A clareira ficava há um quilômetro da cidade. Segundo informações, o corpo foi achado às 6 horas da manhã por dois homens que iam pescar em um lago próximo.
No caminho, um deles percebeu a presença incomum de urubus sobrevoando o céu. E ao olharem para os lados, viram um corpo escondido entre as folhagens.
Imediatamente, chamaram a polícia, que chegou ao local às 8:15h.
Era um dia nublado, o vento batia forte entre as castanheiras, trazendo consigo o cheiro pesado de morte.
Em instantes a cena do crime foi tomada por policiais. Entre eles estava Miguel, que observava a tudo com minuciosa atenção.
- Mais um para a lista. Já são cinco com esse.
Disse Fábio, seu amigo, lhe tirando do transe.
- Acha que essas mortes podem ter alguma relação? - disse Miguel, interessante na opinião do amigo.
- Ainda é cedo para dizer. A cidade não é mais a mesma. Santa Cruz cresceu, e com ela o crime e a violência, nada mais natural para uma cidade em ascensão.
Miguel olhou para o cadáver.
Era um homem. Jovem ainda. Provavelmente era da casa dos 20 ou 30 anos. Sua pele já apresentava sinais de decomposição. Estava esbranquiçada e roxa, cheia de feridas e arranhões. A maioria provavelmente causada pelas aves que se banqueteavam de sua carne apodrecida.
Foi um jovem bonito, Miguel tinha certeza. Rico talvez, pois possuía roupas caras.
- Já temos alguma ideia de quem é ele?
- Temos sim, encontramos sua carteira no bolso. Ele se chamava Mathias.
- Ótimo, já é um começo. E qual foi a causa da morte?
- Ele levou um tiro à queima roupa no peito. Seja quem for o assassino não tinha a intenção de roubá-lo, todos os seus pertences estavam com ele. Nem seu carro levou, ele está estacionado, escondido mais a frente.
- Hum, interessante. Seja quem for que fez isso estava com pressa. Note que a maior parte do corpo está coberta por folhas. Ele tentou ocultar o cadáver, mas na sua pressa de fugir foi embora. Talvez, é só suposição, ele voltasse à cena do crime para terminar o trabalho.
- Faz sentido - concordou Fábio - Assassinos sempre voltam à cena do crime.
- Vocês chegaram - falou uma voz - onde estavam esse tempo todo?
Era Elisa, colega de trabalho da dupla.
- Estamos aqui há bastante tempo, na verdade. Acho que não percebeu porque estava conversando com os outros peritos desde que chegamos.
- Sério? Nossa, nem tinha percebido. Ultimamente, estou atolada de trabalho e não consigo prestar atenção direito.
- Pode ser só TDH - falou Miguel, de forma descontraída.
- É talvez... Bem, a perícia terminou por aqui. Já podemos enviar o corpo para o IML.
- Bem, então vamos poder tomar nosso café da manhã direito.
Fabio olhou para Miguel. Seu amigo ainda possuía um olhar sério e analítico. Pelo tempo que trabalhavam juntos, ele sabia que sua mente estava em modo trabalho.
- Algum problema Miguel?
- Mas cedo perguntei se esse crime poderia ter algo haver com os outros assassinatos. Bem, algo me diz que esse caso é diferente... Se a gente cavar um pouco mais tenho certeza de que encontraremos mais coisas.
Os três policiais ficaram quietos enquanto observavam o corpo.
A vítima possuía olhos castanhos que, agora sem vida, fitavam o céu.
BINABASA MO ANG
O policial
ActionMiguel é um policial solitário. Para ele tudo que existe é seu trabalho. Mas com um novo caso em mãos ele conhecerá Eduardo, um cara corajoso que fará de tudo para ajudar a desvendar esse caso. Juntos, Miguel descobrirá o verdadeiro amor.
