Capitulo 1 - Primeiro Dia ✅

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Meu coração parece que vai explodir no peito a qualquer momento. Eu sei que essa frase soa dramática, mas ninguém jamais me entendeu tão bem como o meu próprio corpo no instante em que você está prestes a enfrentar algo que sonhou a vida inteira.

Eu esperei por este momento por anos, abdiquei de tantos dias normais, de tantas manhãs preguiçosas, de festas e viagens, tudo para estar exatamente aqui: no meu primeiro dia na faculdade de medicina.

Medicina sempre foi meu sonho. Desde que presenciei meu avô morrer nas mãos de profissionais despreparados, eu jurei que um dia me tornaria a pessoa que poderia salvar vidas, que saberia o que fazer para que ninguém sentisse a dor que eu senti. Aquela perda não foi apenas tristeza, foi revolta. Foi promessa. Foi a primeira faísca de algo que moldaria toda a minha vida.

Mas agora, com a bolsa de estudos nas mãos, um apartamento alugado a poucos metros do campus e seis anos inteiros à minha frente, a realidade era muito mais pesada do que eu tinha imaginado. A ansiedade não me deixava respirar direito. Cada passo que dava no corredor do prédio parecia ecoar como um tambor anunciando que eu estava prestes a entrar em um mundo completamente novo.

Um pensamento incômodo se instalava em silêncio: e se eu não fosse boa o suficiente? E se eu tivesse sido apenas uma boa aluna em uma cidade pequena, e ali fosse só mais uma tentando desesperadamente não afundar?

Respirar exigia esforço consciente.

Escolhi minha roupa com cuidado. Uma calça jeans escura, simples, e uma blusa azul clara que combinava com meus olhos. Não queria chamar atenção, mas também não queria parecer que não me importava. Meu cabelo, preso em um coque simples com uma piranha, era minha tentativa de manter algum senso de dignidade e sanidade diante da inevitável mistura de formalidade e cheiro de corpos que encontraria na aula prática. Por via das dúvidas, mantive o coque firme.

Respirando fundo, olhei para o reflexo no espelho do apartamento e murmurei para mim mesma:

— Que seja o que Deus quiser...

O caminho até a universidade parecia curto e longo demais ao mesmo tempo. Cada passo no campus novo, cada pessoa desconhecida me lembrava que eu estava sozinha em um ambiente que não me dava chances para fraqueza. E, ainda assim, sentia um frio estranho de expectativa que me deixava alerta. Era como se meu corpo soubesse que algo grande estava prestes a acontecer, algo que poderia mudar tudo.

Cheguei ao prédio de aulas e encontrei a sala de anatomia. A primeira aula. O anfiteatro era enorme, com fileiras que se elevavam como arquibancadas, cada assento com sua própria mesinha. Eu escolhi um lugar no meio, não muito à frente, mas nem atrás demais com a esperança de me misturar sem ser notada. Enquanto arrumava minhas coisas, percebi uma garota sentando-se perto de mim. Ela tinha longos cabelos castanhos e extremamente lisos, sua pele clara e seus olhos de avelã contrastavam de forma elegante com o formato delicado que seu rosto possui, a mesma sorriu e disse de maneira casual, como quem abre espaço sem precisar:

— Oi, eu sou Julieta. Parece que vamos dividir bastante coisa esse semestre.

Sorri de volta, meio tímida.

— Maya. Prazer.

Um breve silencio caiu sobre nós duas, mas assim como eu, Julieta tambem parecia estar querendo dizer algo a mais.

— Você também tá surtando? — ela pergunta.

— Eu acho que meu coração vai sair pela boca.

Ela ri alto enquanto abre o ipad e volta seu olhar para mim.

— Ótimo. Já gostei de você Maya! Podemos surtar encima dos livros juntas daqui para frente, o que acha?

— Com toda certeza do mundo eu adoraria — disse rindo de nosso desespero conjunto

Ritmo proibidoStories to obsess over. Discover now