Capítulo -14

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Kalid

Youssef pediu uma reunião privada.
Não por meio de um secretário. Não por escrito.
Pessoalmente.

Vindo dele, isso equivale a um sinal de fumaça surgindo no meio de uma cidade.

Aceito.

Recusar seria admitir que ele me preocupa.

E ele me preocupa.

O gabinete reservado fica na ala leste do palácio.

Meu pai escolheu esse cômodo para reuniões que jamais apareceriam em qualquer ata oficial.
Eu o mantive pelo mesmo motivo.

Quando entro, Youssef já está lá.

De pé.
Outro sinal.
Quem espera sentado chegou antes e se acomodou.
Quem espera em pé está pronto para partir... ou para atacar.

— Alteza. — Ele inclina discretamente a cabeça. Um gesto respeitoso na forma, e nada além disso.

— Youssef.

Caminho até a janela e permaneço de costas para ele durante exatamente três segundos.
Tempo suficiente para deixar claro que não tenho pressa.
— Você pediu esta reunião. O tempo é seu.

Ele cruza as mãos atrás das costas.
— Os representantes das províncias do norte me procuraram depois do conselho.
— Eu sei.

Uma breve pausa.

— Sabe?

— Soube antes do jantar. — Viro-me para encará-lo. — Continue.

Ele reajusta a postura.
Quase imperceptível.
Para a maioria.
Não para mim.

— Estão insatisfeitos com o ritmo das mudanças, Alteza. Não com as mudanças em si — acrescenta rapidamente, como se temesse que eu confundisse as duas coisas. — O problema é a ausência de consulta prévia. O conselho existe para que decisões dessa magnitude sejam debatidas antes de serem executadas, não depois.

Deixo o silêncio respirar.

— Está me dizendo que destituir um homem que mantinha crianças em condições de escravidão deveria ter sido submetido a votação?

— Estou dizendo que o processo importa tanto quanto o resultado.

— Importa para quem o processo protege.

Ele sequer pisca.

— O senhor corre o risco de afastar os aliados de que precisará quando chegar o momento de consolidar o trono. Governar sozinho é uma ilusão que seduz reis jovens... e os destrói.

Dou dois passos em sua direção.
Sem pressa.
Sem qualquer ameaça aparente.

— Youssef.

Paro perto o bastante para que minha voz permaneça baixa.
— Você serviu ao meu avô. Serviu ao meu pai. Me viu nascer, crescer e voltar do exterior com ideias que lhe tiraram o sono durante semanas.

Faço uma breve pausa.

— Então me faça o favor de não me tratar como alguém que não percebe o que está fazendo.

Pela primeira vez, algo muda em seu rosto.
Não é surpresa.
É recalibração.

— Não sei ao que o senhor se refere.

— Foi você quem procurou os representantes antes que eu pudesse. Enquadrou minhas decisões como impulsividade. Plantou a ideia de que sou instável.
Sustento seu olhar.
— É uma estratégia antiga. Funciona com reis inexperientes. Comigo, vai funcionar muito menos do que você espera.

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⏰ Last updated: Jul 03 ⏰

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