Prólogo

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Eu tinha oito anos quando minha família morreu.

O primeiro som que me acordou foi vidro quebrando.
Depois um grito, agudo, desesperado. Outro grito.
Meu coração disparou. O ar parecia pesado, com cheiro de metal — sangue.

A casa estava mergulhada na escuridão, mas havia luz vindo do corredor. Uma luz que não deveria existir.

Tremendo, saí do quarto. Cada passo ecoava como um martelo dentro da minha cabeça.
Ouvi meu pai gritar. Uma voz que eu nunca imaginei capaz de soar assim: desesperada, furiosa, como se o mundo estivesse desmoronando sobre ele.

Minha mãe chorava. Meu irmão também.
O medo me congelou. Meu corpo não respondia, e ainda assim eu via tudo.
Sangue escorria pelo chão. Muito sangue. Meu pai estava no centro da sala, segurando algo que brilhava no escuro de forma ameaçadora.

Minha mãe jazia caída, imóvel. Meu irmão também.
Tudo parecia lento, como se o tempo tivesse parado.

Meu pai se virou.
Nossos olhos se encontraram. Não havia raiva. Apenas... desespero.
— Ethan — disse ele, a voz quebrada, quase um sussurro.

Minha perna se mexeu antes que eu pudesse pensar.
Corri. Corri sem olhar para trás. O cheiro metálico me acompanhava, misturado ao medo, à adrenalina.
Corri até não conseguir respirar, até que minhas pernas cederam e minhas mãos tremeram, agarradas ao chão.

Quando a polícia chegou, eu estava escondido atrás da casa do vizinho. Tremia tanto que mal conseguia falar.

Disseram que eu tive sorte. Que era o único sobrevivente.

Eu acreditei nisso. Durante muito tempo.

Mas mesmo agora, às vezes, acordo no meio da noite com o mesmo cheiro, o mesmo grito, e a sensação de que algo... está me esperando.

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