O passado era uma folha em branco que machucava. Você não lembrava da sua infância dos meses ate 8 anos de idade não havia rostos de pais biológicos, nem memórias de uma infância antiga. A sua vida real havia começado no dia em que acordou, assustada e desmaiada, no chão da fazenda da família Blouse. Acolhida por eles, você cresceu ao lado de Sasha. Mais do que irmãs adotivas, vocês se tornaram uma dupla inseparável, compartilhando desde os pedaços de carne roubados até o sonho perigoso de vestir o uniforme das forças militares.
Naquela manhã, porém, a atmosfera no pátio do quartel era densa. Todos os cadetes recém-formados estavam perfilados diante do Comandante Erwin Smith. A queda recente da Muro Maria havia mudado tudo, e os Titãs eram uma ameaça iminente. Ao seu lado, na fileira, você conseguia sentir a tensão de Sasha. Connie, Jean, Eren, Mikasa e Armin.
Erwin deu um passo à frente, sua voz ecoando com uma imponência natural sobre a tropa:
- Cadetes! Como sabem, a brecha na muralha exigirá de nós uma resposta imediata. Esta expedição não é um mero exercício, é a primeira linha de defesa para conter o avanço dos Titãs e mapear o território perdido. Todos os soldados disponíveis serão mobilizados.
Enquanto Erwin explicava os detalhes da formação e da logística do avanço, a sua mente acabou se distanciando por um segundo.
O problema era a fisgada aguda e constante na sua perna direita. O curativo firme sob a calça denunciava a lesão séria que você sofreu no último treino prático. O diagnóstico médico foi implacável, inapta para o combate.
Mas a ideia de ver Sasha e seus amigos marchando em direção ao perigo enquanto você ficava para trás era simplesmente insuportável.
Ao fim do discurso, Erwin dispensou a tropa. Enquanto os cadetes se dispersavam em murmúrios ansiosos, você viu o comandante se afastar na companhia de duas figuras a Capitã Hange Zoë e o Capitão Levi Ackerman.
Apoiando o peso do corpo na perna boa, você começou a segui-los discretamente pelo corredor de pedra do quartel. No meio do caminho, Hange se despediu com um aceno rápido e seguiu para o lado oposto do corredor. Erwin e Levi continuaram caminhando juntos até entrarem no escritório do comandante.
Tomando coragem, você esperou alguns segundos e bateu levemente na porta de madeira pesada.
- Entre - a voz de Erwin ressoou de dentro.
Você abriu a porta e deu um passo para dentro do escritório. Erwin estava em pé atrás da grande mesa de madeira, enquanto Levi permanecia escorado perto da janela, de braços cruzados, em absoluto silêncio. Seus olhos cinzentos e frios apenas acompanharão a sua entrada, sem demonstrar qualquer interesse.
- Comandante Erwin... - você começou, mantendo a postura o mais ereta possível para disfarçar a dor. - Eu gostaria de pedir a sua autorização para marchar com a tropa na expedição de amanhã.
Erwin ergueu os olhos dos papéis e suspirou suavemente, mantendo a expressão calma.
- Cadete, eu li o relatório médico do seu treino. A recomendação é de repouso absoluto. Sua perna não está em condições para o campo de batalha.
Levi continuou em silêncio no canto da sala, apenas observando a cena com um olhar entediado.
- Por favor, Comandante - você insistiu, dando um passo à frente. - A lesão não vai me impedir. Eu treinei duro para isso e posso ser útil. Não posso ficar para trás enquanto meus companheiros arriscam a vida.
Erwin passou a mão pelo queixo, parecendo levemente impaciente e hesitante com a sua insistência. As perdas de soldados na queda da muralha haviam sido altíssimas e cada lâmina contava, mas colocar um cadete ferido em campo era um risco alto.
Vendo a hesitação do Comandante, Levi finalmente quebrou o silêncio, sua voz gélida e cortante preenchendo a sala:
- Um fardo de brinquedo? Erwin, isso é uma perda de tempo. Ela não consegue nem caminhar sem mancar. Colocar um cadete machucado na linha de frente é pedir para ter mais um cadáver para enterrar.
O tom de desprezo dele fez o seu sangue ferver. Esquecendo por um instante a hierarquia rigorosa, você virou o rosto na direção do Capitão e retrucou com firmeza:
- Eu não serei um cadáver e muito menos um fardo, Capitão! Posso estar machucada, mas garanto que minha mira e meu manejo de lâminas ainda são superiores aos de muitos soldados com o corpo intacto. Eu aguento o tranco.
Levi estreitou os olhos, surpreso com a sua audácia, enquanto Erwin observava a determinação no seu olhar. O comandante ponderou por mais um segundo antes de bater a mão espalmada sobre a mesa, decretando a decisão final:
- Chega. O número de contingente está baixo e precisamos de todo apoio possível. Você irá para a missão, cadete. No entanto, ficará na retaguarda, no nicho de suporte e suprimentos, onde não precisará de mobilidade total.
Levi deu um passo à frente, encarando Erwin com pura contrariedade:
- Erwin, você só pode estar brincando. Ela vai atrasar a retaguarda inteira na primeira onda de ataque. Eu não serei babá de ninguém imprudente
- A decisão está tomada, Levi - Erwin cortou com autoridade indiscutível. - Prepare os seus homens. Partiremos ao alvorecer.
O capitão sustentou o olhar sobre você por um longo e incômodo segundo. O desprezo evidente em sua face deixava claro que ele considerava a sua presença um erro grave. Sem dizer mais uma palavra, Levi deu as costas e saiu do escritório, batendo a porta atrás de si.
Você engoliu em seco, sentindo o peso do desafio que tinha pela frente. Você havia conseguido a sua vaga na expedição, mas acabou de ganhar a atenção e a antipatia direta do homem mais perigoso do exército.
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Sintomas de você- Levi Ackerman
FanfictionO soldado mais forte da humanidade sabe vencer qualquer guerra, menos aquela que trava contra a própria mente para tentar esquecer você.
