One Shot

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Dois anos atrás

Mal consigo conter minha felicidade ao ver aquele ser magrelo e incrivelmente alto. Ele estava com uma mala vermelha que combinava com seu all star vermelho. Estava lindo sem aqueles óculos. Senti vontade de puxa-lo para perto de mim e beijar sua boca.

Ele sorriu de maneira tímida para mim e então disse: "Oi, tia Linda."

Minha mãe estava bem atrás de mim e ainda inconformada com nossa viagem me ajudava a pegar minhas malas. Eram três. Eu sei, sou exagerado.

Aquela viagem era tudo que precisávamos para podermos ficar juntos e sozinhos, finalmente, sem ter que fingir que éramos melhores amigos por duas semana.

Ele digitava rapidamente um e-mail para seu irmão, algo como: 'Estamos chegamos... Sinto sua falta... Até mais Gee Bolinha.'

Eu não quis ficar olhando muito, pelo que Michael dizia, seu irmão era um ser antissocial na adolescência, mas incrivelmente genial perto de pessoas que ele tinha intimidade, foi estudar artes em Paris e desde então vivia por lá, de qualquer forma eu não estava me importando muito.

Mikey apertou minha mão e eu senti aquele frio no estômago quando o avião já estava a metros do chão. Ele sorriu para mim.

"Meu irmão vai nos esperar no aeroporto."

"Seria mais divertido se fizéssemos tudo sozinhos." Protestei.

"Ele se ofereceu para ajudar Frank, para de ser implicante."

"Tudo bem, amor."

"Seja simpático, por favor!"

"Serei um doce com meu cunhadinho." Ironizei

Ele beliscou minha costela e depois de alguns minutos pegou no sono. Simples assim. Ele dormiu em cinco minutos. Eu não dormiria nem se ficasse uma semana inteira dentro daquele avião. Como alguém consegue dormir dentro de um avião?

Depois que chegamos tudo aconteceu muito rápido, diferente do tempo que pareceu parar dentro do avião.

O que dizer da incrível dor que senti no meu estômago quando vi um homem a metros de distancia de mim? Como se tudo a minha volta estivesse embaçado, tudo exceto ele.

Que sensação estranha! Eu nunca havia sentido algo parecido, e pelo visto, jamais sentirei.

Talvez eu nunca consiga explicar ao certo cada detalhe daquele momento. Mas eu vou tentar.

Ele usava uma boina preta, não tão preta quanto seu cabelo, mas ainda sim preta. Um casaco aparentemente tão grosso quanto o meu, calça jeans e um par de botas de couro. Era como se fosse de mentira, uma miragem. Então, ele sorriu em minha direção. Achei que vomitaria. Que diabos estava acontecendo, afinal? Senti a mão de Mikey puxar meu corpo que parecia querer despencar chão abaixo.

Foi a primeira vez que senti medo de me aproximar de alguém. Aqueles olhos cor de avelã estavam encarando meu namorado, eu só parei de encarar aquelas orbitas, pois fiquei hipnotizado com aquele sorriso. Traços desenhados delicadamente preenchiam o rosto daquele homem, ele era incrivelmente familiar e assustador.

"Gee!"

A voz de Mikey trouxe minha sanidade de volta, apertei sua mão me sentindo mal por estar ali.

"Mano!" Ele disse.

A voz dele era tão incrível quanto sua presença, e eu estava inexplicavelmente aborrecido.

"Caraca! Olha pra você!"

"Quanto anos não te vejo Mikey Magrelo?"

Estava confuso demais para me pronunciar. Mikey olhou para mim com sua cara de duvida, sobrancelhas unidas e um meio sorriso. Sorriso que eu costumava acreditar ser o mais fofo do mundo. Costumava.

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