Le baron de L'Orge

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Paris é perfeita: as ruas movimentadas, mercadores em todos os lugares, pessoas de todas as partes do mundo viajam os mares para ver suas belezas. Paris é curiosa: suas enormes bibliotecas, universidades, teatros e tudo o que se pode querer ver. Paris é assustadora: ladrões, cafetões e golpistas estão sempre à espreita, apenas aguardando um jovem ou turista indefeso para cravar-lhe os dentes afiados.

Ah! Como eu amava Paris.

Mas a Paris da minha infância nunca voltará, as praças nas quais eu corria nunca mais terão a mesma cor, os pães jamais terão o mesmo sabor, os jardins não serão tão belos. Porque ele se foi.

Já se passara dois anos desde que meu pai morrera e nos mudamos para um vilarejo que nem de longe se parecia com Paris. Sempre senti muita falta da cidade, mas minha mãe não conseguia suportar as lembranças que tinha com meu pai, por isso viemos para o campo e, apesar de mantermos a casa em Paris, eu não tinha permissão para passar a temporada lá. Éramos apenas eu e minha mãe, a baronesa viúva de L'Orge, a vida era boa, mas a vizinhança nem tanto. Todos respeitavam minha mãe por sua elegância e pelo nome que carregava, mas eu não conseguia escapar das críticas das irritantes mamães casamenteiras.

Quando chegamos a Lion D'Orge, principal vilarejo de nossa baronia, fui muito celebrado, afinal, não é sempre que se tinha um ômega com título de nobreza e em idade de casamento naquele lugar, mas a novidade durou pouco, e logo caí em desgraça na opinião de todos.

Minha pouca disposição para dançar com desconhecidos nos bailes, timidez em situações sociais e afeição pelos livros logo me tornaram arrogante, orgulhoso e um homem estranho aos olhos de todos, ao ponto de uma simples ida ao mercado se tornar um grande transtorno, com pessoas apontando, olhando e comentando sobre mim onde quer que eu fosse. Eu tinha pouca simpatia pela maioria dos aldeões, e eles não tinham qualquer simpatia por mim, mas eu estava bem com isso.

Lion D'Orge era agradável, os campos eram bonitos, as pessoas trabalhadoras e o ritmo da vida muito mais tranquilo do que o de Paris. Era um lugar excelente para caminhar, ler e passar os verões, mas nunca me pareceu um lugar onde eu pudesse passar os anos da minha juventude, e sim da velhice.

Eu sentia falta das livrarias e da sensação de anonimato que apenas uma grande cidade podia oferecer, em Paris, ninguém se importava se eu passava a tarde inteira lendo em vez de socializar, sempre havia alguém mais excêntrico do que eu. Mas em uma pequena vila, minhas "excentricidades" viravam assunto nos jantares de famílias inteiras!

Por isso aguardava ansiosamente o retorno à capital, em breve minha mãe me permitiria voltar para participar da temporada e encontrar um alfa que pudesse assegurar o futuro da família L'Orge e dar continuidade ao nosso título. Ou, se a sorte decidisse sorrir para mim, alguém que também preferisse passar horas em silêncio entre livros a participar de conversas intermináveis sobre cavalos, colheitas ou o clima.

- Mamãe, cheguei com as compras - anunciei ao entrar em casa e fazer o caminho para a cozinha.

- Louis! Nós temos criados para isso, o que o vilarejo vai pensar vendo você no mercado comprando pães e grãos? - Johannah apareceu, abanando um leque para se refrescar do calor.

- Certamente nada pior do que já pensam. Eles já me consideram terrível, orgulhoso e um homem decididamente estranho! - imitei a voz de algumas das mamães casamenteiras da aldeia enquanto largava as compras sobre a mesa.

- Tolice! Você é bom demais para essa gente, sinto-me grata que nenhuma das pessoas desse lugarejo queira empurrar seus filhos para você. É extremamente grosseiro recusar convites para jantar, e eu odiaria cada segundo.

Minha mãe tentava manter a simpatia por todas as pessoas da vizinhança, mas era muito difícil, eu a admirava muito pelo esforço. A maioria dos nossos vizinhos estava interessada em nos ter por perto para tirar vantagem do título, todos eram muito bajuladores e minha mãe era o alvo constante de suas tentativas de criar laços sociais significativos, alguns tinham filhas, outros filhos, outros netos. Todos pareciam conhecer o alfa perfeito para mim, mas a verdade era que ninguém gostava realmente de nós, só estavam interessados em diminuir o preço que cobrávamos pelo arrendamento de nossas terras.

Beauty and the Beast - LarryStories to obsess over. Discover now