A UNIVERSIDADE DA AURA

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Aura. Palavra que remete a poder, presença, imponência...

Nunca foi só um meme da internet. Desde sempre, as pessoas adquiriam habilidades sobre-humanas inexplicáveis. Gênios surgiam e se destacavam. Nunca foi da natureza humana, era algo sobrenatural.

Por muito tempo, a aura mostrou-se ser um fenômeno raro, quase imperceptível. Mas a partir da Guerra Fria, forças de inteligência de alguns países começaram uma série de investimentos e pesquisas sobre essas ocorrências, buscando tirar proveito disso.

O mundo já não era mais o mesmo. Há quase vinte anos, o Comitê de Inteligência e Segurança de Estado Brasileiro (CISEB) detectou um aumento considerável de casos de pessoas com essa característica. Desse modo, o governo criou a Universidade Federal da Aura, vulgo UFA, visando recrutar usuários de aura. O lugar escolhido foi Xique-Xique, na Bahia, longe de todo o caos da metrópole e mantendo em segredo a universidade. Por isso, de fachada, ficou conhecida como a Universidade Federal de Xique-Xique (UFX).

Não durou muito. Uma construção sofisticada numa cidade interiorana chamava muita atenção. Então, o governo brasileiro agiu: inventou um motivo, descoberta, terras raras etc., para atrair pessoas e investidores, aumentando massivamente a cidade. Migrantes de todos os estados brasileiros iam para Xique-Xique em busca de sucesso. Até imigrantes de diversos países chegaram. Em pouco tempo, a pacata cidade havia se transformado numa New Jersey baiana.


Xique-Xique – Bahia, 2046

Gonça Snow observava a chuva cair lá fora. O céu estava coberto de nuvens que nem sequer dava para ver a lua. Na sala de aula da universidade, o professor Satoru lecionava.

- Odeio Análise e Controle da Aura. - disse para Hanna, que estava na carteira ao lado. Ela parecia não ter ouvido, pois estava costurando a alça de sua mochila.

- Hã? - Indagou ela, sem tirar os olhos do que estava fazendo. - Falou comigo?

Ele desviou o olhar com uma expressão de tédio. - Humpf... deixa pra lá... - Então, direcionou sua visão ao professor.

- ... agora sugiro a leitura do livro "O chamado da Aura", de Pedro Siqueira, doutor em psicologia da aura, para compreenderem melhor os danos que a aura acerbada causa a mente. - disse Satoru. - Por hoje é só, piazada.

Os estudantes vão saindo, em meio as conversas. Gonça olhou para Hanna, que se levantava com a alça já restaurada, e virou-se para a janela. Ele não estava nem um pouco a fim de se levantar. As gotas de chuva escorrendo pelo vidro dava-o uma sensação tão boa, de nostalgia. O fazia recordar do tempo em que tudo era simples. Lembrou do cheiro de terra molhada, dos pingos d'água caindo e anunciando a chegada do período das cheias.

- EUREKA!! - Um grito o trouxe de volta a realidade. Era Mister K que gritara, seu colega de trás. - Venham ver, vagabundos! - Disse K, com muita ênfase no substantivo.

- O que foi agora? - perguntou Hanna.

K segurava seu aparelho telefônico, conectado por um cabo ao seu notebook.

- Funcionou!

- O que funcionou? - Perguntou Hanna, de novo.

- Meu medidor de aura.

- Já existe medidor de aura, gênio.

- Sim, mas os da Universidade são muito pesados e ocupam uma sala inteira. Esse cabe no bolso.

- Está me dizendo que o governo não conseguiu fazer um ... mas, você sim?!

- Claro, tenho dois cérebros.

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