Capítulo 1 - Despertar

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Eu me mexia na cama, nos lençóis. Eu me mexia muito.

Sentia uma dor de cabeça infernal.

Arregalei meus olhos.

"Meu Deus! Onde é que eu estou?", pensei.

Estava tudo tão escuro. Eu não podia ver nada.

Sentei-me na cama. Esfregava os olhos a todo instante. Levantei-me.

Minhas pernas estavam meio bambas. Vi um pequeno rastro de luz. Caminhei, escorrendo as mãos pelos objetos que encontrava pelo caminho. O rastro de luz era, na verdade, uma janela.

Removi a cortina para o lado. A luz invadiu totalmente o local. Demorei um tempo para que meus olhos se acostumassem com tamanha claridade.

Do lado de fora, nada além de um enorme matagal. A janela tinha cerca de um metro quadrado e era composta apenas por um vidro fixo. De forma alguma era possível abri-la.

E, do lado de dentro, eu estava em um quarto com uma cama de casal, um guarda-roupa e um criado-mudo.

Eu não conseguia me lembrar de como fui parar lá.

Em cima do criado-mudo, havia um objeto que eu nunca tinha visto antes. Parecia um desses celulares da nova geração, superfinos e sofisticados. Com certeza, era algo extremamente caro.

Espere! Tem um botão aqui, exatamente como em um celular. Pergunto-me onde estaria o meu celular.

Apertei o botão. A tela acendeu.

"Bom dia", era o que estava escrito na tela. Logo em seguida, o bom dia desapareceu e apareceu a mensagem: "Tudo está confuso, mas em breve se resolverá".

Eu ainda estava confusa, mas, antes que a mensagem seguinte aparecesse, a tela piscou e surgiu um símbolo de bateria fraca, igual ao do meu celular.

O objeto desligou-se e, de forma alguma, voltou a funcionar.

Assim como em um celular convencional, havia dois pequenos buracos nas laterais. Passei a acreditar que seriam as entradas do carregador e do fone de ouvido.

Comprometi-me a encontrar o tal carregador. Abri a gaveta do criado-mudo, mas não o encontrei. Procurei também no guarda-roupa, e nada do danado.

Mas algo me deixou encucada: minhas roupas estavam lá. Todas as minhas roupas estavam lá. Por que minhas roupas estavam dentro de um guarda-roupa que eu nunca tinha visto na vida?

"Oh, Deus, oh, Deus... Eu fui sequestrada!"

Corri em direção à porta do quarto e coloquei minha mão sobre a maçaneta.

"Por Deus, apenas abra", pensei.

A porta não abriu.

Comecei a ofegar. Flashes vinham à minha cabeça. Lembrei-me da festa em que estive na noite anterior, com alguns amigos. Lembrei-me também de uma briga. Lembrei-me de ter participado dela. E, quanto mais eu me lembrava, mais forte a dor ficava.

Com certeza, alguém me sequestrou.

Continuei travada em frente à porta. Eu estava suando frio, estava com medo.

Passei a ouvir passos que vinham em direção à porta. Encontrei forças para retornar até a cama, deitar-me e fingir que ainda estava dormindo.

A porta foi aberta logo em seguida. Fechei meus olhos e, de forma alguma, arrisquei abri-los novamente, sequer um pouco.

A partir daí, eu só ouvi.

A pessoa ficou me observando durante um bom tempo.

- Oi, sou eu! - disse o rapaz.

"Droga, ele não caiu nessa. Ele sabe que acordei", pensei. Eu cogitei seriamente em me entregar, mas...

- Olha só, tem alguma coisa errada aqui.

"Me aliviei. Ele estava falando com outra pessoa."

- Ela ainda não acordou... Não, eu tenho certeza. Não tem como o meu relógio estar errado... Certo, farei isso.

Em minha cabeça, tudo o que pude entender foi que ele não era o chefe, mas estava recebendo ordens do provável chefe. Após finalizar a ligação, ele caminhou até a beira da cama.

- Certo, certo... Tranquilo... Eu só preciso fazê-la ver o vídeo. É só isso que preciso fazer.

Aquele cara estava, de fato, falando sozinho naquele momento.

Ele pôs a mão sobre meu ombro e chamou pelo meu nome.

- Diana, acorde!

Eu agi rápido. E com extrema sabedoria.

Golpeei o órgão genital dele e o empurrei.

Ele caiu no chão, gritando de dor. Levantei-me e corri.

Saí do quarto, atravessei o pequeno corredor, desci as escadas e atravessei a porta de saída, que, por sorte, estava aberta.

Não fui apanhada nem surpreendida por ninguém durante esse processo, o que, para mim, foi um enorme alívio. Adentrei o matagal e continuei correndo, sem parar, sem, em hipótese alguma, olhar para trás.

Sobre Ontem...Stories to obsess over. Discover now