PRÓLOGO

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Sebastian Whitmore - Alguns anos antes.

Viva como se cada momento fosse o último. Porque, às vezes, ele realmente é.

Carregar um legado que atravessou gerações nunca foi exatamente o tipo de vida que eu havia escolhido para mim. Desde muito cedo, aprendi que o sobrenome Whitmore não era apenas um nome. Era uma responsabilidade, um símbolo de poder, uma promessa que precisava ser mantida, independentemente do preço. Na minha família, ninguém herdava apenas uma empresa. Herdava-se um império. E impérios não permanecem no topo por bondade.

Meu avô poderia ter escolhido qualquer um de seus filhos para assumir o controle da empresa, mas, no fim, escolheu a mim. Não sabia dizer se aquilo deveria ser motivo de orgulho ou de preocupação. Talvez os dois. A partir daquele momento, deixei de ser apenas seu neto e passei a ser o homem que precisava proteger tudo aquilo que nossa família havia construído durante décadas. E todos queriam uma parte disso. Concorrentes, antigos aliados, pessoas que sorriam diante das câmeras enquanto planejavam sua queda pelas costas. No mundo em que eu havia nascido, confiança era um luxo que poucos podiam se dar. Eles nunca aceitariam perder, e eu não podia permitir que a minha família perdesse.

Naquela noite, como em tantas outras, o relógio já havia passado da meia-noite quando finalmente deixei o prédio da empresa. As luzes dos últimos andares ainda permaneciam acesas atrás de mim. Era quase irônico. Milhares de pessoas já estavam dormindo enquanto eu continuava entregando cada minuto da minha vida àquele lugar. Dormia pouco, comia quando lembrava, amava menos do que deveria e trabalhava mais do que qualquer pessoa ao meu redor conseguia entender. Talvez fosse por isso que eu gostasse tanto de andar de carro durante a madrugada. Dentro daquele veículo, longe dos telefones, das reuniões e das pessoas que sempre queriam alguma coisa de mim, eu conseguia fingir que ainda tinha algum controle sobre a minha própria vida.

O estacionamento estava praticamente vazio quando cheguei. O senhor Carter já me esperava ao lado do carro e, como sempre, abriu a porta traseira para mim com aquele sorriso discreto que parecia nunca desaparecer, independentemente do horário ou do meu humor.

- Boa noite, senhor.

- Boa noite, Carter.

Entrei no banco de trás e afrouxei discretamente a gravata. Quando ele assumiu o volante, o carro deixou o estacionamento e começou a percorrer as ruas iluminadas da cidade. Pedi que não voltássemos diretamente para casa. Eu precisava de alguns minutos sem pensar em contratos, acionistas, concorrentes ou no próximo problema que certamente estaria esperando por mim na manhã seguinte.

As ruas da Europa passavam diante dos meus olhos como um filme silencioso. Prédios antigos iluminados por pequenas lâmpadas amareladas, restaurantes começando a fechar e pessoas caminhando pelas calçadas. A cidade parecia viva, mesmo naquela hora. Baixei o vidro e o vento frio atingiu meu rosto, bagunçando meus cabelos. Fechei os olhos por alguns segundos. Era estranho como alguns minutos de silêncio podiam fazer uma pessoa esquecer o peso que carregava.

- Está tudo bem, senhor?

Abri os olhos e encarei o reflexo de Carter pelo retrovisor.

- Agora está.

Ele apenas assentiu e continuou dirigindo.

Por alguns minutos, nada aconteceu. Até que percebi uma mudança em seu comportamento. Suas mãos ficaram mais firmes sobre o volante. Ele olhou pelo retrovisor, depois voltou a atenção para a estrada e, alguns segundos mais tarde, tornou a olhar.

- Com licença, senhor...

Sua voz havia mudado.

- O que foi?

- Há um movimento estranho.

Endireitei o corpo no banco.

- Que tipo de movimento?

Ele olhou novamente pelo retrovisor.

- Aquele carro.

Segui seu olhar. Havia um veículo alguns metros atrás de nós. Preto, com os vidros escuros e sem nenhuma identificação que eu pudesse reconhecer.

- Está nos seguindo há quanto tempo?

- Aproximadamente dez minutos.

Meu estômago se contraiu. Olhei novamente para o carro. Ele continuava ali, sempre à mesma distância.

- Tem certeza?

- Sim, senhor.

O silêncio dentro do carro mudou. Aquela sensação de tranquilidade que eu havia encontrado minutos antes desapareceu completamente.

- Acelere.

Carter não perguntou o motivo. Apenas pisou no acelerador. O carro ganhou velocidade, mas o veículo atrás de nós também. Meu coração começou a bater mais rápido enquanto eu olhava pelo vidro traseiro. Dessa vez, o carro estava muito mais perto.

- Mais rápido.

- Estou tentando, senhor.

A cidade começou a passar diante dos meus olhos em uma velocidade absurda.

Então veio a primeira batida.

BAM.

Meu corpo foi lançado para frente e precisei me segurar no banco para não perder o equilíbrio.

- Droga!

Carter tentou manter o controle do veículo. Outra batida veio logo depois, ainda mais forte. O som do metal sendo atingido ecoou dentro do carro. Olhei para trás e vi o veículo recuar. Por alguns segundos, não fez absolutamente nada. Apenas nos acompanhou. Aquilo era pior, porque significava que quem estava naquele carro não estava tentando simplesmente nos ultrapassar. Estava esperando. Esperando o momento certo.

- Carter...

- Eu sei.

Então tudo aconteceu rápido demais.

Os faróis apareceram à nossa frente.

O mesmo carro.

Meu coração parou por um instante.

- CUIDADO!

Carter girou o volante com toda a força. Os pneus cantaram contra o asfalto e meu corpo foi jogado para o lado. Por uma fração de segundo, nossos olhares se encontraram pelo retrovisor.

E, naquele instante, eu soube.

Não havia mais tempo.

O nome que eu deveria odiarBağımlısı olacağınız hikayeler. Şimdi keşfedin