1-Minuto 88

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🇮🇹

Minhas pernas estavam pesadas.
Cada passo parecia mais lento que o anterior, como se o campo tivesse ficado maior nos últimos minutos. O placar ainda marcava 1 a 1, e o relógio parecia se arrastar. Eu não aguentava mais estar em campo, não entendia por que o treinador ainda nao tinha me tirado, não tinha como eu ajudar ali...

Eu só queria que aquele jogo acabasse.
Quando perdemos a bola no meio-campo, senti o estômago afundar.

Contra-ataque. Ótimo...

Respirei fundo e comecei a correr de volta para a defesa, ignorando o cansaço. Foi então que vi quem estava com a bola.

Fabrício Perez.

O cara tava acabando com o jogo, ele é veloz, imprevisível, jovem e cheio de folego

O camisa 9 do Celta de Vigo avançava direto na minha direção, rápido demais para alguém que também deveria estar morto de cansado.
Ótimo. Justo ele.
Apertei o passo. Se ele queria passar, teria que passar por mim primeiro.

Fabrício diminuiu a velocidade quando chegou perto de mim.
Ele sabia exatamente o que estava fazendo.
A bola colada no pé, o corpo leve... e então começaram as pedaladas.

Uma.
Duas.
Três.

Ele balançava o corpo de um lado para o outro, tentando me fazer escolher a direção errada.
Ouvi alguém gritar atrás de mim.
- NÃO! NÃO DÁ O BOTE!

Devia ser um dos zagueiros.
Tarde demais.

Eu já tinha decidido.
Quando ele empurrou a bola para o lado, eu estiquei a perna para tirar.
Por um segundo, achei que tinha acertado.

Então Fabrício se jogou.
O corpo dele caiu no gramado como se tivesse sido puxado por alguma coisa invisível.

E por um instante o estádio inteiro ficou em silêncio.

PIIIII.

O apito cortou o ar.
Levantei a cabeça devagar, já sabendo o que vinha.

O árbitro apontou para a marca.
Pênalti.
- Tá de brincadeira... - murmurei, passando a mão no rosto.

Fabrício ainda estava no chão, mas quando levantou os olhos...
Sorrindo.

Um sorriso debochado, como se já soubesse exatamente o que tinha conseguido.

Alguns companheiros dele correram para ajudá-lo a levantar, enquanto eu ainda tentava entender o que tinha acabado de acontecer.

- Ele simulou! - protestei, indo na direção do árbitro. - Eu nem encostei nele direito!
O juiz veio até mim com a expressão dura.

- Vincenzo, chega. Tome cuidado. Você não pode entrar desse jeito e arriscar machucar um colega de profissão.

- Foi na bola Professor!

- A decisão já foi tomada.

Ele virou as costas antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa e caminhou em direção ao meu goleiro para organizar a cobrança.

Fiquei parado por um segundo, incrédulo.
Então passei a mão no rosto e caminhei devagar para fora da área.

Ainda tentando entender como eu tinha deixado aquilo acontecer.

Fabrício pegou a bola com calma, como se tudo aquilo fosse rotina.
Eu fiquei parado do lado de fora da área, olhando. Sem conseguir tirar os olhos dele.

O estádio inteiro parecia mais silencioso agora.

Ele colocou a bola na marca com cuidado, deu dois passos para trás e respirou fundo.
O árbitro apitou.

Fabrício correu para a bola.
Um chute forte.

Meu goleiro pulou para a direita...
Mas a bola foi para a esquerda.
Rede.

O estádio explodiu em gritos.
Eu fechei os olhos por um segundo, sentindo o peso do erro cair sobre mim.
Quando olhei de novo, Fabrício já estava correndo em direção à torcida.

Ele parou perto da bandeira de escanteio e puxou a camisa para frente, mostrando o nome nas costas para as arquibancadas.

PEREZ.

A torcida do Celta de Vigo gritou ainda mais alto.
Fabrício levantou os braços, absorvendo cada segundo daquilo.

Então virou a cabeça na minha direção.
E sorriu outra vez.
Como se soubesse exatamente que aquele gol tinha sido minha culpa.

Fabrício ainda comemorava perto da bandeira de escanteio enquanto os companheiros corriam para abraçá-lo.

Eu desviei o olhar.

Não queria ver aquilo.

Voltamos para o meio-campo para o reinício, mas eu já sabia que não havia mais tempo para nada.


Alguns segundos depois...

PIIIIIIIII.

O apito final ecoou pelo estádio.

Os jogadores do Celta de Vigo explodiram em comemoração, correndo uns para os outros enquanto a torcida gritava nas arquibancadas.

Eu fiquei parado.

Mãos na cintura, olhando para o gramado.
Não consegui levantar a cabeça por alguns segundos.
Eu sabia exatamente o que tinha acontecido ali.

Um erro.

Meu erro.

Respirei fundo, tentando engolir a frustração que queimava no peito.
De todos os jeitos que aquele jogo poderia terminar...

Eu tinha escolhido o pior.

90 Minutos Para Se OdiarCerita yang bikin terobses. Temukan sekarang