Aos 13 anos, Stella Santos já conhecia a dor melhor do que deveria. O abandono familiar, o bullying e as batalhas silenciosas contra a ansiedade, as crises de pânico, a depressão e o transtorno de personalidade borderline fizeram com que ela acredit...
Aos 13 anos, Stella já havia aprendido uma lição que nenhuma criança deveria aprender: algumas pessoas que prometem ficar são as primeiras a partir.
Naquela manhã, o despertador tocou às seis horas, mas ela já estava acordada.
O teto branco do quarto parecia mais interessante do que enfrentar mais um dia na escola.
Suspirando, ela se levantou devagar. Seus olhos estavam inchados de uma noite mal dormida. As olheiras escuras denunciavam o cansaço que ela carregava havia meses.
Ou talvez anos.
Ela caminhou até o espelho e observou seu reflexo.
Não gostava do que via.
Não porque fosse feia.
Mas porque não conseguia reconhecer a menina que existia ali.
Os sorrisos haviam desaparecido há muito tempo.
- Stella! Sua inútil, anda, o mínimo que tem que fazer é estudar, já que consegue estragar tudo, vai logo já está atrasada! - uma voz gritou do outro lado da porta.
- Já estou indo - respondeu sabendo que era mentira
Ela ainda não estava pronta.
Nem para a escola.
Nem para a vida.
Nem para enfrentar as pessoas que faziam questão de lembrá-la todos os dias que ela não era suficiente.
Quando chegou à escola, tudo aconteceu como sempre.
Os olhares.
Os cochichos.
As risadas.
Ela abaixou a cabeça quando um grupo passou rindo alto, sabendo, pelo canto do olho, que os dedos apontavam na sua direção
Era como se sua existência fosse um convite para que os outros encontrassem algo para criticar.
Stella fingia não ouvir.
Fingia não se importar.
Mas cada palavra encontrava um lugar dentro dela.
E doía.
Durante o intervalo, sentou-se sozinha no banco mais afastado do pátio.
Enquanto observava os outros alunos conversando e rindo, uma pergunta surgiu em sua mente.
"Por que parece tão fácil para todo mundo, menos para mim?"
Ela não sabia a resposta.
Na verdade, havia muitas coisas que ela não sabia.
Não sabia por que se sentia tão cansada.
Não sabia por que seu coração acelerava sem motivo.
Não sabia por que algumas noites chorava até dormir.
E não sabia por que, mesmo cercada de pessoas, se sentia tão sozinha.
Mas uma coisa ela sabia.
Estava cansada de fingir que estava tudo bem.
Porque não estava.
E, no fundo, Stella tinha medo de que ninguém percebesse.
Ou pior.
De que percebessem e simplesmente não se importassem.
Naquele momento, ela ainda não imaginava que sua vida mudaria.
Ainda não sabia que, anos depois, alguém pisaria em sua vida quando ela mais precisasse.
Alguém que não tentaria apagar suas cicatrizes.
Mas que a ensinaria que elas não precisavam definir quem ela era.
Por enquanto, porém, Stella era apenas uma garota de treze anos tentando sobreviver a mais um dia.
E, às vezes, sobreviver já parecia difícil o bastante.
. . . . . . .
Bom, foi isso. Não sei se ficou bom, mas estou tentando criar coragem para mostrar algumas das coisas que escrevo quando estou entediada ou quando a inspiração simplesmente aparece bjs e até o próximo capítulo 😘😘 503 palavras
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