Capitulo 1 A Chegada Em Seoul

18 3 5
                                        

A cidade de Seul brilhava intensamente sob as luzes neon enquanto S/N observava tudo pela janela do táxi.
Os prédios enormes. As ruas movimentadas. Os letreiros iluminando a madrugada como se a cidade nunca dormisse.
Aos 25 anos, ela queria acreditar que aquilo significava um novo começo.
Depois de anos carregando dores que nunca contou completamente para ninguém, finalmente tinha conseguido uma oportunidade para trabalhar na área da medicina em um dos hospitais mais renomados da Coreia do Sul.
Talvez fosse sua chance de respirar outra vez.
De viver sem sentir o peso constante do passado.
E não estaria sozinha.
Min-Ji, sua melhor amiga, morava em Seul há anos e praticamente implorou pra S/N a aceitar a proposta.
—Você precisa voltar a viver - Min-Ji repetia em quase todas as ligações.
—E Seul pode ser exatamente o que você precisa.
Naquele instante, olhando as luzes da cidade refletirem no vidro da janela, S/N realmente tentou acreditar nisso.
Quando o táxi finalmente parou em frente ao prédio, Min-Ji apareceu quase imediatamente.
—FINALMENTE!
Ela correu para abraçá-la tão forte que S/N quase perdeu o equilíbrio.
—Achei que você desistiria no último segundo!
S/N riu fraco, cansada da viagem.
—Ainda estou tentando entender como vim parar do outro lado do mundo.
—E eu ainda tô tentando entender como você demorou tanto.
Min-Ji pegou uma das malas dela animadamente enquanto entravam no prédio.
—Você vai amar aqui.
A cidade é caótica, cara e estressante... —Mas pelo menos é bonita.
S/N soltou uma pequena risada.
Fazia tempo que não ria daquele jeito.
O apartamento era confortável. Moderno.
Aconchegante até.
Pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que talvez as coisas realmente pudessem melhorar.
Mas aquela sensação durou pouco.
Porque menos de três horas depois, Min-Ji já estava jogando roupas em cima da cama.
—Se arruma.
—O quê?
—Vamos sair.
S/N arregalou os olhos.
—Min-Ji, eu passei horas dentro de um avião!
—E agora vai passar horas numa festa.
—Eu nem conheço ninguém aqui!
—Ótimo.
E assim que se recomeça a vida.
S/N pegou um travesseiro e jogou nela.
—Você é insuportável.
Min-Ji apenas sorriu.
—Além disso...
—Essa não é qualquer festa.
Aquilo chamou a atenção dela imediatamente.
—Como assim?
Min-Ji abaixou a voz dramaticamente.
—Gente rica. Empresários. Celebridades. E pessoas perigosas.
S/N arqueou a sobrancelha.
—"Perigosas"?
—Relaxa.
—É só uma festa de luxo.
Mas algo na forma como Min-Ji falou aquilo fez um pequeno desconforto surgir no peito dela.
Horas depois, S/N observava o enorme salão do hotel completamente impressionada.
Tudo ali parecia absurdo.
Lustres gigantes brilhavam sobre o ambiente elegante enquanto música baixa preenchia o ar. Pessoas importantes caminhavam pelo salão usando roupas caras, sorrisos falsos e olhares arrogantes.
Ela claramente não pertencia àquele lugar.
—Estou desconfortável - murmurou baixo.
Min-Ji apenas olhou e disse.
—Você fica linda até desconfortável amiga, então para de reclamar aproveita.
S/N pegou uma taça de bebida apenas para ocupar as mãos.
Foi então que sentiu.
Um olhar.
Pesado.
Intenso.
Como se alguém a analisasse silenciosamente do outro lado do salão.
Ela levantou os olhos devagar.
No segundo andar da área VIP, Min Yoongi a observava.
Imóvel.
Os dedos apoiados calmamente sobre o copo de whisky enquanto os olhos escuros permaneciam fixos nela.
Aos 30 anos, Yoongi era conhecido publicamente como um empresário extremamente influente.
Frio.
Inteligente.
Intocável.
Mas aquilo era apenas a máscara perfeita.
Porque por trás dos ternos caros e da expressão controlada, existia o homem que comandava uma das organizações criminosas mais perigosas da Coreia do Sul.
Um mafioso temido até pelos próprios aliados.
Ao lado dele, Taehyung percebeu imediatamente o olhar prolongado.
—Não acredito nisso...
Yoongi permaneceu em silêncio.
Taehyung soltou uma risada baixa.
