THE MISERABLE ROOM — VOLUME 3: CAPÍTULO 1 — O ÚLTIMO ATO
1. O Algoritmo do Vazio
Lentamente, abri as mãos. A luz fosca e intermitente dos reatores subterrâneos do campus batia contra os meus dedos, destacando o líquido viscoso, denso e escarlate que cobria as minhas palmas. Sangue. O fluido vital que o sistema tratava apenas como uma métrica de descarte químico. Encarei aquele rastro vermelho com os olhos totalmente opacos, sentindo o pulso perfeitamente calibrado, sem qualquer alteração na minha frequência cardíaca.
— "A vida é um desafio," — sussurrei para o silêncio de concreto lavado, a voz saindo como o sopro de um exaustor industrial. — "Um teste de estresse onde o operador nunca recebe uma trégua."
Ao olhar para aquele sangue, o meu banco de dados mental disparou um gatilho de memória, trazendo à tona as primeiras linhas de código da minha existência. Imagens estáticas, assépticas e frias começaram a piscar no fundo da minha mente. Eu me vi na infância, vestindo o uniforme branco sem marcas, sentado diante de uma mesa de acrílico sob a supervisão severa e distante do meu pai. Ao redor da mesa, outras crianças da quinta geração da Sala Branca choravam de exaustão, com os eletrodos colados às têmporas.
Eu estava ali, jogando xadrez contra três delas simultaneamente. Meu rosto de criança já era desprovido de qualquer emoção, um espelho vazio que apenas processava vetores e probabilidades de xeque-mate. Com um movimento mecânico, derrubei a última rainha adversária no tabuleiro de vidro.
— "Vocês são inúteis," — minha voz infantil ecoou na lembrança, fria, desprovida de qualquer traço de piedade ou conexão humana. — "Nunca serão escolhidos como os melhores. O algoritmo de vocês é falho."
Naquele complexo governamental, a mediocridade significava a deleção do registro. Mas, no meio daquela escuridão asséptica, uma variável imprevista cruzou o laboratório. Uma luz inesperada abriu os meus olhos, arrancando-me do transe numérico e fazendo-me compreender, pela primeira vez, que aquela estrutura estava errada. Que a Sala Branca era uma distorção.
Afinal, no mundo real, existe igualdade?
Essa é uma pergunta que a sociedade ainda nos faz todos os dias. Professores idiotas, políticos e influencers passam horas debatendo em palcos iluminados, procurando respostas reconfortantes para confortar a massa. Mas a verdade matemática é uma só: é claro que não existe igualdade.
Os fracos são desprezados, pisados e jogados no lixo de forma sistemática pelas elites dominantes. No entanto, no meu tabuleiro, até mesmo os fracos possuem uma função matemática. Em vez de operarem como lixo pisado, amassado e coberto com a merda suja que qualquer um faz nos corredores do poder, eles podem se tornar as peças de sacrifício perfeitas. O lixo de ontem é o combustível que eu uso para quebrar o sistema hoje.
2. A Sala dos Miseráveis
BIP.
O flash escarlate cortou a penumbra do monitor central. A imagem das memórias fragmentadas da Sala Branca desfez-se instantaneamente, dando lugar ao layout atualizado do campus da Pura Elite. Na tela gigante que controlava os setores subterrâneos, uma nova linha de comando subiu em letras garrafais:
"SEJA BEM-VINDOS À SALA DOS MISERÁVEIS: O ÚLTIMO ATO."
O Year 3 havia começado oficialmente, e a escola não tentava mais camuflar a sua natureza de abatedouro sob exames desportivos ou lives de engajamento.
Eu caminhava pelos corredores desertos do Bloco D, os passos ecoando no piso de ferro perfurado. Foi quando o meu bracelete tático vibrou contra o pulso, emitindo um sinal sonoro prioritário. Um e-mail privado havia acabado de furar o bloqueio de rede do Conselho Estudantil de Nagato.
Remetente: Yume Ishikawa (Auxiliar Total)
Assunto: Criptografia Omega
"Olá, Levi. Precisamos da sua ajuda na central técnica imediatamente. Eles lançaram o sistema do Expurgo de forma antecipada. Acho que vamos ser os primeiros a testá-lo..."
Fechei a notificação, os nós dos dedos estralando secamente sob o tecido escuro do meu casaco longo. O Infiltrado da Sala Branca havia mexido os seus primeiros peões antes mesmo do primeiro sinal de aula.
3. O Alvo Invisível
Ao cruzar o limiar da sala de servidores secundários, a iluminação de emergência vermelha piscava ritmicamente, banhando o recinto com a cor do sangue. No centro da sala, diante dos painéis de dados que controlavam o Year 3, a figura de Yume Ishikawa mantinha-se de pé. Seu olhar pós-time skip estava completamente congelado, desprovido de qualquer hesitação ou lealdade antiga.
Ao lado dos geradores de energia, de joelhos e com as mãos amarradas à estrutura de ferro, estava a isca métrica do sistema. Yume aproximou-se de mim com passos lentos, o som das suas botas militares ecoando no metal. Ela parou a escassos centímetros do meu corpo, encarando-me com uma intensidade cortante.
— "Nós conseguimos acesso ao núcleo, Levi," — ela começou a relatar, a voz destituída de calor humano. — "Mas o Infiltrado já sabe que estamos..."
ESTRACO.
O som seco e abafado de um disparo com silenciador cortou a atmosfera do laboratório antes que ela pudesse terminar o relatório. A bala atravessou a vidraça reforçada do subsolo em um ângulo cirúrgico, impossível e milimetricamente calculado.
O impacto foi devastador. O projétil misterioso atingiu em cheio a cabeça de Yume. O corpo dela tencionou por uma fração de segundo, os olhos escuros arregalando-se em choque puro enquanto um rastro de sangue respingava violentamente contra os painéis acesos dos servidores. Sem emitir um único gemido, a força sumiu das suas pernas e ela desabou pesadamente contra o solo de concreto úmido.
No mesmo instante, o bracelete eletrônico no pulso de Yume Ishikawa acendeu em uma linha escarlate contínua, emitindo o bipe agudo que decretava a sua eliminação definitiva do ecossistema. O tiro fora perfeito. Sem aviso, sem rastro visual ou assinatura de calor. No escuro das sombras, o Infiltrado da Sala Branca havia feito a sua primeira jogada de eliminação.
— "Que os jogos comecem," — murmurei para o vazio, os meus olhos esmeralda estreitando-se enquanto o cronômetro do Year 3 iniciava a contagem regressiva nas telas ensanguentadas.
FIM DO CAPÍTULO 1
DU LIEST GERADE
The miserable room final
ActionNo tabuleiro de Nagato Hashimoto, os fracos viram estatística. Mas o que acontece quando o operador do sistema decide quebrar o código-fonte?" Após sobreviver ao massacre psicológico do navio, Levi Kurosaki - o lendário prodígio da quinta geração da...
