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Na metade da segunda garrafa de Soju, Jeon Jungkook prometeu a si mesmo que jamais confiaria novamente nos trabalhos do cupido Kim Taehyung e, em hipótese alguma, aceitaria ir em qualquer festa estúpida ao lado dele.
Jungkook sentia que ter que lidar com a sintaxe rígida da programação C++, durante seu curso de engenharia aeroespacial, já era punição o suficiente do universo por uma escolha que tinha tomado, a de seguir essa carreira. Honestamente, não merecia sofrer para fazer coisas triviais.
Como beijar na boca.
Mas a sorte nunca estava do seu lado e Jeon acabou sentado, sozinho, no interior de uma casa que nem era dele, em um sofá velho, completamente vestido, durante uma festa na piscina. O barulho das pessoas se divertindo do lado de fora era ainda mais irritante, porque o lembrava que Taehyung, provavelmente, também estava se divertindo com o cara que, supostamente, ele tinha arranjado para Jungkook.
Será que Jungkook tinha perdido o jeito?
A pergunta apareceu em sua mente e era desagradavelmente insistente.
Ele tomou mais um gole generoso da bebida alcoólica, que desceu queimando levemente por sua garganta, deixando para trás um gostinho doce que não combinava nada com seu momento isolado de autodepreciação.
Desde quando alguém simplesmente... escolhia outra pessoa na frente dele?
E pior.
Desde quando alguém escolhia o melhor amigo dele?
Talvez encontrasse a resposta no fundo dessa garrafa. Ou da próxima. Honestamente, não tinha ideia, mas não se importava muito. O calor que se acumulou em seu peito definitivamente era melhor que a sensação de sua nuca queimando pela humilhação e, se ficasse realmente bêbado, poderia esquecer dessa noite.
Que, por sinal, teria sido muito melhor se tivesse ficado no dormitório apertado da sua faculdade. Não para revisar para a prova — não era tão nerd assim –, e sim para passar a madrugada jogando Valorant, assistindo vídeos de engenharia e terminando de ler aquela história em quadrinhos estúpida que Namjoon tinha o recomendado, para incentivá-lo a "florescer o hábito de aproveitar as boas artes através da leitura", não que essa fosse a específica intenção de Jungkook, não gostava de pensar muito nessas coisas.
Ele só gostava dos desenhozinhos bonitos.
Jungkook suspirou e se afundou mais no sofá, esperando se tornar um só com ele.
Taehyung era bonito, tudo bem, conseguia admitir isso.
Mas ele também era atraente.
Quer dizer, Jeon sabia disso. Não tinha passado a vida inteira sendo ignorado. Ele já teve o hábito de sair, casualmente, com vários parceiros. As pessoas olhavam para ele duas vezes. Talvez até três. Inclusive, também recebia alguns flertes em lugares inusitados; bibliotecas, cafés e tinha certeza que a caixista do supermercado estava interessada nele. O moreno, no entanto, não conseguiria retribuir.
Ele não escaneava por esses lados.
No final, isso tudo era um paradoxo que sempre terminava na mesma pergunta.
Por que tinha se enfiado nessa situação?
Tomou mais um gole do soju. Talvez três.
Quando abaixou a garrafa, tomou um susto. Alguém estava sentado na outra ponta do sofá.
Ele quase engasgou.
"Caralho–"
