Coletiva de Imprensa

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Perigo que me atrai

A casa da Bianca estava silenciosa demais, a televisão ligada no mudo e sem ninguém estar assistindo, o relógio marcando os segundos com um tic-tac irritante, e três mulheres no mesmo grau de ansiedade. Bianca estava sentada no sofá, postura ereta até que demais para alguém que estivesse tentando parecer calma, o celular estava sobre a mesa de centro, intocado, ela estava tentando não deixar ansiedade dominar ela, até porque sabia exatamente onde aquela ansiedade não podia levá-la.
Augusto havia sido claro, cristalino, ela não chegaria nem perto do morro nesse momento de tensão.

Bruna estava ao lado dela, abraçando as próprias pernas, menos contida, mais elétrica. O pé batia no chão num ritmo nervoso, traindo tudo que ela não dizia em voz alta. Luciana observava as duas com atenção silenciosa, sentada na poltrona à frente.
— Eles não deram mais nenhuma notícia? — Luciana perguntou, com voz baixa, sem dramatizar.

Bianca negou com a cabeça.
— Ainda não — respondeu, firme. — E só vão dar quando estiver tudo sob controle, meu pai deixou isso bem claro.

Bruna soltou um riso curto, sem humor.
— Eu não tô ansiosa, que eu tô em estado de pré-surto oficialmente decretado — falou, rápida. — Porque quando eles dizem “tá tudo sob controle”, é exatamente quando não tá sob controle nenhum.

Luciana lançou um olhar sério para ela.
— Bruna.

— Tá, tá… língua controlada — Bruna suspirou. — Eu sei que eles sabem o que estão fazendo. Só não tem como a gente ficar aqui sem se preocupar, o Sam está lá, o tio, o papai.

Luciana se levantou devagar e foi até ela, segurando suas mãos.

— Filha, confiar também é um ato de coragem — falou, com firmeza suave.

Bruna assentiu, abraçando uma almofada.
— Proteção versão testosterona extrema — completou. — Mas… sim. Eles sabem o que estão fazendo, eu acho, talvez, provavelmente.

Bianca soltou um riso curto, nervoso.
— Olha o “provavelmente” dela… isso não ajuda em nada.

Luciana sorriu.
— Seu pai Bia não se moveria um centímetro se não tivesse respaldo legal e operacional — ela disse séria. — Ele não brinca com risco, ainda mais depois do que aconteceu com você.

O sequestro não foi dito, mas ficou suspenso no ar, pesado.

Bruna engoliu em seco.
— É… depois daquilo, não tem espaço pra erro.

Algumas horas se passaram e nada de notícia.
Bianca andava de um lado para o outro da sala, o celular na mão, olhando para ele a todo momento. Bruna estava sentada no mesmo, ainda abraçando a almofada, perna balançando sem parar, roendo a unha do polegar, coisa que só fazia quando estava realmente nervosa.

Luciana observava as duas com atenção de mãe experiente. Estava sentada na poltrona, postura firme, mas o olhar denunciava a preocupação que ela tentava esconder.

— Vocês vão acabar criando um infartando assim. — disse Luciana, quebrando o silêncio. — Não adianta andar em círculos, Bia, se fosse pra ter notícia ruim, alguém já teria ligado.

— Ou não — Bruna rebateu na hora. — Justamente isso que me deixa nervosa, não custa nada mandar ao menos uma mensagem.

O celular dela Bianca vibrou, e ela atendeu rapidamente.
— Oi, Dean.

A voz de Dean veio do outro lado, firme, mas cansada.
— Oi princesa… tô ligando pra avisar que acabou.

Bianca fechou os olhos devagar.
— Vocês estão bem?

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