- Que lugar é esse? - Perguntei, assim que paramos em frente a uma casa que parecia ter sido construída a pouco tempo. Tinha uma placa preta com a escrita "Pretty Girls" em neon com as luzes piscando, em cima de uma porta vermelha.
- Seu novo lar. - Eu engoli em seco, quando ele pegou em meus braços e tentou me arrastar para dentro daquele estabelecimento.
- Me solta! O senhor não disse que ia me levar para uma casa de prostituição. - Exclamei, indignada.
- Senhor não, é Mathias. Quando você diz senhor me sinto velho demais, sabe?! - Foi sarcástico, e ao cheirar meu pescoço eu senti um certo calafrio.
- Então, toma isso! - Dei um chute no meio das suas pernas, fazendo ele afrouxar suas mãos em meus braços, mas não ao ponto de soltar. Eu sabia um pouco de luta por ter visto várias filmes japoneses, e depois eu treinava nas meninas da escola. Tadinhas... Não sabiam se defender e acabaram se machucando.
- Sua pirralha. - Dessa vez, eleu senti foi o bafo dele tão perto de mim. - Sua mãe nunca disse para você não confiar em estranhos não? Você é tão inocente, não é? - Cuspi em sua cara, logo após, chutei de novo suas partes íntimas, só que mais forte. Foi aí que eu consegui fugir para bem longe dele.
Eu olhei para trás e ele tinha se recuperado, ao ponto de vim atrás de mim.
- Você não vai conseguir escapar de mim. - Estava começando a perder o fôlego.
Virei a primeira rua que vi.
Me escondi em um beco que mal cabia meu corpo todo ali, mas dei sorte de ter coubido, pois eu era magra e para Mathias não me pegar.
- Cadê você? - Seu tom de voz soou muito ameaçador.
Nunca mais acredito em um estranho, ainda mais homem.
Cansei de ficar esperando, então resolvi sair e ver se a barra estava limpa. E, estava, porque não vi sinal dele.
Olhei para o céu e já estava escurecendo.
Não sabia onde era minha casa. O lugar era deserto. Cada canto que eu passava tinha umas putas ou casa de prostituição e drogas.
Queria me enterrar nesse exato momento.
As lembranças vieram e com elas os momentos mais constrangedores da minha vida.
Estava eu, de novo, nas mãos dele. Ainda lembro que demorei um tempo para achar uma delegacia e contar sobre o que aconteceu. Eles ligaram para meus pais, e eu tive que ouvir um sermão do policial e deles.
Como aquele dia me deixou louca.
Eu disse que nunca iria mais conversar com estranhos. E olha aqui. Estava trancada em um quarto fedendo a rato morto, depois de ter seguido um endereço que nem eu mesma conhecia.
A porta abriu e foi jogada uma pessoa dentro do quarto que eu estava. Me assustei, quando fecharam a porta com força.
Me aproximei da pessoa me arrastando. Toquei seu rosto e estava muito gelado.
Virei-a e era um rosto desconhecido, pois estava muito machucada pelo simples fato de ter sido espancada.
DYLAN
- Já rastreamos onde ela está, agora é só esperar o alerta.
Tinha implantado um chip localizador no celular da Ally. Sabia que era errado, ainda mais sem ela saber, mas fiz para o bem dela, caso acontecesse coisas como essas agora.
Tive sorte de ter lembrado desse chip a tempo.
Os policiais já armavam algo para pegar quem quer que esteja com ela.
Se sua mãe havia sumido, era sinal que Allyssa havia sumido também por ter ido procurá-la. Sem ajuda de ninguém. Devo ressaltar que, mesmo eu não sendo nada dela, ela deveria ter esperado que eu a ajudasse.
Agora já foi.
ALLYSSA
Eu não pude ajudar a garota, só consegui arrastá-la para o canto da parede. E mesmo se eu conseguisse, não tinha curativos para limpar os ferimentos dela.
Estava exausta. Morrendo de cansaço. Com sede, sono, fome.
Seja lá o que eles querem comigo, não vão conseguir querer por muito tempo, pois estou quase morrendo. E o engraçado é que, não estou desesperada por ajuda ou pensando no pior. Se Dylan está me procurando ou não, se Victor está bem ou não.
Eu vejo que isso nada me afetava aqui dentro, como me afetava lá fora.
Parece que quando minha vida está prestes a se tornar melhor, vem um e acaba com tudo. Acho que esperamos demais da vida, sabe...
Encostei meu corpo na parede, sentindo a parede gélida entrar em contato com minhas costas.
- Água. - A garota, se remexeu no canto.
Não disse nada, pois não tinha o que dizer. Não tinha água, não tinha comida e nem ar direito para respirar. Me sentia sufocada demais ali dentro.
- Água. - A garota, voltou a repetir.
- Não temos água. Não no momento. - Exclamei, vendo a garota abrir os olhos com certa dificuldade por causa dos machucados que haviam em seu rosto.
- Quem é você? - Foi difícil ouvi-lá, pois sua voz saiu em um fio.
- Ninguém que você conheça. - Era verdade, eu não a conhecia e talvez ela não me reconhecesse também.
- Espera... Eu sei... Eu sei quem é você. - Me indiretei, esperando que ela continuasse. - Você é a namoradinha do meu irmão. - "namoradinha". Não namoro ninguém. Cerrou os olhos, para que pudesse me enxergar melhor, porque no escuro era difícil, viu?! - Allyssa. Isso. Você namora o Dylan. - Eu engasguei com a pouca saliva que tinha.
- Você é a Alessandra? Irmã do Dylan? - Como Mathias a conhecia? E por qual motivo legou a irmã de Dylan e surrou?
- Sou. - Sua voz agora era amarga. Ela levantou e ficou com o corpo encostado na parede.
- Parece que você não gosta de mim. - Arrisquei, comentar sobre o pequeno rancor que ela deveria sentir sobre mim.
- E não gosto. - Lembrei da vez que encontrei ela no corredor do prédio.
- Pois fique sabendo, que nem eu de você.
YOU ARE READING
A Aposta - Volume 1 (revisando)
RomancePLÁGIO É CRIME! PRIMEIRO VOLUME. Allyssa com seus 18 anos de idade resolve sair da casa de seus pais, descobre a responsabilidade da vida adulta e em como ela pode ser dura às vezes. A partir da mudança, o rumo da vida de Allyssa começa a mudar quan...
