Não. Não. Não.
Acho que os professores deveriam perceber na fisionomia dos alunos o quão chatos e insuportáveis eles conseguem ser, exceto pelo Sr. Carter, sério, ele é o melhor professor de literatura do mundo. Mas o Sr. Baldocchi, esse insiste em continuar a dar aulas, mesmo depois de ter aposentado cinco vezes, pelo simples gosto de nos torturar.
Fiquei olhando fixamente para ele, não prestando atenção no que dizia, mas nele em si, às vezes gosto de olhar para as pessoas e imaginar como foi suas vidas, mas com o Sr. Baldocchi é diferente, ele é tão imprevisível, fico pensando o que ocorreu pra ele ter se tornado professor, se ele já presenciou uma chuva de rãs, se já escorregou em um piso molhado e derrubou boa parte das prateleiras de um supermercado, ou simplesmente quis ser professor. São tantos "se" que é difícil pensar em algo específico, principalmente com ele.
Ouvi o barulho do sinal tocar e voltei à realidade, provavelmente, Mia estaria me esperando no fim do corredor, me fuzilando com olhares que dão a entender "anda logo, odeio te esperar", mas era uma boa amiga.
- Aula do Sr. Baldocchi?
- Como sabe? - Perguntei.
- Sua cara de desanimo.
Mia era minha melhor amiga desde a sexta série, ela era minha vizinha e sempre brincávamos juntas, mas, diferente de mim, ela sempre foi mais social, já eu gosto de manter meus tempos sozinha.
Fomos almoçar na casa dela, que era extremamente grande, o pai de Mia presava muito pela segurança dela e de seu irmão, Miguel - que eu odiava - pois quando eram mais novos já foram sequestrados três vezes. Quando ela me contou fiquei pensando, que tipo de gente é sequestrado três vezes na vida? Eu nem se quisesse teria umas proezas dessas.
Não. Não. Não.
- Eu já falei que não Mia. - disse já irritada.
- Eu te imploro, por favor.
- Sem chance, olha pra mim, vê se tenho cara de quem organiza festa.
- Eu vou organizar, você só vai ser a minha companheira de auxílio.
- Vou ter que estar presente?
- Claro. Angel, sério, vai ser legal, e você precisa se divertir um pouco.
- Não, obrigado. - disse rindo e me jogando na cama super mega confortável dela, e gigante.
- Angel, será apenas uma pequena reunião social com amigos íntimos.
- Com "reunião social" você quis dizer uma festa de arrombar o condomínio todo e com "amigos íntimos" você quis dizer a escola inteira e todo o bando de amigos do time de futebol do seu irmão?
- Mais ou menos isso, por favor. - Mia me olhou com um olhar que sinceramente, me deu dó.
- Tudo bem eu te ajudo a organizar essa incrível "reunião social".
Ótimo, era só o que me faltava.
O pai de Mia ia viajar na quarta, então a festa seria na quinta.
Perfeito, prevejo escola inteira de ressaca e vomitando nas lixeiras que ficam nos corredores.
Passei a tarde toda com Mia ajeitando as coisas, compramos copos coloridos, aluguel de som, decoração, lista de convidados, que aliás achei desnecessário já que só não continha cinco pessoas da escola - que Mia não gostava muito - o resto estavam todos. Cuidamos de toda a parte "administrativa".
Nossa, estou falando como se fosse um super evento beneficente.
Enquanto Miguel cuidava da parte "proibida" da festa, tais como bebidas e seja lá o que ele inventar de arrumar. Cada suspiro de animação que Mia dava era mais um motivo para eu querer desistir, e já pensei nessa hipótese sete vezes desde que aceitei.
YOU ARE READING
Como Anjos
Teen FictionAngel é uma garota eficaz, linda e cheia de interesses. Sempre teve uma vida comum, sem novidades, mas tudo muda quando ela se vê apaixonada pelo garoto que jurou odiar eternamente. Quando ela acha que esse é seu único problema, percebe que está eng...
