O SILÊNCIO DA SALA 4

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Notas do Autor:

Sejam bem-vindos a ONDE AS CORES SE CRUZAM. Esta é uma história sobre as pressões que nos moldam e as conexões que nos libertam. Preparem o fôlego, porque entre o rigor do balé clássico e a batida crua do hip hop, Jimin e Félix vão descobrir que a perfeição tem um preço alto demais. Coloque a playlist para que vocês sintam o peito vibrar como eu e boa leitura. Espero que sintam cada passo.

🎵 Playlist: ONDE AS CORES SE CRUZAM

Dica de Autor: Recomendo ouvir "Deep End" e "Lie" em sequência para sentir exatamente o contraste entre os dois personagens!

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Dica de Autor: Recomendo ouvir "Deep End" e "Lie" em sequência para sentir exatamente o contraste entre os dois personagens!











O som ritmado do ar-condicionado era a única trilha que preenchia a mente de Park Jimin naquela manhã. A sala 4 de ensaio, com suas paredes cobertas de espelhos que mais pareciam julgá-lo de todos os ângulos, parecia maior, quase opressiva. Ele tentou executar um pirouette, mas interrompeu o movimento no meio. O tornozelo, embora já não apresentasse dor física, ainda trazia consigo a memória de um alerta constante que sua mente insistia em reforçar.

Jimin suspirou profundamente antes de se sentar no chão polido de madeira. Passou a mão pelos fios loiros e úmidos, resultado do esforço e do calor que o cercava. Sentia-se como uma partitura esquecida, sem notas, sem melodia.

Uma voz ecoou na sala, cortando o silêncio, carregada por um timbre profundo que parecia vibrar nas paredes à sua volta. Não apenas o som, mas a força inesperada daquela fala fez Jimin se sobressaltar.

— O segredo não está em controlar o equilíbrio. É sobre confiar no chão que sustenta você.

Surpreso, virou-se para a porta. Lá estava um rapaz, encostado despreocupadamente no batente. Uma mochila pendia de um único ombro, e seus cabelos azulados com tons acinzentados destacavam-se na luz forte do estúdio. No rosto pontilhado de sardas, um sorriso se formava, um sorriso luminoso que invadia o espaço sem pedir licença.

Jimin estreitou os olhos brevemente antes de se levantar. Ajustou sua postura com a elegância natural que deveria transmitir alguém com sua reputação.

— Você deve ser Lee Félix — afirmou, tentando soar controlado enquanto analisava o recém-chegado. — O famoso "mago do ritmo" que decidiram contratar.

Félix soltou uma risada leve e sincera enquanto cruzava o espaço entre eles. Seus passos ressoavam com precisão, como se caminhasse ao ritmo de uma música que apenas ele conseguia escutar.

— "Mago" parece um pouco grandioso demais. Eu prefiro só alguém que gosta de barulhos — rebateu Félix com descontração, estendendo a mão para Jimin em um cumprimento direto.

Ao tocar aquelas mãos quentes e firmes, em contraste com suas próprias mãos frias pelo nervosismo e esforço, Jimin sentiu algo inquietante e vivo.

— É um prazer finalmente te conhecer, Jimin-sunbaenim. Assisti ao seu vídeo no Grand Palais. Sua dança... você flutuava.

— Flutuava — respondeu Jimin sem hesitar, um toque de amargura escapando junto às palavras. Ele desviou o olhar para os espelhos novamente. — Agora eu só... ocupo espaço.

Apesar da melancolia evidente na resposta, Félix pareceu completamente imune àquele tom carregado, como se já esperasse por isso. Ele caminhou até o sistema de som num ritmo despreocupado e começou a conectar seu celular.

— Vamos resolver isso. Mas nada de balé hoje. Você está muito preso aqui — comentou Félix, apontando para a própria cabeça com um movimento rápido antes de ajeitar o som. — Precisa descer para o corpo.

— E o que exatamente você pretende fazer? — questionou Jimin, tentando esconder sua curiosidade crescente atrás de uma postura defensiva.

Félix lançou-lhe um olhar tranquilo, complementado por um toque de provocação em seu sorriso, ao mesmo tempo em que uma batida grave e envolvente de lo-fi hip hop encheu o ambiente.

— Vou te mostrar que os erros são as partes mais bonitas da dança.

Sem mais palavras, ele deixou que seu próprio corpo começasse a falar. A música pulsava nas caixas de som, e Félix se moveu com uma naturalidade desconcertante; cada onda iniciava nos ombros, atravessava os braços e terminava nos dedos de forma perfeita, como uma corrente fluida totalmente intrelaçada à melodia.

Por um momento, Jimin não conseguiu desviar os olhos. Algo dentro dele se agitou—algo que ele mal reconhecia agora: um lampejo de desejo legítimo por se mover novamente.

Félix estendeu-lhe a mão pela segunda vez naquele dia, só que desta vez o gesto era mais do que uma cortesia. Era uma chamada para largar os medos, para se entregar à música. Um convite carregado pelo ritmo e pela intenção silenciosa.

Sem pensar em tornozelos lesionados ou qualquer outra coisa que o prendesse há tanto tempo, Jimin deu o passo adiante. Ele entrou no fluxo de sons e movimentos onde tudo pareceu se alinhar novamente.

Onde as Cores se CruzamStories to obsess over. Discover now