A Bruxa Ayesha

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A Estranha da Cafeteria

Paris parecia diferente naquela tarde A chuva fina cobria as ruas com um brilho prateado, enquanto as luzes dos postes se refletiam nas calçadas molhadas. Dentro de uma pequena cafeteria próxima ao Quartier Latin, o aroma de café recém-passado misturava-se ao som baixo das conversas.

Sentado sozinho junto à janela estava Armand.

Depois de séculos cercado por imortais, conflitos e sentimentos que pareciam nunca desaparecer completamente, ele havia decidido permanecer sozinho por algum tempo.

O relacionamento com Louis havia terminado. Armand não sabia se sentia alívio ou vazio.

Talvez os dois.

Vestido elegantemente, com seus cabelos escuros cuidadosamente penteados e o rosto de traços marcantes iluminado pela luz amarelada da cafeteria, ele parecia apenas mais um homem misterioso entre os clientes.

Mas seus olhos denunciavam algo diferente.

Ele observava.

Sempre observava.

Foi então que Ayesha entrou.

Ela não parecia especial.

E talvez fosse exatamente isso que chamou sua atenção.

Uma jovem mulher de pele clara, cabelos castanhos cacheados caindo naturalmente sobre os ombros e olhos de aparência comum. Vestia roupas discretas, carregava uma pequena bolsa e parecia estar apenas procurando um lugar tranquilo para tomar café.

Nada nela gritava sobrenatural.

Nenhum brilho estranho.

Nenhuma aura facilmente perceptível.

Ayesha caminhou até o balcão, fez seu pedido e escolheu uma mesa próxima à janela.

Armand voltou os olhos para o livro que segurava.

Tentou ignorá-la.

Não conseguiu.

Havia alguma coisa.

Ele fechou os olhos por um instante e tentou alcançar a mente dela, como fazia naturalmente com os mortais.

Então encontrou uma barreira.

Armand abriu os olhos.

Aquilo era impossível.

Ele tentou novamente.

Nada.

Ayesha ergueu lentamente os olhos na direção dele.

E sorriu.

Armand ficou imóvel.

- Você está tentando entrar na minha mente - disse uma voz dentro de sua cabeça.

Ele não havia ouvido aquilo com os ouvidos.

Era telepatia.

Armand inclinou levemente a cabeça.

- E você percebeu.

Ayesha tomou um pequeno gole de café.

- Seria difícil não perceber.

Ele deixou escapar um sorriso discreto.

- Interessante.

- Eu poderia dizer o mesmo.

Armand a observou atentamente.

- Você não é humana comum.

Ayesha arqueou uma sobrancelha.

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