Assim que Film entrou na fuselagem com a comandante, os sobreviventes começaram a falar todos ao mesmo tempo com perguntas e reclamações. Film pedia que se acalmasse e a comandante começou a falar.
- Tenham calma. Nosso avião tem o transponder. Minha solicitação de Mayday será republicada até que outra aeronave responda. Além disso, o centro de controle do aeroporto da Sibéria verá que não chegamos e enviará socorristas.
O vento estava forte lá fora. Por conta da tempestade, a nevasca começou a ficar mais forte.
- Por favor, me escutem.
Todos ficaram calados.
- Sei que estão feridos, com medo e cansados, mas precisamos tomar uma ação imediata e esta ação é nos ajudar. Então, a primeira coisa a fazer é nos protegermos, porque estamos numa área inóspita. Está escuro e com a tempestade, não dá para ver onde pousamos. Todos sabem sobre a presença de animais selvagens.
Tomou fôlego e continuou:
- Vejo que estamos com o avião partido ao meio. Precisamos arrastar algumas caixas e colocar como proteção contra a neve e possíveis animais selvagens.
Um barulho se ouviu e a fuselagem começou a se mover.
- SEGUREM EM ALGUMA COISA!
Film ia caindo e Namtan a agarrou pelo casaco e se segurou na barra de ferro da fuzilaria. A parte do avião em que estavam estava se mexendo. Parecia escorrer e desceu alguns metros em velocidade. Muito frio entrando pelos buracos, muita neve e galhos até que a fuselagem parou presa em árvores.
Assim que a gritaria passou e as lanternas começaram a ser religadas. Todos viram que a fuselagem estava presa entre duas grandes árvores. Tudo escuro lá fora!
A falação iria continuar e Namtan se pronunciou novamente.
- Estamos presos entre as duas árvores. Estamos seguros! Pelo menos por enquanto.
- Por enquanto? - Uma passageira falou e as outras vozes se juntaram.
- CALEM A BOCA! - Film gritou. - VOCÊS FALANDO AO MESMO TEMPO RESOLVERÃO O QUÊ? CALEM A DROGA DA BOCA E VAMOS OUVIR NOSSA COMANDANTE!
Namtan viu que aquela menina não era apenas uma comissária de bordo, mas uma mulher sobrevivencialista, que sabia como proceder em situações de impacto. Sabia como contornar o perigo e tinha liderança. Percebeu o quanto sua implicância com a comissária tinha sido infundada e continuou.
- Eu entendo que todos queiram sair daqui. Eu quero também. No entanto, temos que esperar o resgate. Vamos fazer como eu estava dizendo. Vamos nos proteger temporariamente até sermos resgatados. Os que conseguem ficar em pé, me ajudem com as caixas que sobraram e vamos fechar as partes abertas da fuselagem e nos proteger.
Homens e mulheres levantaram e fizeram uma barreira com as caixas na abertura da fuselagem. Depois abriram a caixa que Namtan mandou e pegaram as doações que iriam para a comunidade local. Colchonetes e casacos de frio que ajudaram todos a dormir com um pouco mais de dignidade.
- Temos que ficar todos juntos para que o calor de nossos corpos esquente uns aos outros. Então, precisamos deitar um do lado do outro e quem ficar nas bordas use mais casacos.
Assim fizeram.
O cansaço acabou trazendo sono aos passageiros que dormiram primeiro. No entanto, ainda era possível ouvir gemidos de dor.
Namtan e Film ficaram nas pontas protegendo os sobreviventes.
Ainda acordada, Film chamou a piloto:
- Comandante!
- Hum!
- Quanto tempo isso vai durar?!
Namtan olhou para Film no meio da escuridão, em que os olhos já tinham se acostumado e vendo a forma do corpo, tentou esconder o próprio medo.
- Eu não sei, mas estou pensando numa forma de sairmos dessa.
- O que aconteceu para o avião cair? Você é uma ótima piloto!
Namtan sorriu na escuridão.
- Obrigada! Só que fomos vítimas de um vácuo turbulento que veio provavelmente de uma nuvem rolo que subiu por baixo de nossa aeronave. Vácuos são turbulências fatais. Por isso, o centro de controle nos vistoria na malha aérea para não ficarmos na rota dessas nuvens. Contudo, perdemos os sinais de comunicação antes da nuvem subir abaixo de nós e caímos abruptamente. Por mais que eu controlasse o avião e conseguisse sair do vácuo, a falta de visão da cabine aliada ao apagão dos instrumentos causou nossa queda. O pior é que não faço ideia de onde estamos.
- Faltavam apenas 15 minutos para chegarmos. Devemos estar próximo do aeroporto.
- Duvido muito. No momento que o vácuo nos pegou e giramos, saímos da rota. O avião inclinou bruscamente, girou e sem instrumentos não faço ideia do quanto estamos longe do aeroporto. Vamos esperar amanhecer para termos uma visão clara.
O vento zunia lá fora. Era bastante assustador. Por alguns segundos, tudo pareceu ficar em silêncio. Namtan e Film cochilaram alguns minutos até que gritos foram ouvidos, acordando todos.
- O que foi isso? - Serguei disse levantando.
A comandante e Film levantaram. Os gritos eram assustadores. Barulho de cães em matilha, mas estavam na Sibéria. Naquela situação só podiam ser lobos.
- Shiiiiiiiiiiii! Não façam barulho. - A comandante falou baixinho. Não gritem. Não se mexam!
- Ahhhhhhhhhhhhhh! SOCORRO! AIIIIIIIIIIIIIIIII.... ME LARGUE.
Barulhos de mordidas. Namtan tinha um binóculo noturno em sua sacolinha e colocou para tentar enxergar o que se passava lá fora e o que viu foi assustador.
- Meu Deus! - Ela disse se tremendo.
- O que foi? - Film disse se aproximando e Namtan deu o binóculo para que visse.
Film colocou o aparelho e olhou pelo buraco da fuselagem. Iria gritar, mas Namtan tapou sua boca.
- Shiii... Sem barulho ou vão nos ouvir e vir pra cá.
- É Mykhail! Um dos cientistas! Temos que ajudá-lo.
- Você viu o tamanho daquelas coisas? Estão em grupo. Não temos a menor chance. O que podemos fazer é ficar aqui dentro em silêncio.
Eram mais de cinco lobos enormes atacando o homem na neve.
As duas voltaram até os outros sem fazer barulho.
- O que viram? Tem um homem gritando. Podemos ajudar?
- Tinha! Já deve estar morto. Não reparou que ele parou de gritar. Virou comida. - Nikolai falou.
- Que horror! - Disse Natasha, operadora de TI do Centro de Pesquisa Siberiano.
Todos estavam assustados.
Film se aproximou.
Ylena, uma cientista, que parecia ser a mais velha de todas, perguntou:
- O que aconteceu?
- Por favor. Não façam barulho. - a comandante pediu. - Não conversem ou gritem ou todos morreremos.
O terror se instalou no rosto de todos e a adrenalina os fortaleceu a aguentar ouvir o barulho de ossos quebrando, de lobos brigando uns com os outros, de rosnados e uivos que duraram mais de duas horas.
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Vácuo Turbulento - NamtanFilm
Fanfiction*(Em andamento) O transporte de passageiros para uma base russa na Sibéria acaba no meio da neve. A piloto Namtan Tipnaree precisará lidar com passageiros feridos, desesperados e impacientes e uma comissária de bordo, Film Rachanum que a ajudará a s...
