Prólogo

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Para Priscila,

que me ensinou que a amizade

pode ser mais poderosa que a distância.


A espera era angustiante. Os minutos passavam e, ao mesmo tempo, era como se estivessem estagnados, sem vida, ação, movimento ou atrito. Era como se estivessem rindo de nós, como se brincassem conosco.

A terra rodava mais devagar, quase inerte. Nada parecia o mesmo, mas tudo estava diferente...

Eu não conseguia raciocinar. Olhava o relógio, contava as horas, os dias e nada.

Nada acontecia.

Então tudo aconteceu.

A cirurgia fracassou.

Tentamos de tudo.

Ele não suportou.

Sinto muito.

Sinto muito mesmo.

O relógio gritou e transbordou. Os minutos voltaram a correr, dessa vez velozes, angustiados e furiosos.

Hora, hora, hora, hora.

Dia, dia, dia, dia.

Mês, mês, mês, mês.

Os minutos avançavam e não havia nada que eu pudesse fazer, nada que pudesse me encher de alegria ou de paz uma vez mais. Era como se não houvesse mais solução, tudo tinha ido por água abaixo. A felicidade fora embora, para nunca mais voltar.

Meu mundo tinha sido sacudido com fúria e lágrimas, como nunca antes, e eu não tinha uma mão que me segurasse antes de cair no chão.

Porque eu caí no chão e continuo lá, a meio caminho, sem saber se fico ou se volto... Ou se vale a pena sequer levantar.

Olho para minha mãe e não a reconheço mais.

Olho para mim e vejo apenas uma estranha.

Não havia nada que eu pudesse fazer... Nada.

Até que eu o conheci.

Então tudo mudou.


Sebo Fernandes [degustação]Onde as histórias ganham vida. Descobre agora