Prólogo + Mapa

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• NOTA DA AUTORA •

Antes de atravessar a Muralha, quero te pedir uma coisa:

Não confie em tudo o que você ouvir.

Em Aelthera, nem toda história foi contada por inteiro. Existem verdades escondidas entre os séculos, segredos enterrados sob a magia e personagens que talvez não sejam exatamente aquilo que parecem.

Esta é a história de Aria Razel.

Uma garota que nunca pediu para ser escolhida.

Um mundo que ela nunca deveria conhecer.

E um Deva que deveria ser seu inimigo.

Espero que você se permita atravessar a Muralha junto com ela.

Mas tome cuidado.

Depois que entrar em Aelthera, talvez não seja tão fácil encontrar o caminho de volta.

Boa leitura!

⚠️ Contém conteúdo +18

PRÓLOGO:

A primeira coisa que aprendi sobre os Devas foi que eles não eram monstros.

Monstros não costumam ser tão bonitos.

Dizem que, quando o primeiro deles atravessou a fronteira há milhares de anos, os humanos confundiram sua aparência com a de um deus. Pele perfeita. Olhos impossíveis. Uma beleza que fazia qualquer pessoa esquecer, por alguns segundos, que estava diante de algo capaz de matá-la sem sequer levantar a mão.

Depois vieram as histórias.

Os incêndios que consumiram cidades inteiras.

Os rios que mudaram de curso.

As tempestades que surgiam sem aviso.

As montanhas que pareciam se mover.

E então veio a guerra.

Quase não sobrevivemos.

Foi quando Áurea ergueu a Muralha.

Não uma muralha feita de pedra.

Não havia tijolos, portões ou torres.

Era magia.

Uma linha dourada que atravessava o mundo e brilhava como se o próprio céu tivesse sido rasgado para deixar a luz escapar.

De um lado, nós.

Do outro, eles.

E assim deveria permanecer.

Foi isso que me ensinaram desde criança.

Que a Muralha nos mantinha seguros.

Que os Devas eram nossos inimigos.

Que nunca deveríamos desejar saber o que existia além dela.

E, principalmente, que deveríamos agradecer por nunca sermos escolhidos.

Porque, a cada cinco anos, uma garota era escolhida para atravessar a Muralha.

O Tributo.

Aquela que representaria todos nós.

Aquela que lutaria até a morte contra uma escolhida dos quatro clãs.

E aquela que, segundo as histórias, receberia glória eterna se sobrevivesse.

Nunca aconteceu.

Nenhuma voltou.

Por isso, quando ouvi meu nome naquela manhã, a primeira coisa que pensei foi que tinham cometido um erro.

A segunda foi que minha mãe estava chorando.

E a terceira...

A terceira foi que, pela primeira vez em toda a minha vida, a Muralha de Áurea não parecia estar ali para nos proteger.

Parecia estar esperando por mim.

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