Havia algo errado com s/n.
Não era algo que pudesse explicar. Nem algo recente.
Era constante. Silencioso.
Como se algo estivesse sempre ali... observando.
Os sonhos nunca ajudaram.
Sempre os mesmos.
Uma floresta escura. A luz da lua atravessando as árvores. E aquela sensação no peito...
Como se algo dentro dela estivesse tentando despertar.
Naquela noite, a lua cheia iluminava tudo com intensidade demais.
E foi aí que começou.
A respiração de s/n falhou de repente.
Seu corpo enrijeceu.
Uma dor forte tomou conta do peito, se espalhando rápido demais.
- s/n?
A voz do guardião surgiu atrás dela.
Mas ela mal conseguia responder.
Era como se algo dentro dela estivesse reagindo. Se movendo. Forçando espaço.
- Eu... não tô bem...
A frase saiu fraca, quebrada.
E então o som de algo se quebrando ecoou pela casa.
Um objeto foi lançado contra a parede, sem que ela encostasse nele.
O silêncio que veio depois foi pior.
Muito pior.
O guardião já estava ao lado dela. Rápido demais. Como se já esperasse por aquilo.
- Olha pra mim.
Ele segurou o rosto dela com firmeza.
- Respira.
Mas não era simples.
O corpo dela não obedecia.
A energia que corria dentro dela era instável, pesada, perigosa.
- Fica comigo - ele insistiu.
A mão dele segurou a dela com força, como uma âncora.
Aos poucos, a sensação começou a diminuir.
A dor recuou.
A respiração voltou.
Mas algo tinha mudado.
E os dois sabiam disso.
- O que foi isso...?
A voz de s/n saiu baixa, confusa, assustada.
O guardião não respondeu.
Como sempre.
- Isso não é normal - ela insistiu, dando um passo pra trás - você viu.
Ele fechou os olhos por um breve momento, como se estivesse decidindo algo.
- Você precisa descansar.
- Não.
A resposta veio imediatamente.
- Eu preciso de respostas.
Mas ele não deu nenhuma.
De novo.
Minutos depois, s/n já estava do lado de fora.
Precisava de ar.
Precisava pensar.
A rua estava vazia, silenciosa, iluminada pela lua cheia e as luzes fracas dos postes.
E então... a sensação de ser observada voltou.
Mais clara.
Mais intensa.
Foi então que ela percebeu que não estava sozinha.
- Você sente isso também, não sente?
A voz masculina veio calma, firme, como se já fizesse parte daquele lugar.
s/n se virou rapidamente.
Ele estava ali.
Sem pressa. Sem ameaça aparente. Mas com algo nos olhos que deixava claro que ele não era comum.
- Quem é você? - a voz dela saiu mais dura do que pretendia.
Ele não respondeu de imediato. Apenas a observou por alguns segundos, como se estivesse confirmando algo que já suspeitava.
- Então é verdade... - murmurou, mais para si do que para ela.
- Verdade o quê?
Ele deu um leve passo à frente, mas sem invadir completamente o espaço dela.
- Você não parece saber o que está acontecendo com você.
- Eu não te conheço - ela respondeu, já desconfiada.
Um leve sorriso surgiu no canto dos lábios dele, sem humor.
- Não precisa me conhecer.
Ele inclinou levemente a cabeça, a analisando de outro ângulo.
- Mas eu conheço esse tipo de energia.
s/n sentiu um incômodo estranho no peito.
Como se o próprio corpo reagisse à presença dele.
- Você tá me seguindo?
- Não. - ele respondeu rápido. - Eu vim porque você chamou atenção.
- Eu não chamei atenção de ninguém.
- Isso é o que você acha.
Ele então desviou o olhar por um instante, como se confirmasse algo interno.
- Interessante... ainda não foi totalmente despertada.
- Do que você tá falando?
Dessa vez, ele não respondeu de imediato.
E quando falou, foi como se escolhesse cada palavra com cuidado.
- Você deveria ficar perto de quem te entende... antes que outros encontrem você também.
- Outros quem?
Mas ele já estava se virando.
Como se aquela conversa já tivesse cumprido seu propósito.
- Aproveite enquanto ainda não sabe a verdade, s/n.
Ela congelou.
- Como você sabe meu nome?
- Porque você não é tão desconhecida quanto pensa.
E então ele se virou.
Desaparecendo na escuridão.
Deixando apenas o silêncio.
E uma sensação impossível de ignorar.
Algo tinha começado.
E não havia mais volta.
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O Trono da Lua
Fantasys/n sempre sentiu que havia algo errado. Sonhos que se repetem. Uma presença constante nas sombras. E uma sensação impossível de ignorar... de que está sendo observada. Mas quando a lua cheia desperta algo dentro dela - instável, perigoso e fora de...
