Avareza.
24.10.2023
— Isso é o máximo que ele pode oferecer? — A voz dele atravessou o celular como uma lâmina. Jay apertou o volante, vendo as pontas dos dedos ficarem esbranquiçadas. O som do motor preenchia o silêncio, até ele baixar o olhar para o Patek Philippe no pulso. Já estava na estrada há mais tempo do que o planejado. Não se lembrava que Havenbrook, a pequena cidade da sua infância, era tão longe assim. — Diga que não aceito menos de três milhões. E se ele não aceitar, que procure um lugar que combine mais com as suas... condições.
— Mas, Jay... — ouviu o colega de trabalho tentar lhe convencer do outro lado da linha. — Um milhão e meio é uma ótima proposta. Seja mais flexível.
— Um milhão e meio é bom? Você já viu o tamanho daquela casa? Fica no bairro mais caro de Manhattan. Novamente, três milhões é o mínimo que aceito. Se ele não quer pagar, que procure uma espelunca para morar. E pare de ocupar meu tempo. Tenho mais dez propostas para analisar só hoje, e não chego nessa droga de cidade!
— Eu estou tentando aqui, cara. — respondeu o amigo, nervoso. — Ele fez o possível. Talvez seja hora de aceitar.
— Aceitar? — A fala saiu junto de uma risada irônica. — Isso são negócios! Não caridade. Eu não estou aqui para ajudar ninguém a realizar seus sonhos.
— Podemos pedir dois milhões, o que acha?
— Três milhões, ou nada feito.
O silêncio do outro lado da linha foi pesado, e um suspiro veio logo em seguida.
— Você que manda, chefe. Te ligo assim que tiver a resposta dele.
— Só me ligue se ele quiser o valor correto. Se negar, nem se preocupe em me comunicar. Tenho mais o que fazer.
Um murmuro baixinho chegou aos ouvidos de Jay e a ligação foi desligada. O homem bufou, incrédulo com a situação. Se não tem dinheiro, como pode querer comprar uma casa cara? Esse tipo de gente o irritava. Só estavam ali para atrasar seu trabalho, e fazer com que ele pegasse ainda mais nojo de pessoas mais pobres que ele.
Não que fosse classista, longe disso. Mas ele era bilionário: cinco carros de luxo, todos blindados, cada um mais imponente que o outro. Seu favorito, um Rolls-Royce La Rose Noire Droptail, talvez não fosse o mais caro do mundo, mas era o mais exclusivo — uma obra-prima com apenas quatro unidades no planeta, comprada quando atingiu seu primeiro bilhão. CEO da maior empresa de imóveis da América, Jay não apenas possuía riqueza; ele era a própria definição de poder e prestígio, alguém que fazia o mundo se curvar, mesmo que a cidadezinha à sua frente mal soubesse do que se tratava.
O motor do carro ronronava com uma potência silenciosa enquanto Jay avançava pelas estradas sinuosas que levavam a Havenbrook. Cada quilômetro parecia durar uma eternidade, e ele batia o dedo no volante impaciente, resmungando para si mesmo sobre a lentidão da estrada e a insignificância do lugar.
Ao se aproximar da cidade, algo mudou. O ar parecia mais denso, quase parado, e o silêncio das ruas começou a pesar. As casas antigas, com fachadas descascadas, se alinhavam de maneira ordenada demais, como se a cidade estivesse segurando a respiração. Jay franziu a testa, percebendo que aquele lugar que uma vez chamou de lar não era apenas pequena — havia algo estranho no ar, algo que não lembrava da sua infância.
O Rolls-Royce deslizou lentamente até a frente do Havenbrook Grand Hotel, um prédio antigo com fachada de pedra e janelas altas. Jay saiu do carro, ajustando o paletó e olhando em volta com desdém. Para alguém acostumado ao luxo de Manhattan, aquele lugar parecia minúsculo, antiquado... quase risível.
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O Último Pecado.
FanfictionSete pecados, sete amigos, sete - possíveis - mortes. Em uma cidade onde todos parecem inocentes, alguém decidiu que chegou a hora de expurgar os impuros. enhypen 🕸 especial de halloween.
