Capítulo 01

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Lorenzo Moretti

O som de osso se partindo ao meio é surpreendentemente parecido com o de um galho seco estalando sob a bota. A única diferença é o eco molhado que vem logo em seguida, acompanhado pelo som sibilante de alguém tentando respirar com o pulmão perfurado.

Eu adorava esse som. Para mim, funcionava melhor do que uma dose dupla de café expresso para começar a madrugada.

— Per favore... Lorenzo... pietà... — o desgraçado implorou, engasgando no próprio sangue que jorrava do nariz quebrado e escorria pelo chão de cimento imundo.

— Você teve a audição danificada pelos tiros, stronzo? — perguntei, a minha voz saindo num tom arrastado, quase entediado, enquanto eu limpava os nós dos meus dedos na lapela do paletó dele. — Eu fiz uma pergunta simples. Cadê o resto dos livros de contabilidade dos De Luca?

Ele não respondeu rápido o suficiente. Meus dedos, calejados pelo metal dos fuzis e marcados por cicatrizes de combate, agarraram os cabelos dele. Puxei a cabeça do homem para trás, forçando-o a encarar o cano frio da minha pistola. O submundo de Florença me chamava de "Dono do Caos" por um motivo bem simples, eu não tinha a paciência cirúrgica do Salvatore, nem a mente fria do Dante. Eu resolvia as coisas no chumbo, no soco e no barulho. Se a máfia era uma engrenagem de negócios, eu era o martelo que esmagava quem tentava travá-la.

O cassino clandestino no centro de Florença estava um verdadeiro cenário de abatedouro. Havia corpos de soldados inimigos caídos entre as mesas de pôquer viradas, cartuchos de bala deflagrados espalhados pelo carpete e o cheiro doce e ferroso de sangue fresco impregnando o ar saturado de fumaça. Nós tínhamos limpado o perímetro em menos de vinte minutos. Uma execução limpa, violenta e necessária.

O Salvatore queria os De Luca extintos e enterrados antes de colocar a aliança no dedo da Stella. E o que o meu Capo pedia, eu entregava com um sorriso no rosto.

— No... no porão dos fundos... — o homem tossiu, cuspindo um dente no chão. — Atrás da porta de ferro... as chaves estão no meu bolso...

— Viu como não era difícil? — Soltei um riso curto, soltando o cabelo dele de forma abrupta.

Eu não usei as chaves. Não havia tempo para isso.

Ajustei o relógio de pulso cronometrado. Eu tinha exatamente quarenta minutos para terminar aquela carnificina, sumir com os vestígios, enfiar o meu terno italiano sob medida e aparecer na colina. Se eu me atrasasse para o altar do Salvatore, ele me cortaria em pedaços e alimentaria os porcos, não importava o quanto fôssemos irmãos. O Venturi não tolerava falhas, muito menos no dia do seu casamento.

Avancei pelo corredor escuro dos fundos, o fuzil pendurado no peito, pronto para qualquer sinal de movimento. Meus soldados já recolhiam as maletas de dinheiro e preparavam os galões de gasolina para incendiar o lugar. Parei diante da maldita porta de ferro mencionada.

Ergui a bota militar e chutei o metal. O estrondo violento ecoou pelas paredes de concreto. A porta cedeu com um rangido estridente, revelando a escuridão do porão.

Destravei a lanterna acoplada à minha arma, pronto para descarregar o pente no primeiro infeliz que pulasse na minha direção. O feixe de luz cortou o breu, varrendo o ambiente úmido. Minha respiração estava compassada, o dedo indicador esticado levemente acima do gatilho do fuzil, os olhos estreitados procurando por qualquer ameaça oculta nas sombras. Eu esperava encontrar um cofre biométrico, carregamentos de cocaína vindos do porto ou talvez um soldado sobrevivente dos De Luca, desesperado o suficiente para tentar uma última emboscada suicida contra o braço direito do Venturi.

O Dono do CaosStories to obsess over. Discover now