A cozinha está banhada por uma luz dourada e suave, vinda da luminária pendurada sobre a mesa, criando sombras delicadas nas paredes e deixando tudo com um ar íntimo, quase acolhedor demais para uma noite fria como aquela. A janela embaçada denuncia o contraste entre o calor do interior e o vento gelado lá fora. Sobre o fogão, a sopa borbulha lentamente, espalhando pela casa um aroma reconfortante de legumes, ervas frescas e alho refogado, como se o próprio ambiente tivesse sido preparado para um encontro tranquilo e romântico.
Eu também me arrumei para a ocasião. Meu vestido é simples, mas bonito: de tecido leve, em um tom suave de azul que combina com a noite calma, ajustado o suficiente para parecer elegante sem deixar de ser confortável. Nos pés, uso sapatilhas discretas, e meu cabelo está preso de um jeito delicado, com algumas mechas soltas emoldurando meu rosto.
Dou uma última olhada na panela antes de caminhar até a porta.
Assim que a campainha toca, um sorriso involuntário curva meus lábios.
Abro a porta.
— Oi, Dashie.
— Oi, meu amor.
Rainbow sorri daquele jeito despretensioso que sempre consegue acelerar meu coração.
Está exatamente como eu gosto de vê-la quando tenta parecer casual sem perder o charme: uma camiseta escura de gola aberta, por baixo de uma jaqueta leve e desabotoada, jeans desbotados e tênis limpos, como se tivesse feito um esforço consciente para estar bonita sem parecer que fez esforço algum. O resultado é injustamente atraente.
Mal atravessa a soleira, fecho a porta atrás dela e sinto seus braços envolverem minha cintura com naturalidade, como se aquele abraço fosse o lugar mais óbvio do mundo.
— Nem um "como vai"? — pergunto entre uma risada.
— Já tô vendo como você vai.
Reviro os olhos, divertida.
— Boba.
Ela não responde. Apenas aproxima o rosto do meu e une nossos lábios em um beijo calmo, quase preguiçoso, como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Meus braços encontram naturalmente seu pescoço. Ainda me parece estranho pensar que Rainbow Dash é minha namorada.
Minha.
— Vem. A sopa já deve estar pronta.
Seguro sua mão e a conduzo até a cozinha.
A mesa está posta com cuidado, com dois pratos, talheres alinhados e guardanapos dobrados de forma caprichada, porque eu gosto de pensar que pequenos detalhes fazem diferença — especialmente quando a noite é só nossa. Há algo de silenciosamente romântico em tudo aquilo: o cheiro da comida caseira, o som baixo da chuva começando a ameaçar cair, a luz morna refletida nos olhos de Rainbow quando ela entra e olha ao redor como se estivesse vendo um lugar muito mais bonito do que realmente é.
Rainbow se joga em uma das cadeiras de madeira clara. Eu vou até o fogão mexer na sopa.
Conversar com ela no anoitecer de uma sexta-feira sob a luz fraca da minha cozinha já é quase uma tradição. Uma que só aumentou depois que oficializamos nosso namoro. É confortável, familiar. Me sinto bem aqui com ela.
Ademais, enquanto nosso relacionamento não se torna público, preferimos ter privacidade.
— Vem pra cá, tô com saudades de você.
— A gente se viu há três dias. — Eu rio.
— Muito tempo.
Desligo o fogo e caminho até a mesa, sem deixar de rir da carência da minha namorada.
KAMU SEDANG MEMBACA
sexta-feira meio louca | MLP
Fiksi PenggemarDepois de uma semana cansativa, Fluttershy só queria uma noite tranquila: sopa caseira, chuva do lado de fora e um jantar romântico com sua namorada secreta, Rainbow Dash. O plano vai perfeitamente... até três adolescentes bêbadas tocarem a campainh...
