Sofia chegou cinco minutos antes, como sempre. Não porque fosse particularmente ansiosa, nem porque tivesse medo de se atrasar, mas porque gostava de entrar nos lugares antes que eles estivessem cheios. Escolher onde sentar, organizar o que precisava e observar o ambiente antes que o ambiente começasse a observá-la.
A reunião seria na sede da Ponto Ação Produções. Natalie tinha mandado uma mensagem alguns minutos antes dizendo que já estava no prédio, mas que precisava resolver uma coisa com Priscilla em outra sala. Sofia respondeu apenas com um "tá" e entrou no elevador, agradecendo silenciosamente pela possibilidade de ter alguns minutos sozinha antes que o resto da equipe chegasse.
Quando as portas se abriram no décimo segundo andar, o corredor estava quase vazio. Sofia saiu segurando o celular em uma mão e um copo de café na outra, caminhou até a sala indicada e empurrou a porta de vidro.
— Você ainda chega cinco minutos antes de todo mundo.
Sofia parou.
Não foi um movimento brusco, mas o tipo de imobilidade que acontece quando o corpo reconhece uma voz antes mesmo que a cabeça aceite de quem ela é. Durante alguns segundos, permaneceu de costas, com o café ainda quente entre os dedos e a porta se fechando atrás dela.
Então virou.
Natália estava sentada perto da janela, com uma jaqueta jogada sobre o encosto da cadeira e uma caneta entre os dedos. O cabelo parecia um pouco mais comprido do que Sofia se lembrava.
Ou talvez ela simplesmente tivesse esquecido.
Não.
Não tinha esquecido nada.
Esse era justamente o problema.
Natália ergueu os olhos para ela e arqueou levemente uma sobrancelha.
— Oi.
Sofia demorou uma fração de segundo a mais do que deveria antes de responder.
— Oi.
Era estranho ouvir aquela palavra entre elas. Meses atrás, um cumprimento daquele jeito teria parecido absurdo. Não existia formalidade, não existia distância e, principalmente, não existia aquela necessidade de pensar antes de falar.
Agora existia.
Sofia caminhou até a mesa e escolheu uma cadeira longe o suficiente para não parecer intencional. O problema era que qualquer distância entre elas parecia intencional. Colocou o café sobre a mesa, abriu o notebook e tentou se concentrar em qualquer coisa que não fosse a presença de Natália a poucos metros dali.
Ainda assim, percebeu quando ela olhou para o copo. Só por um segundo. Depois desviou.
Sofia conhecia aquele olhar. Natália sabia que ela bebia café sem açúcar quando estava nervosa e que, em dias normais, colocava exatamente meio sachê. Era um detalhe pequeno, antigo e completamente inútil agora.
Ela tomou um gole. Sem açúcar.
Natália voltou a girar a caneta entre os dedos.
— Você está bem? — perguntou.
Sofia ergueu os olhos.
— Estou.
Natália assentiu devagar.
— Que bom.
O silêncio que veio depois foi pior do que a pergunta. Sofia odiou a naturalidade da resposta e odiou ainda mais saber que Natália provavelmente não tinha acreditado nela.
A porta abriu alguns segundos depois. Natalie entrou primeiro, segurando algumas pastas junto ao peito, e Priscilla veio logo atrás enquanto terminava de responder uma mensagem no celular.
YOU ARE READING
XEQUE AO DESTINO - STALIA
FanfictionNatália e Sofia já foram inseparáveis. Durante meses, dividiram viagens, gravações, madrugadas, segredos e uma intimidade que nunca souberam explicar direito. Para quem estava de fora, eram apenas duas amigas com uma química impossível de ignorar. P...
