Steve Harrington dirigia em silêncio, com um buquê de flores repousando no banco do passageiro. Ainda não sabia exatamente o que diria a Nancy — se aquilo seria um pedido de desculpas, uma tentativa desesperada de consertar algo que já estava quebrado ou apenas culpa atrasada. Só sabia que precisava fazer alguma coisa.
Foi quando Dustin Henderson surgiu praticamente do nada, acenando no meio da calçada.
— Steve! Steve, para o carro!
Steve freou com força e abaixou o vidro.
— Dustin? Agora não é uma boa hora.
O garoto ignorou completamente o aviso, abriu a porta do passageiro e pegou as flores.
— Ei! — Steve protestou. — Isso é importante.
— O que eu tenho no meu porão é mais importante — Dustin rebateu, impaciente. — E você tem que me ajudar.
Steve suspirou, passando a mão pelo cabelo.
A verdade era simples: ele ainda não estava pronto para enfrentar Nancy. Não daquele jeito. Então, contra o próprio bom senso, virou o volante e seguiu Dustin.
— Mas me diz exatamente com o que eu tenho que ajudar? — Steve perguntou.
— Eu achei um animal parecido com um anfíbio no meu lixo. Achei que fosse inofensivo... ele comia até chocolate. Mas, pelo que parece, é um filhote de Demogorgon. E ele comeu a minha gata — Dustin falou, desesperado.
— Puta merda — Steve murmurou, incapaz de dizer algo além disso.
Durante todo o trajeto, o garoto falava sem parar. Misturava teorias, frases desconexas e detalhes que, para qualquer pessoa normal, soariam como pura fantasia. Para Steve, soavam perigosamente familiares.
Quando chegaram à casa de Dustin, ele o guiou até o quintal. O lugar estava quieto demais para um Demogorgon estar ali e isso fez Steve suspeitar.
— Escuta aqui, pirralho — Steve disse, parando de repente. — Se você estiver armando uma pegadinha de Halloween comigo, eu juro que te mato.
— Não é brincadeira, droga! — Dustin respondeu, agora realmente irritado. — Isso é sério!
O tom fez Steve engolir a resposta atravessada. Dustin não estava rindo. Não estava exagerando por diversão.
Ele estava... nervoso.
— Pega o taco.
— O quê?
— O taco de beisebol. Aquele com pregos.
Steve franziu a testa, mas obedeceu. O metal frio na mão trouxe lembranças que ele preferia esquecer.
Ainda tentava organizar tudo o que Dustin havia dito quando percebeu algo incômodo: por mais absurdo que aquilo parecesse, ele não conseguia simplesmente ignorar.
Não depois do ano passado.
Não depois de tudo o que ele tinha visto.
Steve apertou o cabo do taco.
— Certo — disse, por fim. — Me mostra.
Ele se posicionou diante da escada do sótão, respirou fundo e ergueu o taco, preparando-se para abrir a porta.
Foi então que um grito estrondoso ecoou de dentro da casa.
— Que merda foi essa? — Steve se virou num reflexo, o coração disparado, o taco erguido em posição de ataque.
Um segundo depois, a porta da casa se abriu com força.
Uma garota loira saiu correndo, os olhos arregalados, o rosto pálido de puro pânico. Ela parou abruptamente ao vê-lo ali, imóvel, segurando um taco de beisebol claramente nada convencional.
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Outra Henderson? Sério?!
AcciónQuando Ava Henderson uma patricinha caótica é obrigada a deixar a ensolarada Los Angeles e se mudar para a pacata Hawkins como castigo imposto pelos pais, ela não imagina que terá de lidar com monstros de outra dimensão, segredos perigosos e pessoa...
