Numa noite chuvosa em Gotham.
Batman e Robin patrulhavam pela cidade.
Tim estava aéreo. Fazia apenas um dia que seu melhor amigo, Conner Kent, tinha morrido em uma missão.
O momento se repetia em sua cabeça: Conner sendo atingido, o grito desesperado de Cassie Sandsmark, o corpo frio de Conner, a chegada de Superman, que levou o filho em desespero. Tim ainda tinha esperança de que seu parceiro estivesse vivo.
O pensamento foi interrompido pela pergunta de Batman:
- Você tem certeza de que está bem? Podemos voltar, se quiser.
Tim parou de caminhar.
- Estou.
Bruce Wayne sabia que Tim não estava bem, mas não sabia como ajudá-lo. Era como se Tim fosse um reflexo dele quando criança: a culpa guardada, a tristeza acumulada. Bruce sabia que aquilo não acabaria bem.
Após a patrulha, os heróis voltaram para a Mansão Wayne, já vestidos com roupas civis.
- Nenhum criminoso fugiu do Arkham. Que bom, não é? - perguntou Bruce, tentando puxar assunto.
- Sim.
Bruce suspirou.
- Filho... eu sei que é difícil perder alguém...
- Eu estou bem.
Tim acelerou o passo e entrou em seu quarto. Deitou-se na cama.
A cena voltava à sua cabeça. O sentimento de impotência que havia sentido naquele momento. A culpa por não ter conseguido salvar Conner.
Bruce observava o filho pela fresta da porta.
O telefone começou a tocar. Era Dick Grayson.
- Bruce, já cheguei em Gotham. Tô indo pra aí.
- Você não vai para o enterro do Conner?
- Claro que vou. Mas preciso pegar um dos seus ternos. Não tenho nenhuma roupa preta em Blüdhaven.
De repente, uma ideia surgiu na mente de Bruce.
- Dick, preciso que você ajude o Tim com a morte do Conner. Ele está devastado. E eu...
Dick o interrompeu.
- Não é bom em consolar as pessoas.
- Exato.
Bruce desligou e voltou a olhar para Tim, deitado na cama, encarando o teto.
Dick chegou usando uma camisa azul e uma calça cargo preta.
- Gotham não mudou nada. Continua com a mesma escuridão de sempre.
Dick entrou na mansão.
- Cadê o Tim?
- Está no quarto.
Dick entrou no quarto com um sorriso discreto no rosto. Tim o encarou com um olhar abatido.
- Dick? Pensei que você iria direto para Metrópolis.
- Decidi passar aqui antes. Ver como vocês estão.
Dick fechou a porta e se sentou na cama.
- Eu sei que é difícil passar por um luto.
- Eu estou bem.
- Quando a Abigail morreu, eu também estava "bem".
Dick encarou Tim com um olhar sério.
- Mas, na verdade, eu estava muito longe disso. Ninguém fica "bem" depois da morte de alguém que ama.
- Eu... eu...
A voz de Tim falhou, e seus olhos se encheram de lágrimas.
- Que tal irmos a uma sorveteria para espairecer um pouco? Ganhei cinquenta dólares de uma senhorinha por ajudá-la a atravessar a rua.
- Ok.
Tim se levantou. Finalmente tinha se sentido compreendido por alguém desde a morte de Conner.
No dia seguinte.
Dick e Bruce usavam ternos pretos enquanto esperavam Tim se arrumar.
Dick decidiu ir até o quarto e encontrou Tim ajoelhado no chão, já vestido para o funeral.
- Tim? O que houve?
- Eu realmente preciso ir?
- Tim... você não precisa se aproximar do caixão nem nada assim. Mas precisamos ir para apoiar os outros.
Tim suspirou e se levantou.
A ideia de ver o desespero dos familiares e amigos era como reviver aquela cena.
Em Metropolis, o céu estava ensolarado.
Bruce chegou ao local. Os outros membros da Liga da Justiça já estavam presentes.
Bruce se aproximou de Clark, que estava abraçado em Lois Lane.
- Clark... sinto muito.
- Foi tudo culpa minha. Eu deixei ele morrer, Bruce.
- Não há culpados nessa história.
Do outro lado do local, Cassie chorava desesperadamente, ajoelhada no chão.
Bart Allen tentava disfarçar o choro, limpando as lágrimas com a camisa.
Tim permanecia imóvel. Sua expressão não demonstrava sentimento algum. Ele evitava olhar para o caixão.
As memórias voltavam. A cena voltava. E a culpa também.
Mesmo depois da conversa com Dick, aquele sentimento continuava ali, crescendo cada vez mais.
As horas passavam, e Tim permanecia parado, imerso nas lembranças.
Até que sentiu uma mão em seu ombro. Era Cassie.
- Tim, o tio Clark mandou avisar que o corpo vai ser levado para a Fortaleza da Solidão daqui a alguns minutos.
Tim olhou para o caixão. Hesitou por um instante, mas tomou coragem e se aproximou.
Lá estava Conner. O corpo pálido, o rosto sem vida e o algodão em seu nariz.
- Kon...
Tim encarou o corpo do amigo por alguns segundos.
Então desabou.
As lágrimas caíram sobre o caixão junto com seu corpo, que se apoiou nele em um abraço desesperado.
Seu melhor amigo estava morto.
E, pela primeira vez, Tim realmente havia percebido aquilo.
Conner não iria voltar.
E Tim precisaria aprender a viver sem ele.
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Robin: Luto
FanfictionApós a morte de Conner Kent, Tim Drake mergulha em um luto silencioso e destrutivo. Incapaz de aceitar a perda do melhor amigo, Tim se afasta de todos ao seu redor enquanto transforma a dor em patrulhas exaustivas, noites sem dormir e um vazio que c...
