Sophia Blaser:
O maldito som do despertador me acordou e, mesmo que eu quisesse ignorar, não poderia. Hoje o dia será corrido e eu tenho que levantar.
Me arrastei da cama e segui direto para o banho. Os olhos inchados refletidos no espelho denunciavam a noite mal dormida. De banho tomado e cabelo devidamente preso, saí do banheiro e coloquei uma roupa confortável. Nada melhor que uma calça jeans, uma blusa soltinha e um tênis para um dia corrido.
Hoje definitivamente não é um bom dia. Passei a noite pensando em como minha vida poderia ser diferente se eu tivesse nascido em outro lugar e em outra família. Eles, com certeza, não me deixariam chegar nem perto de um morro, mas aqui estou eu me arrumando para mais um dia mandar nessa porra.
Desço as escadas e vou em direção à cozinha. Pego a última maçã que está dentro da fruteira e me sento na banqueta do balcão. Meu celular vibra e a notificação na tela informa que a polícia está novamente se organizando para pacificar os morros. Eles podem até tentar, mas se entrarem na Rocinha, eu vou matar todos.
Saio de casa e vou direto para a Central, é lá que nos reunimos para planejarmos tudo.
Essa não é a vida que eu gostaria de ter, mas é a que eu tenho, então faço tudo com excelência para que o povo da comunidade tenha uma boa líder.
Erike Vargas:
Acordei antes do despertador e o relógio marca 5:40. A ansiedade não me deixou dormir mais que algumas poucas horas.
Hoje temos uma reunião importante com o chefe do departamento de polícia. Hoje será decidido por qual morro vamos começar a pacificação. Já passou da hora desses bandidos irem para a cadeia.
Uniforme posto e a arma já está no coldre. Desço as escadas e vejo Lucia na cozinha.
Lucia trabalhou para os meus pais e hoje trabalha para mim. Essa mulher baixinha de cabelos grisalhos foi quem cuidou de mim desde quando eu nasci.
— Bom dia, Lucia — me curvo para ficar na sua altura e beijo sua bochecha. — O café já está pronto?
— Bom dia, meu menino, está sim.
Logo após o café, vim para a delegacia. Passei pelos corredores indo direto para a minha sala, até Lucas me parar no meio do caminho.
— Bom dia, tenente — o rosto com expressão assustada já denunciava o que ele diria em seguida. — O coronel Luís acabou de chegar. Ele já está na sala de reunião.
— Certo, só preciso passar na minha sala para pegar as anotações e já vou.
Enquanto ando até minha sala, não posso deixar de pensar no quanto essa operação é importante. Esses morros não podem ficar sendo comandados por bandidos enquanto a população sofre nas mãos deles.
Meu pai teve a missão de pacificar o morro da Rocinha e, infelizmente, não completou essa missão. E eu tenho a chance de, além de honrar meu pai, subir de cargo e me tornar um coronel.
...
Chego na sala de reunião e já tem alguns policiais se acomodando em suas cadeiras. Olho ao redor e só identifico policiais das mais altas patentes: coronel, tenente, major e capitão.
Estamos todos aqui com um só objetivo e sinto orgulho de fazer parte do lado certo, o lado da lei.
Alguns minutos se passaram e a sala já está devidamente cheia com os policiais que vão participar. As luzes se apagaram parcialmente e na parede à frente surgiu a imagem de um slide.
— Bom dia — Luís chamou a atenção de todos se posicionando à frente da sala. — Depois de um ano de espera e de muita estratégia, vamos finalmente colocar nosso plano em prática. — Os olhares na sala eram um misto de felicidade e tristeza. Todos nós estamos felizes por finalmente estarmos de volta com o plano de pacificação, mas também lembramos de como esse plano deu errado uma vez e levou vários soldados. — Sei que da última vez que tentamos uma pacificação não saiu como planejamos, mas desta vez tivemos mais tempo de planejamento e decidimos que, ao invés de invadirmos à força, vamos infiltrar um homem, e a primeira comunidade escolhida foi a Rocinha. Estamos há muito tempo vigiando de longe. A comandante se chama Sophia Blaser. — O slide atrás do coronel mudou e nele apareceu a foto de Sophia. Foi impossível não ficar surpreso em saber que a comandante de uma comunidade é uma mulher, mas com certeza deve ser uma que fica sentada esperando os capangas sujarem as mãos. — Um de nossos homens vai se aproximar da Sophia enquanto estuda os pontos fracos. Não pensem que vai ser fácil, essa é uma operação que pode levar meses, mas não vamos cometer o mesmo erro que o da última vez. Dessa vez, vamos fazer com calma para que possamos acabar com esse comando de marginal.
YOU ARE READING
Ela Dona Do Morro E Ele Policial. História Completa.
RomanceSPINOSE" -O meu nome é Sophia Blaser, mas pode me chamar de patroa. -Quando eu tinha 15 anos meus pais foram mortos por policiais que tentavam passificar o morro, desde então fui criada pelo meu tio Ricardo(que era o dono do morro) e fui treinada pa...