—Min Yoongi interessado em alguém? —O mundo realmente tá acabando.
—Cala a boca.
A resposta veio fria.
Mas Yoongi continuou olhando para ela.
Havia algo diferente naquela garota.
Ela não parecia deslumbrada pelo luxo. Nem desesperada por atenção como a maioria das pessoas naquele lugar.
Parecia apenas... perdida.
E aquilo despertou algo perigosamente raro nele:
Curiosidade.
Mais tarde, enquanto Min-Ji conversava com algumas pessoas importantes, S/N decidiu sair um pouco do salão.
Precisava respirar.
Os corredores do hotel estavam silenciosos comparados ao caos elegante da festa.
O som distante da música ecoava fracamente enquanto ela caminhava distraída.
Então ouviu vozes.
Mas não eram conversas normais.
—O carregamento chega amanhã. Sem erros dessa vez.
S/N parou imediatamente.
—E quanto ao traidor?
—O chefe mandou eliminar.
O coração dela disparou.
Eliminar?
Ela reconheceu a voz no mesmo instante.
Yoongi.
Movida pela curiosidade e pelo nervosismo, S/N acabou olhando discretamente pela abertura da porta.
E congelou.
Homens armados.
Documentos espalhados sobre a mesa.
Expressões sérias.
Perigosas.
Aquilo não era apenas uma reunião.
Era uma negociação ilegal.
Seu instinto gritou para sair dali imediatamente.
Mas ao dar um passo para trás, seu braço esbarrou sem querer em um vaso decorativo.
Então a porta se abriu lentamente.
E Yoongi apareceu primeiro.
A expressão calma.
Os olhos escuros.
Assustadoramente frios.
O olhar dele encontrou o dela imediatamente.
E naquele instante...
S/N percebeu que tinha acabado de cometer o maior erro da sua vida.
O silêncio no corredor ficou sufocante.
Atrás dele, os outros homens também encaravam ela agora.
Um deles segurava uma arma visivelmente na cintura.
Outro fechou a pasta sobre a mesa rapidamente.
S/N sentiu o coração disparar.
—Eu...
A voz falhou.
Ela deu um passo para trás automaticamente.
—Eu tava procurando o banheiro.
Mentira horrível.
Ninguém acreditou.
Taehyung soltou uma risada fraca dentro da sala.
—Ela ouviu tudo, Yoongi.
Os olhos de S/N voltaram imediatamente para Yoongi.
Mas ele continuava em silêncio.
Observando.
Aquilo era pior do que gritar.
Porque parecia que ele estava tentando decidir o que fazer com ela.
Então Yoongi caminhou lentamente até o corredor.
Passos calmos.
Controlados.
Perigosos.
S/N prendeu a respiração quando ele parou na frente dela.
Muito perto.
—Qual seu nome?
A pergunta pegou ela desprevenida.
—S-S/N...
Yoongi inclinou levemente a cabeça, como se gravasse aquilo na memória.
Então os olhos dele desceram rapidamente para a taça nas mãos dela.
Ela estava nervosa.
E ele percebeu imediatamente.
—Você ouviu quanto?
O coração dela parecia prestes a sair pela boca.
—Nada demais... - Eu nem entendi direito...
Outro homem dentro da sala soltou uma risada debochada.
—Ela tá mentindo.
S/N sentiu o desespero aumentar.
—Eu juro que não vou contar pra ninguém.
Yoongi permaneceu encarando ela em silêncio por alguns segundos.
Então perguntou calmamente:
—Você sempre entra em lugares proibidos assim?
A pergunta quase pareceu provocação.
Mas antes que ela pudesse responder, Taehyung falou outra vez:
—A gente devia resolver isso agora.
O clima mudou instantaneamente.
S/N percebeu o significado por trás daquela frase.
—Espera-
Ela olhou rapidamente para Yoongi.
—Eu realmente não vou falar nada. - Eu nem conheço vocês!
—Sou nova aqui.
Yoongi continuava absurdamente calmo.
Aquilo deixava tudo pior.
Porque ela não conseguia prever o que ele estava pensando.
Então, para surpresa dela, ele estendeu a mão lentamente.
Pegou a taça vazia dos dedos dela e colocou sobre a mesa ao lado.
Sem desviar o olhar.
—Vai embora, S/N.
Ela piscou confusa.
—O quê...?
—Finja que nunca viu isso.
Os homens dentro da sala imediatamente protestaram.
—Yoongi-
—Ela é um problema.
—Isso é arriscado demais.
