O Garoto que Conversa com Pedras

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O sol de Valdoria não nascia simplesmente; ele escalava as montanhas de ferro e pedra, revelando uma metrópole que era um milagre de engrenagens e luz. Construída sobre abismos profundos, a cidade medieval steampunk pulsava ao ritmo de pistões hidráulicos e o brilho constante dos cristais azulados que alimentavam suas forjas. Torres de cristal, como lanças de luz, furavam o céu matinal, enquanto a fumaça negra das chaminés se misturava à névoa das minas.

Nas ruas de pedra, o som dos passos dos mineradores era um metrônomo constante. Homens e mulheres de rostos sujos de fuligem entravam nas entranhas da terra, guiados por lanternas que guardavam pequenos fragmentos de estrelas capturadas.

— “Minha avó dizia que cada pedra guarda uma memória…” — a voz de Lior Valen ecoava em seus próprios pensamentos, suave e nostálgica, enquanto ele caminhava no sentido oposto ao fluxo de trabalhadores.

Ele parou diante de uma vitrine. Um cristal vermelho pulsava ali, como um coração apressado. Mais adiante, um azul brilhava com a serenidade de um oceano profundo. Para a maioria, eram apenas baterias. Para Lior, eram histórias esperando para serem contadas.

— “Algumas são felizes. Outras são tristes. Mas todas... todas brilham do seu próprio jeito.”

Lior se abaixou e pegou uma pedra cinza, comum e sem brilho, que rolava pelo chão de terra das minas exteriores. Ele a limpou com o polegar, sentindo a vibração quase imperceptível da rocha. Para o mundo, era cascalho. Para ele, era uma nova amiga.

Lior tinha quinze anos e uma imaginação que preocupava os adultos. Vestido com um colete marrom gasto e calças remendadas, ele passava mais tempo agachado no Setor 3 do que realmente minerando.

— Você é bonita também... — sussurrou ele para a pedra cinza, girando-a contra a luz do sol. — Só precisa de alguém que te veja de verdade.

Ao limpar a superfície áspera na manga da camisa, um brilho pálido e momentâneo emanou do núcleo da rocha. Lior sorriu, guardando-a em sua bolsa transversal já pesada.

— Lior! — o grito de Jacob, um minerador veterano de ombros largos, quebrou o transe do garoto. — Para de bater papo com os calhaus e vem trabalhar! O capataz já está perguntando por você!

Lior saltou, quase perdendo o equilíbrio.
— Já vou, Jacob! Só estava... ouvindo o que elas tinham a dizer!

Jacob soltou uma risada rouca, empurrando seu carrinho cheio de minério bruto.
— Esse garoto... Um dia vira mestre minerador ou acaba internado num hospício de luxo.

Lior não se importou. Ele correu em direção aos túneis, o som dos cristais em sua bolsa batendo uns nos outros como um sino de vento mineral. No caminho, uma pedra particularmente brilhante chamou sua atenção no chão. Ele hesitou, os dedos coçando para pegá-la, mas a voz de Jacob ecoou novamente.

— Depois eu pego você... — prometeu Lior à pedra, desaparecendo na escuridão da mina.

Enquanto Lior buscava beleza no cascalho, Lord Malachar buscava o fim de todas as coisas no topo da Torre da Guilda Obsidiana.

Malachar era uma figura imponente, envolta em uma armadura negra que parecia absorver a luz ao redor. Seus olhos, tingidos por um roxo sobrenatural, observavam Valdoria com desprezo. Em sua mão, um cajado feito de metal retorcido segurava um cristal púrpura que emitia estalos de energia estática.

— Senhor. Os experimentos com os Gemorphs estão prontos — anunciou o General Korg, ajoelhando-se. A armadura de Korg era pesada, feita para esmagar, não para proteger.

Malachar não se virou.
— A Queda Prismática nos deu o poder dos deuses, Korg. Mas estes camponeses... eles usam cristais para aquecer o chá e iluminar ruas. Um desperdício de potencial.

Kamen Rider Crystalforge - By ZenithHeroes Histórias para pegar e não largar. Descubra agora