou postar os outros capítulos já criados ao longo da próxima semana.
Fiquem à vontade pra criticar ou sugerir o que acharem necessário.
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Parceiras no tempo
FanfictionUma história alternativa sobre uma das múltiplas realidades possíveis em Life is Strange, não seguindo necessariamente a cronologia ou os fatos presentes no jogo e com muito Pricefield.
