Capítulo 1

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A dor veio antes da consciência.

Abro os olhos ao som de máquinas falhando, algo pegando fogo e um cheiro forte de fumaça misturado com químico queimado. Me sento com dificuldade, sentindo o corpo inteiro reclamar.

- Ahh, que dor dos infernos...

Me arrasto até conseguir apoiar e levantar. Tem um corte bem feio na perna. Claro. Tinha que ser justo na perna.

Não lembro de quase nada. Só de um clarão forte. Depois disso, vi um velho de cabelo azul, claramente puto com alguma coisa. Ele virou as costas pra digitar em um computador estranho... e foi aí que percebi que eu estava completamente sem roupas. A situação já era constrangedora o suficiente.

A cápsula onde eu estava se abriu. Ele se aproximou, me analisando como se eu fosse uma experiência. Pegou uma arma e começou a mexer nos botões, distraído.

Não pensei duas vezes.

Pulei em cima dele e arranquei a arma da mão dele.

- Mais que porra- ele tentou se defender, mas eu já estava mirando na cara dele.

- Quem é você? Por que eu tô aqui? Por que eu tô pelada, seu desgraçado?!

Acertei um tapa no rosto dele.

- Calma aí, nanica. Eu tava tentando trazer a consciência de um-

O tiro veio de fora.

Um feixe brilhante atravessou a cabeça dele antes que terminasse a frase. Os miolos espirraram na parede.

- Eita porra...!

Me rastejo rápido até o canto da nave, coração disparado. Olho pelo vidro rachado e vejo várias naves alienígenas se aproximando.

A gente está sendo perseguido.

Me arrasto de volta até o corpo do homem de cabelo espetado e puxo o jaleco dele. Pelo menos serve pra cobrir o corpo. Vista o mais rápido que consigo enquanto a nave inteira começa a tremer com violência.

Uma voz metálica ecoa pelo sistema:

- Atenção. Nave comprometida. Tenho uma notícia boa e uma ruim.

- Qual a boa?! - grito, me agarrando em um suporte.

- A notícia boa é que eles desistiram de nos perseguir. E chegamos em um planeta semelhante à Terra.

A voz trava por um segundo, chiando.

- E a ruim?!

- A notícia ruim é que vamos cair.

A nave começa a despencar de verdade.

- AHHHH, FILHA DA PUTA!

☆ミTempo depois ☆ミ

Sinto meu corpo inteiro dolorido. Com dificuldade, consigo me sentar.

- Aí, que dor...

Tento me levantar, mas a perna direita não aguenta e eu caio de novo. O tornozelo está torto. Deslocado.

- Obrigada, universo. Como se eu já não estivesse lascada o suficiente...

Engatinho devagar até a abertura da nave. Quando olho pra fora, ele está lá. Cabelo azul, jaleco branco. E tem um garoto magro discutindo com ele.

Olho pra trás, pro interior da nave. O corpo continua lá. Mesmo rosto. Mesmo cabelo.

Como assim? Tem mais de um?

- Rick, isso é mesmo necessário? - o garoto pergunta, inseguro.

- Puta que pariu, Morty, eu sei o que eu tô fazendo - o de cabelo azul responde, mexendo numa arma estranha.

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⏰ Last updated: Aug 03 ⏰

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