Mas Yoongi nem sequer olhou para eles.
Os olhos escuros continuavam presos nela.
—Vá embora antes que eu mude de ideia.
S/N não pensou duas vezes.
Virou rapidamente e saiu pelo corredor com o coração disparado.
Mas mesmo indo embora...
Ela ainda conseguia sentir o olhar dele a seguindo até desaparecer completamente.
Naquela madrugada, enquanto voltava sozinha para casa, um carro preto bloqueou a rua de repente.
Tudo aconteceu rápido demais.
Homens saíram do veículo antes que S/N pudesse reagir.
—Me solta! SOCORRO!
Ela tentou lutar desesperadamente, mas foi puxada para dentro do carro à força.
A respiração estava descontrolada.
O medo queimava dentro dela.
Então viu.
Yoongi estava sentado no banco da frente ao lado do motorista.
Calmo.
Frio.
Como se aquilo fosse apenas parte da rotina dele.
Taehyung dirigia em silêncio, os olhos atentos na estrada molhada.
Yoongi virou levemente o rosto para trás.
Os olhos escuros encontraram os dela imediatamente.
—Você viu coisas que não deveria,
S/N.
A voz baixa fez um arrepio subir pelo corpo dela inteiro.
O medo queimava no peito.
Mas ao mesmo tempo...
algo dentro dela parecia estranhamente vazio.
Talvez fosse o choque.
Talvez o cansaço.
Ou talvez ela simplesmente tivesse percebido que não tinha controle daquela situação.
Então, lentamente, S/N ergueu os olhos para ele.
E perguntou com uma calma assustadora:
—Você vai me matar?
O silêncio dentro do carro ficou pesado imediatamente.
Taehyung apertou levemente o volante.
Porque a pergunta não saiu desesperada.
Não saiu chorando.
Saiu fria.
Quase vazia.
Como se ela realmente acreditasse naquilo.
Um arrepio percorreu a espinha de Taehyung.
E quando ele olhou rapidamente pelo retrovisor...
percebeu que Yoongi também tinha sentido.
Os dois trocaram um olhar estranho por um breve segundo.
Porque havia algo profundamente perturbador naquela calma em que ela estava.
Yoongi voltou os olhos lentamente para S/N.
Ela continuava encarando ele sem implorar.
Sem negociar.
Sem tremer.
Aquilo incomodou mais do que deveria.
Por alguns segundos, ele permaneceu em silêncio.
Então perguntou baixo:
—Você acha que eu faria isso?
S/N soltou uma pequena risada sem humor algum.
Os olhos desviaram para a janela molhada do carro.
—Pessoas como você sempre fazem isso.
—Patetico.
A frase fez o clima dentro do veículo ficar ainda mais pesado.
Taehyung ficou completamente em silêncio.
E pela primeira vez naquela noite...
a expressão de Yoongi mudou.
Os olhos escuros ficaram mais frios. Mais fechados.
Mas não por raiva.
Parecia outra coisa.
Algo que nem ele soube explicar.
S/N voltou a olhar para ele devagar.
—Então?
—Vai me matar ou não?
Yoongi sustentou o olhar dela por alguns segundos.
Tentando entender aquela garota estranha que parecia mais resignada do que assustada.
Então respondeu calmamente:
—Não.
A confusão apareceu imediatamente no rosto dela.
—O quê...?
Yoongi desviou o olhar por um instante antes de continuar:
—Mas também não posso deixar você ir embora.
O coração dela acelerou imediatamente.
—O que quer dizer...?
Ele pegou um pequeno lenço do bolso, sem pressa.
—Quer dizer que, a partir de agora...
—Você fica comigo.
Os olhos dela arregalaram.
—Espera, não-
Antes que pudesse reagir, um dos homens segurou seus braços enquanto Yoongi aproximava o lenço lentamente.
O cheiro forte atingiu seu nariz imediatamente.
S/N tentou se afastar.
—NÃO-
A visão começou a ficar turva.
As luzes da cidade desapareceram lentamente diante dos seus olhos enquanto o pânico tomava conta dela.
A última coisa que viu antes de apagar completamente...
foi Yoongi observando ela em silêncio.
E aquilo assustava mais do que qualquer ameaça.
S/N acordou lentamente com a cabeça latejando.
Por alguns segundos, tudo parecia confuso demais.
O teto branco, o cheiro leve de café vindo de algum lugar distante, e o silêncio assustador daquele ambiente fizeram seu corpo gelar.
Ela se levantou rapidamente da cama desconhecida.
—Onde eu estou...?
