- Não acredito que meu dia vai terminar desse maneira, disse Oswaldo.
Já se aproximava o final do turno de Oswaldo, um policial da divisão de homicídios da cidade de São Paulo. Mal retornou à delegacia, foi notificado pelo seu superior que deveria se deslocar até a cena de mais um provável homicídio que acabara de ocorrer dentre tantos outros na cidade de São Paulo, porém nesse em especial, haveriam elementos a serem revelados que exporiam uma turva realidade existente na alta sociedade Brasileira.
Apartamento 1207, Bloco C, Edifício Mont Blanc, um dos melhores disponíveis para morar no nobre bairro do Morumbi. A vítima era o conhecido Sérgio Villar, com seus 58 anos, um ex-prefeito de São Paulo por dois mandatos, carismático e popular daqueles que não víamos envolvido em histórias controversas há tempo, talves por estar de certa forma afastado da política por um tempo considerável.
- Que situação! - Disse Rodrigues, companheiro de viatura de Oswaldo.
- Nossa, o prefeito Villar, por essa eu realmente não esperava, o dia parece que não vai terminar tão cedo.
- Mas não é exatamente a cena de assassinato que estamos acostumados, se é que foi um.
- Isso piora tudo, Rodrigues.
Quem acionou a Polícia foi a ex-primeira dama, Glória Villar. Ela retornava de Campinas, interior de São Paulo onde mantinha um canil que recebia animais vítimas de maus tratos. Glória era conhecida por manter variadas obras de caridades, sendo essa a que mais se destacava e para a qual ela dedicava maior tempo.
Quando Osvaldo e Rodrigues entraram no apartamento que já estava com a porta aberta encontraram Glória chorando no sofá da sala. Ao perceber os policiais Glória simplesmente apontou em direção ao quarto, indicando onde o corpo se encontrava.
Retornando do quarto, Oswaldo se dirigiu a Glória: Você o encontrou desse maneira?
- Sim, cheguei em casa me dirigi ao quarto e lá estava ele apagado em cima da cama.
- Que horas chegou? - Questionou Rodrigues.
- Por volta das 19:30.
Oswaldo imediatamente olhou seu relógio verificou que já passava das 23hs daquela quinta-feira.
Interrompendo, Rodrigues disse ao seu companheiro: Temos que comunicar imediatamente ao Normando devido a publicidade que esse caso certamente terá.
- É, eu sei...
Oswaldo alcança seu celular e liga para Normando.
- Delegado?!
- Prossiga Oswaldo.
- Chefe, a situação aqui é complexa, envolve alguém muito conhecido.
- Conhecido?! Quem?!
- O ex-prefeito Sérgio Villar.
- Sergio?!
- É, o prefeito! Você vai vir pra ca?!
... Silêncio do outro lado da linha...
- Delegado?... Chefe?!
- Oi Oswaldo, estou indo sim, em 10 min chego ai.
O delegado Normando à época em que Sérgio Villar era o prefeito tinha um relacionamento próximo a vítima, devido ao seu envolvimento em questões relacionadas a segurança pública na capital.
Chegando até o apartamento, Oswaldo, Rodrigues e a viúva o aguardavam na sala.
Boa noite, se é que isso é possível - Disse o delegado Normando, acompanhado de dois peritos.
- Vamos até o quarto chefe?
- Não tem jeito, né Oswaldo?
No quarto Normando avistou Villar sobre a cama apenas de roupas íntimas. Os peritos olham em volta da cama e visualizam de maneira mais detalhada o cômodo e o corpo sem toca-lo enquanto os policiais e o delegado observam.
Corpo sem sinal de agressões, não há manchas de sangue, os olhos estão avermelhados e as pupilas dilatadas - Disse Eva, uma das peritas.
- Percebi, respondeu Normando com um ar de preocupação. - O carro já chegou?
- Sim.
- Vamos remove-lo.
Retornando a sala, Normando ja preocupado com a repercussão do caso, questionou a inconsolável viuva: Ele tinha algum compromisso amanhã, sei la, algo que envolva jornalistas?
- Sim, as 8, ele estava com vontade de retornar à política, aparecer publicamente novamente, iria ser entrevistado pela rádio.
- Merda! Os jornalistas darão falta dele logo pela manhã.
- Sim, pela manhã irei ligar avisando do ocorrido.
- Você não quer que...
- Não, não... Deixa que eu cuido disso. - Os peritos e os policiais irão acompanhar a remoção, Eva, a perita responsável irá assim que possível nós informar a causa da morte, que pode inclusive ser natural pois nesse primeiro momento não encontramos sinal algum de luta, tampouco algo que indique que outra pessoa esteve por aqui.
- Por favor, sejam rápidos na conclusão.
- Faremos o possível senhora.
Normando se dispede da sua equipe e lhes dá orientações sobre os próximos passos nesse caso. Ao atravessar a porta da sala em retirada, Normando olha para trás, em direção a Glória e pergunta: - Essa porta estava aberta quando chegou?!
- Não, estava fechada!
Com uma expressão pensativa, o Delegado responde: Ok, tudo bem, meus pêsames! Nos falamos amanhã.
Normando deixou o local enquanto no apartamento o corpo de Sérgio Villar foi removido. Glória foi orientada pelos policiais a deixar o local junto com ele, e ela assim o fez.
1 da manhã já meu amigo! - Disse Oswaldo a Rodrigues enquanto dirigiam de volta à Delegacia para finalmente encerrarem seu turno.
- Dia longo parceiro, dia longo!
- Quando os jornalistas descobrirem e a pressão chegar ficará tudo mais complicado, tomara que tenhamos o resultado da causa da morte o mais rápido possível.
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Verdades e Consequências
AcciónUm ex-prefeito da cidade de São Paulo tem um morte confusa, quase indecifrável. Tal acontecimento expõe uma rede de mentiras envolvendo políticos e a "nobreza Brasileira". Imperdível pra quem gosta de ação e policiais.
