Prólogo

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A injustiçada que ninguém sentiu saudades está de volta ✊🏻













Park Jimin

A vida é um caos tremendo.

As pessoas acham que a vida é uma roda-gigante. Não! Vou exemplificar melhor.

Um parque de diversões.

Isso! A vida é um parque de diversões, onde as pessoas vão com seus respectivos filhos ou vão sozinhas mesmo, para que possam se divertir, esquecer os problemas, voltar no tempo, lembrar dos tempos de infância.

Ah, como eu queria ser apenas um filhote agora.

Voltar a uns quinze anos atrás, quando, se me perguntassem o que era um boleto, eu perguntava de volta se era de comer.

Mas, às vezes, eu gosto de dizer que a vida é uma montanha-russa. Uma hora ela está lá em cima, no auge, e em outra estamos lá embaixo, no fundo do poço, literalmente! E é aqui que me encontro: no fundo, mas no fundo mesmo, do poço.

Já deu pra perceber que sou um ômega, digamos assim, um pouco dramático. Eu não choro pelo leite derramado; eu deito em cima dele e ainda sou capaz de dizer que um caminhão me atropelou.

Sim, sou desses.

Eu sou uma pessoa muito simples. Vim de uma família humilde, com pais trabalhadores, que sempre zelaram pelo bem-estar da família e pela boa educação dos filhos.

Mas lembra da montanha-russa? Então, uma hora o trem da montanha vai ter que descer, mas, no meu caso, ele desceu e nunca mais subiu.

Minha omma teve câncer de mama quando eu tinha quatorze anos, e desde ali eu já soube o que era sofrimento. Não gosto dessa comparação, mas não me resta outra realidade. Quando uma pessoa da sua família próxima a você tem câncer, toda a família sofre. É como se você tivesse um dependente químico na família, chega uma hora em que todos estão envolvidos.

E não é diferente com o câncer.

Meu pai e meu irmão, assim como eu, eram totalmente apegados à velha. Sim, eu a chamava de velha carinhosamente e quase sempre arriscava levar um tapa dela ou, se duvidasse, um soco acompanhado de: “velha é sua avó, garoto!”.

Ah, bons tempos… bons tempos.

Com o tempo, o câncer dela foi se espalhando pelo corpo todo. De que adiantou ela ter retirado uma mama? Nada. Isso acabou com toda a autoestima dela. E meu pai estava ali, sempre dizendo que a amava e que nunca a abandonaria.

Humpt!

Como eu era ingênuo demais por acreditar nas palavras dele.

Um mês depois, ela veio a falecer, deixando eu, meu irmão alfa caçula e o bosta do meu pai, que covardemente colocou a culpa em mim pela morte dela e disse que não tinha mais obrigação comigo nem com o “bastardo do meu irmão”, como ele gostava de dizer na minha cara.

Absurdo, né? Acredite, piorou!

Três meses depois da morte da minha mãe, quando levantei da cama para ir até a cozinha tomar água, passei pelo quarto dele e vi, de relance, a cena que me fez perder o ar.

Eu o vi arrumando as malas, resmungando sozinho, bêbado, coisas sem nexo que eu não entendia e nem queria entender. Ali eu soube que ele iria embora.

Eu soube que ele teria coragem de me deixar sozinho com Jonas Namjoon e cair no mundo.

Lembro perfeitamente daquele dia.

Corri sem fazer barulho até o quarto de Namjoon, que estava dormindo, e dei graças a Deus por isso. Ele não precisava ver o inseto que chamava de appa indo embora como se não existisse mais ninguém na sua vida.

Tranquei-me no quarto de Namjoon e, pela janela, vi ele saindo com o carro. E, junto com ele, levando meu ódio e o nojo que eu sentia por ele eternamente.

Lembro perfeitamente também que naquele dia eu chorei.

Chorei tudo o que eu tinha pra chorar.

Coloquei para fora todo o meu ódio, minha tristeza, meu desespero e minha fúria.

Permiti-me isso porque, depois de passar a noite chorando, me debrucei em frente à foto da mamãe na estante da sala e, com lágrimas ainda nos olhos, prometi não só para ela, mas para mim mesmo, que não deixaria Namjoon desamparado, que faria de tudo para que ele tivesse um irmão de verdade ao seu lado.

Prometi também que nunca deixaria transparecer meus medos, minhas fraquezas, meus problemas e minhas dores. Afinal, ninguém precisa saber o que eu passei, o que eu passo e o que ainda vou passar. Bati no peito as dificuldades da vida, e não vai ser agora que vou cagar nas calças.

Para me derrubar, tem que ser mais forte do que eu.

E hoje, sete anos depois, com a mesma foto da mamãe no porta-retrato em mãos, me orgulho do ômega que sou e sou feliz por estar conseguindo me sustentar e sustentar meu irmão com a força da honestidade.

Já pensei em vender drogas? Já, oh, se já! Mas, no outro dia, acabaria na prisão para ômegas, sem dúvidas.

Já pensei em assaltar um banco? Olha, tenho certeza de que, se eu colocasse uma meia-calça na cabeça, seria capaz de os policiais rirem da minha cara.

Prostituição eu descartei porque, além de puto, quer dizer, puro, sou uma pessoa muito decente quando eu quero. Não saio por aí fazendo sexo com qualquer um, apesar de eu apreciar muito o sexo em si, faço quando me dá vontade e com quem eu estiver a fim.

Todas as possibilidades acima eu descartei porque decidi ser um ômega de família e ir procurar um emprego de verdade.

E, como Deus é meu camarada, Ele me presenteou com o cargo de secretário da Jeon’s.

Sou secretário do alfa lúpus cretino e sem-vergonha, de 1,87 de altura, puro músculo: Jeon Jungkook, o CEO da empresa. Em termos legais, o dono da porra toda.

Ah, está bem! Ele é um bom chefe. Me paga um bom salário pelo meu trabalho. Me irrita às vezes, às vezes não, sempre!

Argh, tá legal! Ele me irrita vinte e quatro horas por dia, se deixar. O que tem de lindo, tem de grosso e mal-educado.

Mas, como eu gosto de dizer, quando a coisa tá fodida… a vida é muito boa, né, gente?!

15 DIAS COM O CEO •|| JIKOOK Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora