Capítulo 1

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Uma gota de suor descendo pela minha testa prende minha atenção, até que ouço um dos guardas dizer que acabou de me encontrar. Então, forço minhas pernas cansadas a correrem o mais rápido que conseguem, enquanto tento achar uma maneira de despistar os quatro... cinco... seis guardas? É, pelo visto estou fugindo de seis guardas insuportáveis que pretendem me submeter a experimentos pelos quais não estou nem um pouco a fim de encarar.

Admito que contar os guardas fez com que eu perdesse a chance de escapar pelo bueiro, mas tudo bem, fazer o quê? Sem desistir, olho para frente e vejo uma corda presa à janela de uma mercearia. Tento correr um pouco mais rápido em meio à multidão de pessoas que andam pela Rua 99, provavelmente procurando presentes para o feriado de amanhã. Finalmente chego à corda e, juntando forças, pulo até conseguir segurá-la firmemente. Com isso, começo a escalar depressa e entro pela janela, despistando os guardas.

Porém, como prefiro não arriscar ser encontrada novamente, sem perder tempo vou em direção ao telhado e, sorrateiramente, caminho por cima das construções nada agradáveis para quem já viveu no Reino de Scoria. Minha vida mudou por completo da noite para o dia, quando me levaram à força de meus pais e me trouxeram para o Reino de Umbrya. Uma pena que eles acharam que eu era fraca a ponto de não conseguir fugir — o que claramente não aconteceu. Assim, desculpa, mas eu não vou deixar que eles me usem para descobrir meu poder só para adicionar uma nova habilidade naquela listinha deles.

Aqui em Fosters, todos tinham sangue vermelho, nenhuma habilidade, nenhum poder. Até que nosso antigo rei, Christopher, decidiu se divertir e lançou uma magia sobre todo o reino, dividindo os cidadãos em três tipos de sangue: amarelo, verde e o completamente malvisto, roxo. Minha mãe, Mavie, e meu pai, Ravi, são de sangue amarelo. E adivinha com qual cor eu tive a sorte de nascer? Roxo. Pois é, não faz sentido nenhum. Por isso, enquanto eu vivia alegremente em Scoria, me trouxeram para Umbrya. No Reino de Scoria, as pessoas possuem sangue amarelo e vivem com seus poderes elementais; no Reino de Taurenya, os de sangue verde conseguem se transformar em animais; já aqui, no Reino de Umbrya, nós, de sangue roxo, temos poderes místicos e individuais, classificados em: mentais, físicos e utilitários. Qual é o meu? Não faço ideia. E é por isso que eles querem me pegar.

Por fim, perdida em pensamentos, chego ao meu milésimo esconderijo — não tão escondido assim, já que o último, que tinha sido o melhor até então, infelizmente foi encontrado pelos adoráveis guardas da Rainha Aurelia, a soberana desse fim de mundo (carinhosamente apelidado de Umbrya). Olho uma última vez ao meu redor, certificando-me de que não fui seguida, antes de entrar na cabaninha abandonada que encontrei no meio da Floresta das Ametistas quando, há uns quatro dias, eu caçava — ou tentava caçar — algo para comer. Ela estava bem abandonada mesmo, mas pelo menos servia para me esconder em paz. E assim é minha humilde vida de fugitiva, tentando sobreviver. Que horrível... será que vai ser assim para sempre?

Sob três sanguesStories to obsess over. Discover now