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Prólogo

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O sangue escorria pelas mãos de Natalie, queimava sua pele como fogo, ela podia senti-lo atravessando seus ossos, consumindo-a. O líquido vermelho parecia se entrelaçar ao seu corpo, ela esfregava as mãos com força tentando limpar, tentando tirá-lo de si, rasgava sua própria pele com as unhas sem nem perceber tentando se livrar da sensação daquele mar vermelho e nojento tomando conta de seus braços. O cheiro metálico lhe dava ânsia, seus pernas raladas se sujavam na terra do chão e a fazia estremecer, sua garganta parecia fechar, o ar não chegava mais até ela, sua visão escurecia, sua voz estava rouca e não conseguia mais chamar por ajuda, mas precisava que alguém tirasse aquele sangue escarlate de suas mãos, ela não aguentava mais, não poderia passar mais um minuto sequer com aquilo em sua pele.

Natalie estava parada em um terreno vazio perto de uma estrada e observava a paisagem da floresta a sua frente, o vento batendo nas árvores, a grande escuridão que escondia o terror que havia acontecido agora a pouco lá dentro, que escondia o terror que Natalie conseguiu escapar correndo sem nem olhar para trás, mas que Hannah não teve a mesma sorte. O barulho das sirenes se aproximava cada vez mais, a polícia havia chegado, ou os bombeiros, seja lá o que fosse, estava incomodando-a. O som fazia Natalie se lembrar dos gritos, aqueles gritos estridentes que não acabavam nunca, aqueles gritos que a assombrarão para sempre, os gritos de sua melhor amiga que se debatia desesperadamente enquanto a faca entrava e saia de seu corpo, que afundava na carne e nos órgãos. A visão da cena em sua mente a fez gritar, com a voz falhando e com sua garganta rasgando. Natalie levou as mãos sujas de vermelho até os ouvidos e os tampou com força, ela apertava cada vez mais as mãos em um tentativa desesperada de fazer os gritos pararem, ela queria tanto que eles parassem.

- Está tudo bem? O que aconteceu? - Um homem vestido com o uniforme da polícia gritava para ela, aquilo fez os gritos aumentarem.

- O sangue... - Natalie disse - Eu preciso tirá-lo de mim. - Sua voz chorosa falhava.

Lágrimas entraram em sua boca enquanto ela falava, o gosto era salgado e fez Natalie se contorcer. Teria caído se já não estivesse ajoelhada.

- Alguém ajuda ela! - O policial gritou para ninguém em específico. - Fique aqui, alguém vai vir te ajudar.

Então ele saiu correndo em direção às árvores, em direção a cena do crime, onde o corpo de Hannah se encontrava, onde a cachoeira vermelha estava. Natalie olhou para baixo e o sangue ainda estava em suas mãos, ela tentou limpar mais uma vez, e mais outra, e mais outra e mais outra, ela não podia carregar aquilo com ela.

Colapso SanguinárioStories to obsess over. Discover now