Durante milhares de anos, os humanos viveram protegidos pela Muralha de Áurea.
Do outro lado dela vivem os Devas.
Seres imortais, belos como deuses, mais rápidos e mais fortes que qualquer humano e capazes de controlar a magia com um simples olhar.
...
Antes de atravessar a Muralha, quero te pedir uma coisa:
Não confie em tudo o que você ouvir.
Em Aelthera, nem toda história foi contada por inteiro. Existem verdades escondidas entre os séculos, segredos enterrados sob a magia e personagens que talvez não sejam exatamente aquilo que parecem.
Esta é a história de Aria Razel.
Uma garota que nunca pediu para ser escolhida.
Um mundo que ela nunca deveria conhecer.
E um Deva que deveria ser seu inimigo.
Espero que você se permita atravessar a Muralha junto com ela.
Mas tome cuidado.
Depois que entrar em Aelthera, talvez não seja tão fácil encontrar o caminho de volta.
Boa leitura!
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PRÓLOGO:
A primeira coisa que aprendi sobre os Devas foi que eles não eram monstros.
Monstros não costumam ser tão bonitos.
Dizem que, quando o primeiro deles atravessou a fronteira há milhares de anos, os humanos confundiram sua aparência com a de um deus. Pele perfeita. Olhos impossíveis. Uma beleza que fazia qualquer pessoa esquecer, por alguns segundos, que estava diante de algo capaz de matá-la sem sequer levantar a mão.
Depois vieram as histórias.
Os incêndios que consumiram cidades inteiras.
Os rios que mudaram de curso.
As tempestades que surgiam sem aviso.
As montanhas que pareciam se mover.
E então veio a guerra.
Quase não sobrevivemos.
Foi quando Áurea ergueu a Muralha.
Não uma muralha feita de pedra.
Não havia tijolos, portões ou torres.
Era magia.
Uma linha dourada que atravessava o mundo e brilhava como se o próprio céu tivesse sido rasgado para deixar a luz escapar.
De um lado, nós.
Do outro, eles.
E assim deveria permanecer.
Foi isso que me ensinaram desde criança.
Que a Muralha nos mantinha seguros.
Que os Devas eram nossos inimigos.
Que nunca deveríamos desejar saber o que existia além dela.
E, principalmente, que deveríamos agradecer por nunca sermos escolhidos.
Porque, a cada cinco anos, uma garota era escolhida para atravessar a Muralha.
O Tributo.
Aquela que representaria todos nós.
Aquela que lutaria até a morte contra uma escolhida dos quatro clãs.
E aquela que, segundo as histórias, receberia glória eterna se sobrevivesse.
Nunca aconteceu.
Nenhuma voltou.
Por isso, quando ouvi meu nome naquela manhã, a primeira coisa que pensei foi que tinham cometido um erro.
A segunda foi que minha mãe estava chorando.
E a terceira...
A terceira foi que, pela primeira vez em toda a minha vida, a Muralha de Áurea não parecia estar ali para nos proteger.
Parecia estar esperando por mim.
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