Lucas
Nunca gostei de despedidas.
Talvez porque nenhuma delas tenha sido realmente uma escolha.
Quando o ônibus finalmente entrou em Monterrey, apoiei a testa no vidro e fiquei observando a cidade passar. Era maior do que Durango, mais movimentada, cheia de prédios que pareciam engolir o céu e ruas onde sempre havia alguém indo para algum lugar. Tudo ali era novo. Eu também precisava ser.
Desci na rodoviária com uma mochila nas costas, uma mala na mão e a chave da nossa nova casa no bolso.
Nossa.
Ainda soava estranho.
Peguei um carro por aplicativo e, durante todo o caminho, fiquei imaginando se a casa seria boa o suficiente para a minha mãe e para o Gui. Helena dizia que não precisava de muito para recomeçar, mas eu sabia que, depois de tudo o que a gente passou, ela merecia mais do que apenas "o suficiente".
Quando o carro parou em frente ao endereço, desci devagar.
A casa era simples.
O muro baixo tinha a pintura desgastada, a grama do quintal estava alta e a fachada mostrava o tempo sem vergonha nenhuma. Mesmo assim... sorri de canto.
Era pequena.
Mas era nossa.
Abri o portão, destranquei a porta e entrei.
O cheiro de casa fechada tomou conta do ambiente imediatamente.
- Beleza... vamos resolver isso.
Abri todas as janelas, deixei o vento entrar e comecei a trabalhar.
Passei a manhã inteira limpando.
Varri cada canto, lavei o banheiro, esfreguei a cozinha e passei pano no chão até a água parar de sair escura. Depois comecei a montar os móveis que tinham chegado mais cedo. A cama da minha mãe foi a primeira.
Ela sempre dizia que, quando a gente cuida dos outros antes de cuidar da gente, a casa fica mais leve.
A segunda cama foi a do Gui.
Enquanto apertava os últimos parafusos, imaginei a cara dele reclamando porque eu provavelmente tinha colocado algum carrinho no lugar errado.
Sorri sozinho.
- Você vai encher meu saco por isso, baixinho.
A minha cama ficou por último.
Quando terminei, olhei ao redor.
Ainda havia caixas espalhadas pela sala, mas, pela primeira vez desde que cheguei, aquele lugar começou a parecer uma casa.
Saí para comprar alguma coisa para comer.
O bairro era tranquilo.
Tinha uma padaria na esquina, uma farmácia do outro lado da rua e uma oficina mecânica algumas quadras depois. Também passei em frente a uma praça pequena, onde algumas crianças jogavam bola enquanto os pais conversavam nos bancos.
Monterrey era diferente de Durango.
Mais rápida.
Mais barulhenta.
Mas não parecia um lugar ruim.
Voltei com um sanduíche e uma garrafa de refrigerante, sentei no chão da sala e almocei olhando para as caixas.
Ainda tinha muita coisa para fazer.
Passei o resto da tarde organizando roupas, utensílios da cozinha e os poucos objetos que decidimos trazer.
No quarto, reservei uma prateleira inteira para os carrinhos do Gui.
Nem pensei duas vezes.
Ele ia gostar.
Já estava escurecendo quando meu celular começou a tocar.
Mãe.
Atendi na mesma hora.
- E aí? - ela perguntou sorrindo. - Como está nossa casa?
Virei a câmera e fui mostrando tudo devagar.
- A sala já está limpa, a cozinha também. Montei as camas e organizei um pouco das caixas.
Antes que ela respondesse, o Gui praticamente arrancou o celular da mão dela.
- Lucas! Cadê minha cama?
Entrei no quarto e apontei a câmera.
- Tá vendo?
Os olhos dele brilharam.
- Você colocou meus carrinhos!
- Todos.
- Até o caminhão vermelho?
- Segunda prateleira.
Ele abriu um sorriso tão grande que eu não consegui segurar o meu.
- Eu sabia que você não ia esquecer!
Minha mãe pegou o celular de volta.
- Você passou o dia inteiro trabalhando, não foi?
Dei de ombros.
- Alguém tinha que deixar isso pronto antes de vocês chegarem.
Ela ficou me olhando daquele jeito que só mãe sabe olhar.
- Comeu direito?
- Comi.
- Lucas.
Suspirei.
- Um sanduíche.
Ela balançou a cabeça.
- Amanhã você faz comida.
- Tá bom.
Ficamos alguns segundos em silêncio.
Depois ela sorriu.
- A documentação do Gui finalmente saiu.
Levantei a cabeça.
- Sério?
- Amanhã resolvo a última assinatura. Se tudo der certo, sábado estaremos aí.
Não percebi que estava prendendo a respiração até soltá-la devagar.
- Finalmente.
Gui apareceu outra vez.
- Compra pizza quando eu chegar.
Ri.
- Você nem chegou e já tá fazendo pedido?
- É importante.
- Claro que é.
Conversamos mais alguns minutos antes de desligar.
A casa voltou a ficar silenciosa.
Terminei de guardar as últimas caixas e fui até o quarto.
Abri a mochila.
Com cuidado, peguei a fotografia do meu pai.
Passei o polegar pela moldura antes de colocá-la sobre o criado-mudo.
Fiquei olhando para ela por um longo tempo.
- Eu consegui trazer eles até aqui, pai.
Minha voz saiu quase num sussurro.
- Agora deixa comigo, prometo que vou cuidar deles.
Apaguei a luz.
Pela primeira vez em muito tempo, dormir não parecia fugir da realidade.
Parecia o começo dela.
Avaliem por favor, para eu saber se vocês gostaram :)
Se houver qualquer Erro me avisem por favor
🤍🎀
KAMU SEDANG MEMBACA
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Fiksi PenggemarLucas Herrera passou a vida inteira tentando reconstruir o que a família Ferrer destruiu. Antonella Ferrer passou a vida inteira fingindo que sua família não a destruía por dentro. Na Westbridge Academy, eles pertencem a mundos completamente diferen...
