Descobrindo

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Passaram-se três dias e meus sonhos com um vampiro não saiam da minha cabeça. Eu não conseguia ver seu rosto no sonho, mas sabia o que era e sabia que ele controlava minha mente me fazendo ceder suas vontades. Era estranho, parecia real, como se eu já tivesse vivido aquilo. Sempre curti esses lances de ocultismo, mas nunca acreditei de verdade. Meu subconsciente deve estar muito afetado.
Mais afetado que meu subconsciente é a minha paciência. Como Lizzy disse, Matthew é insuportável, qualquer hora eu vou explodir. Ele parece o tipo que não se cansa até conseguir o que quer. E tem o Zack... eu não devia ter transado com ele. Merda. O pior, logo iria tocar o sinal para o intervalo e não havíamos nem falado oi direito.

Sai da sala sem esperar Lizzy, Zack e Peter. Queria passar o intervalo na biblioteca.
- Oi, vocês tem livros sobre vampiros? Não aqueles de ficção, mas sobre lendas, mitos, essas coisas...
- Sim, me acompanhe, por favor - a senhora que cuida da biblioteca foi até uma prateleira de ocultismo. - Dessa parte até o final dessa prateleira é sobre vampiros e lobisomens, fica a vontade.
- Obrigada.
Peguei uns cinco livros que achei mais interessante e sentei em uma mesa. Folheei todos até achar um que eu me identificava mais. Por que estou procurando sobre vampiros? Estou ficando louca. Separei dois e guardei os outros três. Olhei para janela para olhar para o gramado que tem na frente da faculdade e vi Zack negando uma erva. Como assim ele não quer fumar? Algo estava errado. Pedi para a senhora da biblioteca se eu poderia levar os dois livros, mas ela disse que era apenas um. Então peguei o que eu estava lendo e disse a ela que depois pegaria o outro. Ela me deu um caderno para assinar meu nome, o curso que estou fazendo e a sala.
Fui até o gramado e Lizzy estava andando com Peter. Ela viu eu olhando para Zack enquanto eu franzia a testa.
- Ele está estranho.
- Tipo como? - Perguntei.
Lizzy me puxou para mais perto dela se afastando de Peter para ele não ouvir.
- Você não disse nada para ele sobre o que eu disse ontem né? - Olhei confusa para ela, mas logo lembrei de novo sobre o sentimento dela por ele.
- Claro que não, em relação a isso você pode ficar tranquila - ela fez um gesto de agradecimento. - Eu vou lá ver o que ele tem, depois eu chamo vocês.
Fui até Zack, quando ele me viu, fez indiferença. Sentei ao lado dele na grama.
- Sério que você vai ficar parecendo um garoto mimado por que não está sendo correspondido?
- Não é isso.
- Eu vi você dizendo não pra Dona Erva - enfatizei no não.
- É que não fumo quando estou mal. Curto fumar quanto estou de boa, só.
- Hm - respirei fundo sem dizer nada e me levantei para sair de perto.
- Espera! - Zack chamou.
- Sim?
- Desculpa, eu não devia estar assim, devo estar louco - Me sentei ao seu lado de novo.
- Você sente que está me curtindo pelo fato de eu ser eu mesma ou você estava precisando de um shake na sua vida, ai eu fui esse shake e agora você está na ilusão de que me curte? Se é que entendeu o que eu disse - sorri.
Zack ficou pensativo por um momento, mas logo respondeu:
- Deve ser isso ai mesmo.
- Já pensou na Lizzy?
- O que tem ela?
- Nunca pensou em ter nada com ela?
- Ela é lésbica.
- Mas é o que ela diz... e se não for? Se for bi, sei lá e você acabar despertando algo nela, nunca rolou nada entre vocês?
Zack entrou em reflexão e encarou Lizzy de longe.
- Ela é bonita, né? - Ele disse.
- Claro que é. Fora que é uma ótima pessoa e vocês já se conhecem a tempos.
- Mas duvido que ela iria querer algo.
- Nunca vai saber se não tentar.
- E você sabe de algo que eu não sei? - Me olhou desconfiado.
- Não, só estou calculando essas hipóteses.
- Hm, precisa achar alguém para o Peter também, já que está se formando em ser cupido - rimos.
- Fica bem, viu? - Ia me levantar, mas Zack interrompeu mandando eu ficar ali até acabar o intervalo. Ficamos ouvindo música sem falar mais nada.

22 horas.
- Até amanhã, Lizzy - me despedi de Lizzy enquanto atravessava a rua para ir embora da padaria.
Estava chegando na praça escura para atravessar outra rua que dava ao beco que era o atalho que eu pegava sempre para voltar embora, até que um carro parou do meu lado na calçada. Olhei fixamente para janela do carro, então a janela se abaixou.
- Quer uma carona? - Diz Matthew.
- Ah, é você - disse um pouco aliviada, mas ao mesmo tempo decepcionada.
- Pensou que fosse quem?
- Ninguém - olhei para frente como se fosse andar de novo.
- Vai, aceita. Eu insisto - Matthew deu um sorriso cínico.
- Ta bom - pausei - mas não acostuma.
Entrei no carro e aquela sensação de ser observada tinha voltado, mas ignorei pensando ser apenas o Matthew.

Durante o caminho até a frente do prédio, ficamos em silêncio, quando ele parou o carro, resolveu abrir a boca.
- Não quer ir para nenhum lugar?
- Hã?
- Eu acho que deveríamos sair mais, se conhecer melhor - ele me olhou com um olhar de cachorro.
- Estou bem assim.
- Qual é, tem alguém na sua vida por acaso?
Na hora pensei em falar do Zack, mas lembrei de tudo o wue tinha acontecido e achei melhor não falar nada.
- E precisa ter alguém na minha vida para eu não querer sair com você? - abri a porta do carro, sai e a fechei em seguida sem prestar atenção no que ele disse. Só depois que cheguei ao apartamento que percebi que fui grossa, mas não tenho paciência para essas coisas.


Acordava toda hora de madrugada por causa desses sonhos estranhos de vampiro, então decidi ler o livro que peguei na biblioteca. Li até cair no sono.

Quente & FrioTahanan ng mga kuwento. Tumuklas ngayon