Me aproximei da janela, o mar lá embaixo lançava suas brandas ondas na costa. O tapete de areia se estendia de uma ponta a outra. Poucas barracas. Poucas pessoas. O frio do sul obrigava as pessoas a não visitarem a praia mesmo que fosse de um hotel cinco estrelas.
Me virei, pronto para voltar e continuar esperando aquela porcaria de ligação.
E que sorte a minha. Um hotel cinco estrelas. Um quarto, até bonito. Não o puro luxo. Mas o suficiente para querer que as pessoas cometessem mais crimes e eu viajasse mais vezes para mais hotéis cinco estrelas.
Já tinha passado das vinte horas. Ele disse que ligaria às vinte.
Encarei o aparelho preto jogado entre os lençois brancos da cama. Merda de lençois brancos. Eles sempre me davam calafrios; e quase todos os hotéis tinham aquela maldita regra de só usarem aquela cor. Sempre me fazia lembrar que a cama ia estar mais fria do que o normal.
O celular continuou lá imóvel; sofisticado, aconchegado.
Naquela manhã, assim que eu entrei pelas portas daquele hotel às cinco da manhã eu já sabia que aquele telefone nunca tocaria. Era blefe dele. Eu avisei a Dandara mas ela é tão teimosa.
Me aproximei do celular e peguei pronto para dizer aquelas duas palavrinhas e ver nitidamente ela revirar os olhos mesmo que não pudesse ver ela do outro lado.
Apertei no primeiro contato que sempre ficava no topo e que tinha conversado mais vezes do que me lembrava nas últimas décadas; ela atendeu no segundo toque.
— Eu avisei! — cantarolei. O aparelho permaneceu mudo. Ela agora deve estar revirando os olhos. É certo que sim. — Ok! Minha querida Dandara, nós não temos nenhum rastro do homem e não vamos ter porque a ligação do seu contato não aconteceu. Então agora vou desligar e só me espere no departamento amanhã.
— As pessoas se atrasam, Azai, espere. Talvez ele ainda vá ligar. — a mulher exclamou de repente.
Soltei um "hum" curto e desliguei.
Ela achava mesmo que ele ia ligar.
Uma criança desaparecida há meses. Uma família desesperada. Uma polícia sem muitas pistas. Ou na verdade sem nada.
E ela esperava mesmo que um contato pouco confiável desse uma pista onde o homem — que foi visto na redondeza na época do sumiço, anos atrás — estava
Até parece.
E isso porque ela acredita fielmente que o seu contato é o sabe tudo. Ele deve saber até onde fica a escada para o céu.
Depois da ligação tomei um banho rápido; e desci para o lobby do hotel. Segui para fora e fui direto para o bar.
Uma bebida depois de um desperdício de verba sempre é um ótimo próximo passo.
Fiquei no bar pelas próximas horas, claro entre copos e olhares de uma linda moça de cabelos ébanos.
Ela sorria, eu sorria.
Levantei dois dedos e acenei discretamente. A mulher desviou o olhar.
Roupa glamourosa. Um vestido preto que descia até o meio das coxas. E que coxas!
Os cabelos cheios tinham ondas que desciam por suas costas.
Ela olhou outra vez, e desviei o olhar. Um pouco de indiferença controlada.
Levei algum tempo e olhei outra vez. Ela estava olhando e então me levantei naquele momento. Coberto de coragem e confiança. Me aproximei; arrastei a cadeira alta de ferro e sentei ereto; segurei as pontas do terno e ajeitei a roupa ao corpo.
KAMU SEDANG MEMBACA
VÉU DE SANGUE - Conto
HororAzai Nerkpov, um policial que conhece uma garota, Iarin Lumeskc, e as circunstâncias com a qual se conhecem leva ele a viver os piores momentos da sua vida e a iniciar uma caçada.
