🇮🇹
Minhas pernas estavam pesadas.
Cada passo parecia mais lento que o anterior, como se o campo tivesse ficado maior nos últimos minutos. O placar ainda marcava 1 a 1, e o relógio parecia se arrastar. Eu não aguentava mais estar em campo, não entendia por que o treinador ainda nao tinha me tirado, não tinha como eu ajudar ali...
Eu só queria que aquele jogo acabasse.
Quando perdemos a bola no meio-campo, senti o estômago afundar.
Contra-ataque. Ótimo...
Respirei fundo e comecei a correr de volta para a defesa, ignorando o cansaço. Foi então que vi quem estava com a bola.
Fabrício Perez.
O cara tava acabando com o jogo, ele é veloz, imprevisível, jovem e cheio de folego
O camisa 9 do Celta de Vigo avançava direto na minha direção, rápido demais para alguém que também deveria estar morto de cansado.
Ótimo. Justo ele.
Apertei o passo. Se ele queria passar, teria que passar por mim primeiro.
Fabrício diminuiu a velocidade quando chegou perto de mim.
Ele sabia exatamente o que estava fazendo.
A bola colada no pé, o corpo leve... e então começaram as pedaladas.
Uma.
Duas.
Três.
Ele balançava o corpo de um lado para o outro, tentando me fazer escolher a direção errada.
Ouvi alguém gritar atrás de mim.
- NÃO! NÃO DÁ O BOTE!
Devia ser um dos zagueiros.
Tarde demais.
Eu já tinha decidido.
Quando ele empurrou a bola para o lado, eu estiquei a perna para tirar.
Por um segundo, achei que tinha acertado.
Então Fabrício se jogou.
O corpo dele caiu no gramado como se tivesse sido puxado por alguma coisa invisível.
E por um instante o estádio inteiro ficou em silêncio.
PIIIII.
O apito cortou o ar.
Levantei a cabeça devagar, já sabendo o que vinha.
O árbitro apontou para a marca.
Pênalti.
- Tá de brincadeira... - murmurei, passando a mão no rosto.
Fabrício ainda estava no chão, mas quando levantou os olhos...
Sorrindo.
Um sorriso debochado, como se já soubesse exatamente o que tinha conseguido.
Alguns companheiros dele correram para ajudá-lo a levantar, enquanto eu ainda tentava entender o que tinha acabado de acontecer.
- Ele simulou! - protestei, indo na direção do árbitro. - Eu nem encostei nele direito!
O juiz veio até mim com a expressão dura.
- Vincenzo, chega. Tome cuidado. Você não pode entrar desse jeito e arriscar machucar um colega de profissão.
- Foi na bola Professor!
- A decisão já foi tomada.
Ele virou as costas antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa e caminhou em direção ao meu goleiro para organizar a cobrança.
Fiquei parado por um segundo, incrédulo.
Então passei a mão no rosto e caminhei devagar para fora da área.
Ainda tentando entender como eu tinha deixado aquilo acontecer.
Fabrício pegou a bola com calma, como se tudo aquilo fosse rotina.
Eu fiquei parado do lado de fora da área, olhando. Sem conseguir tirar os olhos dele.
O estádio inteiro parecia mais silencioso agora.
Ele colocou a bola na marca com cuidado, deu dois passos para trás e respirou fundo.
O árbitro apitou.
Fabrício correu para a bola.
Um chute forte.
Meu goleiro pulou para a direita...
Mas a bola foi para a esquerda.
Rede.
O estádio explodiu em gritos.
Eu fechei os olhos por um segundo, sentindo o peso do erro cair sobre mim.
Quando olhei de novo, Fabrício já estava correndo em direção à torcida.
Ele parou perto da bandeira de escanteio e puxou a camisa para frente, mostrando o nome nas costas para as arquibancadas.
PEREZ.
A torcida do Celta de Vigo gritou ainda mais alto.
Fabrício levantou os braços, absorvendo cada segundo daquilo.
Então virou a cabeça na minha direção.
E sorriu outra vez.
Como se soubesse exatamente que aquele gol tinha sido minha culpa.
Fabrício ainda comemorava perto da bandeira de escanteio enquanto os companheiros corriam para abraçá-lo.
Eu desviei o olhar.
Não queria ver aquilo.
Voltamos para o meio-campo para o reinício, mas eu já sabia que não havia mais tempo para nada.
Alguns segundos depois...
PIIIIIIIII.
O apito final ecoou pelo estádio.
Os jogadores do Celta de Vigo explodiram em comemoração, correndo uns para os outros enquanto a torcida gritava nas arquibancadas.
Eu fiquei parado.
Mãos na cintura, olhando para o gramado.
Não consegui levantar a cabeça por alguns segundos.
Eu sabia exatamente o que tinha acontecido ali.
Um erro.
Meu erro.
Respirei fundo, tentando engolir a frustração que queimava no peito.
De todos os jeitos que aquele jogo poderia terminar...
Eu tinha escolhido o pior.
KAMU SEDANG MEMBACA
90 Minutos Para Se Odiar
Fiksi PenggemarAntônio Vincenzo é o capitão e camisa 10 do Chelsea, líder respeitado dentro e fora de campo. Tudo muda quando o clube anuncia a contratação mais cara de sua história: o atacante espanhol Fabrício Perez, ex-estrela do Celta de Vigo. Com personalidad...
