Inocência é apenas uma parte da nossa vida, a mais pura, uma fase de grandes aprendizagens e erros que não esqueceremos pois fazem parte do nosso ser e alma.
Naquela altura eu era inocente... Predominava-me sobretudo a ingenuidade. Eu sei que me avisaram vezes sem conta mas, o amor é cego. Ele não escolhe quem, como ou o porquê, ele apenas acontece. E eu o odeio por isso.
Ninguém me avisou o quanto doeria, apenas que não deveria. Jesus, era tão difícil, me dizem o final? O que iria acontecer? O que poderia eu fazer? Meu Deus, a cegueira me consumia. Eu não sabia quando parar ou desistir, era apenas uma criança... num corpo adulto.
O nosso primeiro amor nos faz fazer coisas inesperadas... eu diria caóticas. No começo tudo é muito lindo, fantástico e puro de inocência, para depois virar um inferno.
Eu não reclamei quando as manchas roxas e vermelhas apareceram, pois para mim era uma alegoria do seu amor por mim. Não reclamei quando apareceram mais vultos que o necessário na nossa cama, o meu amor dizia que estava tudo bem. Não reclamei quando deixei de o alcançar, era tudo culpa minha, eu era insuficiente.
Não havia nada que eu pudesse fazer, as dores passaram a ser minhas amigas, a lágrimas as melhores amigas, a falta de sonho o meu amante e o silêncio como amor verdadeiro. Do que poderia eu reclamar? Eu tinha tudo. Mesmo que só na minha cabeça, eu tinha tudo. Então porquê?
Porque doeu tanto quando perdi a minha esperança, desfeita numa poça de sangue. Eu a perseverava, estive três meses a cuida-la, três meses de novos futuros rompidos. Perdi tudo, já não havia nada para agarrar, nada para felicitar e nenhum motivo para poder rir.
Matei-o , sim .... apercebi-me que o meu primeiro amor não era verdadeiro, era apenas uma farsa. Esse amor tratava-me como um objecto, mas eu sou uma pessoa. Ele partilhava-me com outros, enquanto deveria ser só dele. Ele batia-me enquanto deveria acariciar-me. Deveria dizer " eu amo-te" ao contrário de " só serves para foder". E o pior de tudo ele matou a minha esperança dizendo que não era dele, mas sim de outros que ele mandava me abusar.
Não são motivos suficientes para por por fim a esse falso amor? Para mim era, por isso matei-o.
Podem condenar-me ao que quiserem, sinto-me livre e leve. Pois, livrei-vos, futuramente, de tudo o eu passei.
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Story Of Lifes
Short StoryGrupos de pessoas que se encontram e desabafam, sobre suas trágicas vidas.
