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O silêncio do meu apartamento pesa mais do que qualquer barulho. O eco de um dia desastroso na faculdade de medicina ainda lateja nas minhas têmporas, um estresse constante. Alfa entre alfas, supostamente destinado a comandar, a dominar, a ter sucesso em tudo. Tudo, menos nisso. Nos vinte dois anos mais frustrantes da minha vida.

Viro de lado na cama, o colchão gemendo um protesto cansado. A solidão não é apenas ausência, é uma coisa física, fria, que se instala no peito e aperta. Penso, não pela primeira vez, e provavelmente não pela última, como seria ter um ômega. Um daqueles fofinhos, macios, que cheiram a açúcar e conforto. Alguém para eu apertar contra o peito, enterrar o nariz na nuca, receber aquele afeto quieto e devoto que os ômegas supostamente dariam.

Um porto seguro. Até nisso eu falhei. Relacionamentos são como cirurgias delicadas nas quais eu sempre, invariavelmente, corto o vaso errado. Terminos desastrosos, ego ferido de ambas as partes, e a eterna sensação de que não sei fazer isso, de que sou um alfa defeituoso.

Um calor familiar e irritante começa a se acumular na minha barriga, uma mistura de frustração, raiva e pura necessidade biológica.

Já chega. Se não posso ter o afeto, que eu tenha, pelo menos, o alívio.

Saio da cama com um movimento brusco, os pés encontrando o chão frio. A caminho do computador na escrivaninha, a escuridão do quarto é cortada pela luz azulada da tela ao ligar. Os dedos movem-se por pura memória muscular: tecla de atalho, aba anônima, a mesma pesquisa vazia de sempre. A rotina do desespero.

Rolo a página mecanicamente, os anúncios genéricos e as imagens ensaiadas mal me registrando. Estou entediado até com a minha própria luxúria. Até que, num movimento desastrado do mouse, clico sem querer em um banner no canto.

A nova página carrega, diferente de tudo. Um fundo escuro, letras em neon roxo. E um vídeo em prévia, já rodando em loop.

Meu corpo congela antes que meu cérebro processe.

O ângulo é de cima, mostrando um torso, um quadril, coxas. Nunca o rosto. Mas, meu Deus. O corpo é... lindo. Esguio, mas com curvas suaves onde deveriam ter. Coxas grossas, perfeitas para agarra. Uma bunda arrebitada, coberta apenas por um tecido minúsculo de renda preta. E a pele, parecendo seda sob a luz baixa, é marcada por uma tatuagem logo abaixo do umbigo, no colo do quadril. Um coração tribal, estilizado, linhas fluidas que parecem pulsar na tela.

É então que eu vejo. O volume alongado, claro mesmo através da renda. Um homem.

Um estranhamento inicial me atinge. Nunca havia considerado, mas o estranhamento é engolido por uma onda de pura atração, crua e imediata. Aquilo é lindo. É proibido. É perfeito.

Pisco, saio do transe. Percebo que é um site de assinaturas. "Hanji", diz o nome do perfil. Um nome fofo. E abaixo, um selo piscando em vermelho: AO VIVO.

Sem pensar, movido por um impulso que vem de algum lugar muito mais profundo e carente do que a minha mente racional, assino. O processo é rápido, um cartão de crédito digitado às cegas. A tela atualiza.

Entro na transmissão. Há um número de espectadores, comentários fluindo rápido em uma barra lateral. E no centro...

Um quarto. A luz é um rosa quente, quase avermelhado, dando à cena um ar íntimo e sonhador. Ele está sentado no chão, de pernas cruzadas, o ângulo da câmera cortando habilmente seu rosto, mostrando apenas o queixo para baixo. Veste um top preto justo, que molda um torso esbelto, e um short curto de couro preto que parece derreter sobre as coxas. As meias... são brancas, e na sola têm aquelas patinhas de gato. O contraste é devastadoramente fofo e sensual ao mesmo tempo.

Date [MINSUNG ABO] - One shotOù les histoires vivent. Découvrez maintenant