1989, Hawkins. A cidade se reergueu após inúmeros traumas, tombos... Sumiços. O cotidiano permaneceu tranquilo e pacato. O que os cidadãos não imaginam é que o pesadelo não acabou. Está só começando.
Inspirada em acervos de fandom, um pouco de Geogr...
A Barbie com traje de banho listrado clássico caiu repentinamente na grama quando sua dona, uma criança loira de olhos amendoados cor de mel, escutou um grito vindo do interior de sua casa. Nada a fazia pensar que foi um baque no canto da mesa ou uma barata que assustou a mãe, a única pessoa dentro da casa — ou pelo menos era. Até tinha um cachorro de pequeno porte e uma grande possibilidade de comer as bonecas na grama, junto à Barbie caída, mas o que importava era sua mãe... Em suma, em bom estado. Segura.
Suas pernas esticavam ao máximo, isso garantiu alcance na corrida do quintal para a porta dos fundos. A garota pensa rápido desde que entendeu a diferença entre vogais e consoantes. Agilmente, ela pega a faca mais afiada da cozinha azul turquesa e sobe a escadaria com o passo apressado até o quarto dos pais. Sem pensar duas vezes, a garota entra no quarto com a mão dominante elevada até a cabeça com a faca, a mão esquerda livre logo à sua frente e os pés afastados, uma boa posição de defesa para quem não espera atacar... Mas que pode machucar bastante a quem ousar desafiar sua capacidade. Até que ela encontra sua mãe no chão. Sentada em frente à cama. Seu rosto estava vermelho. Molhado até o pescoço e soluçando até cansar. Ela não estava bem... Só não tinha nenhum ferimento ou sinal de algum possível bandido. Sua defesa reduz e leva a mão direita até o quadril, com os braços relaxados e com ciência de manter a ponta da arma direcionada ao chão. Ninguém ferido, porém é bom evitar tornar a afirmação o oposto do que se entende.
A jovem, ainda preocupada com o bem-estar da genitora, agacha-se e delicadamente pergunta:
— Mamãe! Por que você está chorando assim? Você está machucada?
— O que você quer dizer, querida? — As lágrimas foram enxugadas pelos pulsos trêmulos; o tom rouco era perceptível; ela chorava há mais tempo do que aquele anúncio de um minuto da Diet Coke. — Largue essa faca, dê para a mamãe. Você é quem pode se machucar.
— Estavas a chorar tanto que eu conseguia ouvir do quintal. — A menina aproxima-se da mãe. — Estou preocupada com a sua respiração e os seus pulmões, mamãe. Pode ficar doente se não parar agora.
Com um toque suave na testa da mãe, Maggie agiu como uma pequena médica, examinando a temperatura e as pupilas dos olhos dela. "Como é possível uma menina de 12 anos ser tão doce?", pensou a mãe durante essa cena fofa. "Gostaria que pudesses vê-la, Sam. Ficarias tão orgulhoso quanto eu estou agora."
— Mamãe, por favor, me diga com verdade verdadeira no coração. — O olhar sério da menina penetrou a alma da genitora. Até a autora sentiu medo. — Você, por algum acaso, razão divina ou motivo de estresse desconhecido... bebeu de novo?
A mãe, com uma gargalhada histérica, negou... mas, com sua mão esquerda sorrateira, escondeu um envelope aberto embaixo da cama, em frente à qual ela estava sentada ainda. Provavelmente ali há a resposta de sua melancolia preocupante.
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— NÃO ACREDITO QUE ISSO ESTÁ ACONTECENDO!
— O quê?
— MÃE! — A carta branca quase cai da mão de Margaret, adulta e recém-graduada em Psicologia, que demonstra nítida animação na ação e orgulho na emoção. — FUI CONTRATADA PELO LABORATÓRIO DE HAWKINS!
— Filha, que ótimo!
— "Mas"?
— Mas é longe de casa. Como você iria e voltaria?
— Eu iria morar lá, vi nos jornais de ontem que tem casas pequenas para alugar. Não preciso de muita coisa para viver bem, a senhora sabe.
— Mas como? Você vai a pé?
— Nossa Senhora, verdade... — O desapontamento em não prever um detalhe crucial como esse subiu à cabeça da jovem.
— Olha, você pode recusar ainda. Mas... — uma pausa bem dramática seguida de um sorriso de canto. Ela teve uma ideia. — Eu posso talvez contatar o Seu Edgar daquela concessionária e verificar o preço de um carro só pra você. E talvez eu te ajude a decorar o interior.
— E talvez me ajudar a escolher um nome?
— Talvez.
— E talvez comprar os ingressos para o show da Tiffany?
— Não, você já quer muito de mim.
Mãe e filha riem juntas como duas amigas inseparáveis. É bem difícil haver um momento descontraído e leve com essas duas, são raras as vezes. Porque há praticamente a todo minuto. Não que seja algo ruim, mas porque foi necessário para ambas. Os anos foram dificultosos tanto para a mãe quanto para a filha.
— Mais tarde conversamos, já estou 10 minutos atrasada. — A mãe se despede apressada com um beijo na testa da filha.
— Mas a senhora já tem carro!
— Sim, mas eu não controlo o trânsito! Tchau! — A porta terracota fecha e sua mãe anda quase correndo como quem esqueceu o ferro de passar ligado. A melhor reação de Margaret foi rir, sentar no sofá e colocar a fita gravada com as melhores músicas da banda Fleetwood Mac no tocador acinzentado bem à sua frente. O dia podia encerrar ali, mas ele estava prestes a ficar mais perfeito do que ela imaginava.
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Cathy espera a filha sair do quarto tranquila para dar um fim na carta de seu marido ausente. Infelizmente, a pequena doutora não pode saber, por agora, o porquê de seu pai não estar em casa.
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Reler as palavras do marido formou lágrimas nos olhos antes mesmo de ela reagir perante a folha. O casal vivia bem. Dois filhos, uma casa, um carro... a vida que ela sonhou para eles. Margaret, sendo a filha primogênita, sempre esteve disposta a ajudar na criação e nos cuidados do Peter, seu irmãozinho. Apesar de Sam sempre ter sido um profissional assíduo, ela não esperava que o laboratório exigisse tanto dele e com tanta urgência. Sabe-se lá que dia, em que mês, ela só recorda das duas malas cheias, em cima da colcha amarela, e seu amado desesperado. Nunca tinha visto ele chorar. Ou com medo. Nesse dia, ele chorou com medo. A última coisa de que ela se recorda é a sensação de as mãos dele, aquecidas pelo par de luvas retiradas, tocando tão gentilmente em suas bochechas e sentindo sua pele, fazia aquele momento ser mais surreal do que ela já pudera antes vivenciar. Faz um ano que ela clama a Deus que fosse esse dia apenas um pesadelo. Ela não sabia se queimava essa carta em suas mãos, se rasgava, se guardava embaixo do travesseiro dela... Tudo o que Cathy precisava fazer era manter a razão do pai de Margaret estar distante em segredo e auxiliar a filha em sua jornada — sem essa situação abalar suas decisões. Já sabem que só uma das missões foi realizada com sucesso. Esta autora avisa logo: as duas missões falharam.