NARRADOR
Duas meninas estavam sentadas no chão, perto demais da televisão, como se a proximidade pudesse torná-las parte do jogo.
O brilho da quadra refletia nos olhos atentos das duas, iluminando seus rostos jovens com flashes azuis e dourados. A bola cruzava a tela com velocidade, o som seco dos ataques ecoando pela sala como pequenas explosões.
Atrás delas, dois adultos observavam em silêncio. Não o jogo — mas as meninas.
Havia algo reconfortante naquela cena. Algo que parecia destino.
— Sant — a loira perguntou, sem tirar os olhos da televisão — quando jogarmos juntas... você vai mandar bons levantamentos para mim?
Santana virou o rosto imediatamente, como se a pergunta fosse óbvia demais para exigir reflexão.
— Vou mandar todas as melhores bolas para você, Britt Britt.
Não havia hesitação. Nem dúvida.
A promessa nasceu ali, simples e absoluta.
Na televisão, o Lions saltou para o ataque. A levantadora ergueu a bola com precisão perfeita. A oposta correu, saltou, golpeou.
O som da bola tocando o chão foi definitivo.
Ponto final.
Vitória no tie-break.
As duas meninas explodiram em comemoração, pulando, rindo e se abraçando como se tivessem vencido também.
Atrás delas, os adultos sorriram.
Nenhum deles sabia ainda.
Que um dia, aquelas duas aprenderiam que nem todo tie-break termina com as duas do mesmo lado.
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SANTANA POV
— Eu já disse, Mirê. Não vou deixar que comece a jogar vôlei. É muito nova para isso.
— Mas, mãe — minha filha de 13 anos insiste — se eu não começar agora, não vou ter base no futuro. Nenhum time vai me querer.
— Isso não é verdade. Muitas boas jogadoras são descobertas depois de mais velhas.
— Quantas delas têm 7 campeonatos mundiais, 2 vice-campeonatos, 4 estudantis, 5 juniores, 2 medalhas de ouro nas Olimpíadas e 1 de prata, 3 VNL e, além disso, mais de 100 entrevistas, 50 nomeações de MVP e uma condecoração da rainha da Inglaterra? Que Deus a tenha, inclusive.
— Eu não tenho nada a ver com a carreira da Brittany, Mireya — falo, me mantendo controlada. — Não vai ter vôlei. Ponto final. Qualquer coisa que não seja competitiva você pode fazer.
— Sua chata — ela diz, se levantando com raiva da mesa.
Minha caçula, Paola, entra na cozinha, com o cabelo bem bagunçado e um pijama fofo de gatinho.
— Se não me quer jogando vôlei, por que escolheu Mireya? Por quê?
— Eu gosto de vôlei, Mirê — a mais nova me pede colo e eu aceito. Ela me abraça sem entender a conversa. — Mas eu não quero que você entre nesse mundo sujo. Você não sabe o que tem atrás daqueles panos.
— E a senhora sabe, por um acaso? Chata.
Então, ela vai para o quarto. Meu marido, sentado no sofá, se levanta e vai atrás para conversar outra vez.
— Isso significa que não vamos assistir ao jogo do Lions hoje na quadra? — baixinho no meu ouvido. — Queria ver a Bitt jogando.
— Vocês vão. A mamãe vai para a empresa ajeitar arquivos.
KAMU SEDANG MEMBACA
My Volley Dream Girl
Fiksi PenggemarDesde crianças, Santana Lopez e Brittany Susan Pierce dividiam o mesmo quintal, o mesmo sonho e a mesma quadra: tornar-se a melhor dupla de levantadora e oposta do Lions, o time da família Lopez. Mas crescer significou escolher caminhos diferentes. ...
