O relógio marcava três da manhã quando um gato saltava da janela de sua casa rumo às ruas solitárias do bairro. Esse é Tomas, um gato arisco que gosta de se aventurar pelas sacadas altas da vizinhança, ainda que não o fizesse com frequência, já que sua humana tendia a ser protetora e frequentemente fechava as janelas ao cair da tarde, a fim de evitar suas saídas noturnas.
Felizmente, essa noite, sua tutora esqueceu de fechar as janelas, dando oportunidade para Tomas sair em mais uma de suas escapulidas. "Hoje a sorte parece estar ao meu lado", pensou ele enquanto vagava pelas ruas desertas.
Porém, parou abruptamente ao ouvir um barulho. Ele congelou, estático, enquanto olhava receoso para os lados, tentando identificar a origem do som. Ignorando o arrepio que subiu pela sua espinha, ele voltou a caminhar. Contudo, obrigou-se a parar novamente assim que outro ruído alcançou seus ouvidos. Aguçando os sentidos, Tomas localizou a fonte do alvoroço: vinha de um beco escuro logo adiante.
Receoso, porém tomado pela curiosidade, ele se aproximou do beco com cautela. O breu do lugar parecia engoli-lo; enquanto a distância crescia, o pavor lhe envolveu, mas o retorno já não era mais possível. Ao adentrar mais o lugar, Tomas se deu conta de que já não enxergava, restando-lhe apenas prosseguir pelo caminho incerto.
Ao chegar ao final do beco, Tomas viu algo que jamais esqueceria....mas o choque foi interrompido pelo som estridente de vidro se quebrando, fazendo-o se encolher e fechar os olhos por alguns instantes. Ao reabri-los, percebeu que o beco escuro fora substituído pelo conforto familiar de seu lar. Ao notar que suas patas ainda estavam secas e seguras, a ficha caiu: o gato bocejou, percebendo que aquela jornada não passava de um sonho. O pequeno frustrou-se, deitando a cabeça sobre as patas novamente...