O quarto era enorme.
Luxuoso.
Mas completamente fechado.
As cortinas escuras bloqueavam quase toda a luz do sol, e a única porta do quarto estava trancada.
Naquele instante, as lembranças da noite anterior voltaram com força.
O carro preto.
Os homens armados.
Yoongi.
Seu coração disparou.
S/N correu até a porta e tentou abri-la , sem sucesso.
—Ei!
Nada.
Ela bateu forte várias vezes até ouvir passos do outro lado.
A porta finalmente se abriu.
E Min Yoongi apareceu.
Vestido inteiramente de preto, com os cabelos escuros levemente bagunçados e uma expressão calma demais para alguém que literalmente havia sequestrado uma pessoa.
—Terminou?
S/N o encarou incrédula.
—Você é completamente maluco?!
Yoongi entrou no quarto sem demonstrar reação.
—Bom dia pra você também.
—ME DEIXA IR EMBORA!
Ela tentou passar por ele, mas Yoongi segurou seu braço antes.
Não forte o suficiente para machucar.
Mas firme o bastante para impedi-la.
—Lá fora existem pessoas querendo te matar agora.
—E você acha que isso melhora alguma coisa?!
—Sim.
Os olhos dele permaneceram frios.
—Porque comigo você continua viva.
S/N soltou o braço bruscamente.
—Você não pode simplesmente decidir isso por mim!
Yoongi ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder:
—Nesse mundo, escolhas nem sempre existem.
Aquela frase fez um arrepio percorrer o corpo dela.
Porque pela primeira vez S/N percebeu algo estranho nele.
Cansaço.
Como se Yoongi carregasse o peso do mundo inteiro sozinho.
Mas ela afastou rapidamente aquele pensamento.
Ele ainda era perigoso.
Muito perigoso.
Mais tarde, S/N descobriu que a mansão era praticamente impossível de escapar.
Homens armados ficavam espalhados por toda a propriedade, câmeras monitoravam tudo e enormes portões cercavam o lugar.
Era realmente uma prisão.
Durante o almoço, ela desceu as escadas decidida a confrontá-lo novamente.
Mas parou ao perceber vários homens reunidos na sala principal.
Entre eles estavam Jungkook, Namjoon e Hoseok.
Todos armados.
Todos perigosamente silenciosos.
Quando S/N apareceu, os olhares imediatamente recaíram sobre ela.
—Então essa é a garota? - Jungkook perguntou curioso.
S/N cruzou os braços irritada.
—"A garota" tem nome.
Hoseok soltou uma risada baixa.
Yoongi apenas surgiu atrás dela calmamente.
—Não encostem nela.
A atmosfera mudou imediatamente.
Porque todos ali entenderam uma coisa:
Yoongi estava protegendo aquela mulher.
E isso era algo raro.
Naquela noite, S/N não conseguiu dormir.
A chuva forte batia contra as janelas da mansão enquanto pensamentos caóticos ocupavam sua mente.
Ela precisava fugir.
Precisava.
Mas antes que pudesse pensar em qualquer plano, sons de tiros ecoaram do lado de fora.
S/N se levantou assustada.
Gritos.
Passos apressados.
Mais tiros.
Seu corpo começou a tremer automaticamente.
Ela saiu do quarto correndo e encontrou homens armados pelos corredores.
—O que está acontecendo?! - perguntou desesperada.
Ninguém respondeu.
Até que Yoongi apareceu no fim do corredor segurando uma arma.
Havia sangue em sua camisa preta.
E aquilo fez S/N congelar.
Os olhos dele encontraram os dela imediatamente.
—Volta pro quarto.
—Você está ferido?!
—Agora não, S/N.
Mas ela ignorou completamente o tom frio dele.
Seu olhar caiu no sangue escorrendo lentamente pelo braço dele.
Instintivamente, o lado médico dela falou mais alto.
—Você precisa tratar isso.
Yoongi pareceu surpreso.
Talvez porque aquela fosse a primeira vez em anos que alguém olhava para ele com preocupação... em vez de medo.
Depois de alguns segundos em silêncio, ele entregou a arma para um dos homens ao lado.
E caminhou até ela.
—Você realmente é estranha.
—E você realmente leva tiros como se fosse normal.
Pela primeira vez, um pequeno sorriso apareceu no rosto de Yoongi.
Fraco.
Quase invisível.
Mas real.
E aquilo foi suficiente para deixar o coração de S/N perigosamente confuso.

A deusa  da morteStories to obsess over. Discover now