"É fácil se apaixonar, mas é tão dificil quebrar o coração de alguém
O que parecia antes uma boa ideia agora se converteu em um campo de batalhas." - Lea Michele - Battlefield
Numa noite chuvosa, em que raios caiam aos montes, alguns até mais próximos da casa dos Perroni Levy, a discussão seguia quente.
Estavam prestes a sair, quando Maite quis usar uma peça que havia herdado de sua bisavó e deu-se por falta da joia. Seu marido havia penhorado a peça para pagar a dívida do jogo. Ela não aguentava mais aquela vida de perdas, de desconfiança e de decepções.
Apesar da condição financeira confortável do casal, desconfiava que pouco a pouco o marido vinha dilapidando o patrimônio conjugal. Vez ou outra o pegava preocupado com dívidas que fazia por si só. Maite sabia que os jogos eram um vicio e ele estava perdendo seus bens às quartas-feiras, após o jantar.
"Já disse que foi por necessidade! Vou recuperá-la!" Assegurou William, tentando acalmar a esposa.
"Não quero mais desculpas William! Não aguento mais! Venho notando seu comportamento há meses, você sempre penhora algo de casa, de alto valor para pagar suas dívidas nos jogos. O colar foi a gota d'água! Você sabia que era importante para mim e que era de família. Por quê fez isso?" Caindo no choro.
A William lhe partia o coração vê-la frágil daquele jeito, sofrendo daquele jeito, ainda mais sabendo que era o responsável por sua dor e suas lágrimas. Também não gostava do seu vício, porém sentia que a compulsão por apostar era mais forte e estava além de sua vontade, quando via a mesa de pôquer, os dados, as cartas...era tudo muito tentador.
Ele se aproximou dela e secou as lágrimas do rosto perfeito da mulher. Sussurrou perdão mais de uma vez, e beijou suavemente suas bochechas, escorregando até chegar em sua boca.
Não demorou muito até que ela o interrompeu. Não seria fácil dizer o que já vinha pensando há algumas semanas.
"Não, William. Com beijos não" Maite se afastou, deixando o marido confuso. "Não podemos seguir assim, nesse pé de guerra dia sim e outro também. Não é saudável. Não posso seguir perdoando seus atos com um simples beijo."
"Mas eu te amo. Te beijo porque te amo" Justificou ele rapidamente.
"Seus atos são demasiado graves para serem esquecidos com beijos, William. Aquele colar é especial para mim." Reafirmou Maite, amarga pela recém-descoberta.
"E eu disse que vou recuperá-lo" Garantiu o marido.
"A que custo, Will? Quem me garante que a essa hora ele não foi vendido para um qualquer?"
"Pedi para que reservassem até segunda-feira. Eles são homens de palavra."
"Espero" O silêncio constrangedor se instalou no quarto do casal por alguns instantes até que Maite seguiu para terminar de se arrumar.
Havia uma festa para eles irem. Era muito importante para Maite ir nela, pois era um evento beneficente muito aguardado pelas mais tradicionais famílias do país. Apenas o simples fato de ser convidado a um desses eventos era como se reafirmar na alta sociedade. Não que isso importasse tanto a Maite, mas fazia um bom tempo que ela vinha tentando de inserir no círculo seleto de pessoas que participavam de ações beneficentes e que, para ela, tinha reais chances de fazer uma mudança no mundo. Foi tudo o que ela sempre quis e se dedicou toda a vida.
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Uma Chance Para Dois (Conto)
Short Story"Will..." Chamou, vendo ele rolar os olhos lentamente para mirá-la. "Eu...eu só não queria que fosse assim." Admitiu. E saiu porta a fora. - Uma Chance Para Dois
