Viver em uma família disfuncional, é quase pior que viver na rua. isso era oque Melina pensava.
Após viver passando de família em família, Melina finalmente encontra uma mulher amorosa, gentil e que a ame o suficiente para ser sua mãe,. Porém, nem...
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Absolutamente tudo dá errado na vida de pobres crianças órfãs hoje em dia Respiro fundo e guardo meu caderno de desenho, ficando de frente com a conselheira. Ela que tem me acompanhado desde a morte da minha mãe. Finjo prestar atenção enquanto a ouço falar sobre responsabilidades e essas coisas, pra variar, o motivo é o de sempre: outra família me devolveu. Já é a 7° família a fazer isso.
Mas cinceramente? Que culpa eu tenho?
São eles que tem preconceito. Tudo que é diferente os assusta. É por esse motivo que prefiro viver no abrigo ou na rua, como já fiz inúmeras vezes ao fugir de alguma casa
Infelizmente, o abrigo em que estou tem limite de idade e eu já estou com 11 anos, é cada vez mais difícil alguma família se interessar, além do mais, eu não posso ir pra rua, Lorreny, minha conselheira, não sai mais do meu pé desde a última fuga.
-você tá me ouvindo, Melina? -pergunta lorreny, me encarando, parando de escrever algo na pasta vermelha aberta no meu nome - ou tá apenas fingindo pra acabar logo?
Suspiro antes de responder
-quer a resposta legal ou a cincera? - tento brincar, mas ela não sorri - credo, sem graça...
Lorreny continua falando, e falando, e falando....
Eu já nem a ouvia direito, estava olhando pela janela. O tempo fechado. Nuvens carregadas. Perfeito.
Começo a brincar de fazer raios, isso é, fazer alguma pose com as mãos discretamente e torcer pra ser ao mesmo tempo que um raio
Fico nisso até me dar conta que Lorreny estava de braços cruzados me encarando
Droga
-Lo, sorria, cuidado com as rugas em? -tento brincar novamente, mas ela suspira e volta a se sentar em minha frente
-nem ouviu oque eu falei, né, sua pestinha? -ela fala, sorrindo de canto. Nego meio envergonhada. - acorde cedo e se arrume amanhã. Vamos visitar uma casa, possível lar para você. - ela finaliza
A encaro
-ah não.... pra que isso? Se mais cedo ou mais tarde eles vão me devolver? -falo, nada feliz com a ideia
-vamos, não reclame sem os conhecer. Agora anda, vai pro seu dormitório - ela murmura e me deixa um beijo na testa antes que eu saia da sala.
Lorreny cuida de muitas crianças, mas ela sempre teve uma preferida, e eu claramente sou ela
Não querendo me achar, claro, mas me sinto muito feliz por ser a única que é tratada assim por Lorreny. Ela é o mais próximo de figura materna que eu já tive, superior que todas as 7 famílias que me devolveram. E esse era um dos motivos de eu não querer sair dali...