Lauren
Rocinha, Rio de Janeiro.
Entro em casa e dou de cara com a Raiane sentada na poltrona, acompanhada de outra mina, fazendo maquiagem nela. Minha irmã ergue o olhar assim que me vê. A outra só lança um olhar de canto e volta a atenção pro que tava fazendo.
— Boa tarde. — digo, seco.
Raiane: Boa tarde, Lauren. — responde, no automático.
Travo o maxilar na mesma hora. A merda já tinha sido dita. Ela arregala os olhos, percebendo o erro.
Raiane: Foi mal...
Nego com a cabeça, sem responder. Nesse momento, a mina levanta o rosto e me encara.
Porra. Morena linda pra caralho.
Camilla: Relaxa, eu não ouvi nada. — diz, firme, sem desviar o olhar.
— Tá de boa. — respondo por fim.
Ela abaixa o olhar de novo, e eu atravesso a sala, indo pra cozinha.
Raiane: A mãe saiu quase agora, deixou comida pronta em cima do fogão.
— Saiu pra onde? Ninguém me avisou.
Raiane: Falou que ia resolver uns problema fora da favela. — dá de ombros.
— Essa mulher não para em casa, puta que pariu.
Puxo o rádio da cintura, já sem paciência.
— Dn, por que ninguém me avisou que minha mãe saiu do morro?
Alguns segundos de silêncio do outro lado.
Dn: Pô, chefe, ela saiu com a contenção. Achei que já tinham te passado a visão.
Respiro fundo, irritado.
— Quando chegarem, quero os três na minha sala. Ninguém me passou porra nenhuma.
Dn: Demorô. Já vou deixar avisado.
Assinto sozinho, guardando o rádio na cintura. O silêncio da casa começa a me incomodar mais do que o barulho do morro lá fora.
— Vou comer lá em cima. — aviso, sem olhar pra Raiane.
Ela apenas concorda com a cabeça, já voltando a atenção pra garota, que finge normalidade, mas sinto o olhar dela me acompanhando enquanto eu subo a escada.
Entro no meu quarto e bato a porta. Passo a mão pelo rosto, respirando fundo. Minha mãe fora do morro sem eu saber não era detalhe, era falha.
Jogo o rádio em cima da cama e me aproximo da janela, observando a movimentação lá embaixo. Tudo aparentemente sob controle.
Alguns minutos depois, batidas leves na porta.
— Fala. — digo, sem virar.
A porta se abre devagar.
Raiane: A menina já tá indo embora. — faz uma pausa. — Paga ela pra mim, não tô conseguindo acessar minha conta.
Viro o rosto, encarando ela.
— Folgada pra caralho, você. — me levanto, deixando o prato de lado. — Quando essa porra voltar a funcionar, eu quero meu pix.
Raiane: Pelo amor de Deus, Lauren, esse drama todo por causa de cento e cinquenta reais.
Ergo a sobrancelha, encaro ela por alguns segundos.
— Agora que eu quero mesmo. — respondo, já saindo do quarto.
Desço as escadas com passos firmes. A morena esperava no pé da porta, mexendo no celular.
Quando me vê, guarda no bolso e endireita a postura. Paro a um passo dela, avaliando sem pressa. De perto, era ainda mais bonita, não do tipo óbvia, mas daquela que impõe presença.
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Silêncio na Guerra - CAMREM G!P
FanfictionEntre o caos que me cerca e o poder que me prende, é nela que eu descanso. O único lugar onde a guerra cala e eu lembro que ainda sou humano. LIVRO 1
